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Lamine Yamal: Um prodígio ainda com alguns pontos de interrogação

Rui Alves Maria · 4 min

Lamine Yamal na Final do Euro 2024 por Espanha
Foto: Filipe Oliveira/Bola na Rede

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Yamal, jovem jogador do Barcelona, brilhou no Euro-2024 ao serviço da Espanha, e é uma das grandes promessas do futebol mundial na próxima década.

Um meteorito cruzou os céus de Portugal há cerca de dois meses, e deixou de boca aberta todos aqueles que presenciaram o curto, mas intenso, fenómeno da natureza. Foram apenas uns breves segundos, mas os suficientes para ficar na memória de quem assistiu.

Tal como esse evento astronómico, também no futebol existem muitas promessas a astros da bola que aparecem e desaparecem num ápice. Não estou a falar, obviamente, do nome do jogador que está no título deste artigo, mas de outros que tinham tudo para serem grandes estrelas no mundo do desporto rei, mas por um motivo ou por outro, eclipsaram-se do dia para a noite.

Lamine Yamal é o homem (devia chamar-lhe miúdo?) do momento do futebol mundial. Com apenas 17 anos feitos há cerca de duas semanas, o extremo direito do Barcelona e da seleção espanhola foi a revelação do Campeonato da Europa deste ano, e promete ser um dos melhores do mundo na próxima década.

As exibições de grande nível, as assistências e o fantástico golo que marcou à França nas meias-finais, ajudaram e muito La Roja a conquistar o troféu mais desejado do Velho Continente. De tal forma, que a sua cotação disparou em flecha após o Europeu, e muitas são as equipas que desejariam ter no seu balneário a nova joia da coroa espanhola. Mesmo ainda antes do início do Euro-2024, já o PSG andava doido por Yamal, tendo feito uma oferta milionária de 250 milhões de euros ao Barcelona, que foi recusado de imediato pelo clube catalão.

Lamine Yamal no Euro 2024
Fonte: Filipe Oliveira/Bola na Rede

Esse é o preço da fama a pagar por um jovem na fase da adolescência e com um talento nato, que tem ainda um longo caminho a percorrer até chegar ao Olimpo do futebol, onde já lá estão Cristiano Ronaldo, Messi, Pelé, Maradona, entre outros.

Não é fácil atingir esse patamar máximo dos deuses da bola, e que o diga Bojan Krkic, ex-jogador do Barcelona e uma promessa do futebol mundial em 2008. Estreou-se com a camisola blaugrana com apenas 17 anos, jogou ao lado de Messi, e as primeiras três temporadas até não lhe correram nada mal. Daí para a frente, a sua carreira caiu a pique e nunca mais se reencontrou, tendo pendurado as chuteiras aos 32 anos.

Este é um entre outros casos semelhantes, mas quis pegar no exemplo de Krkic por ter sido um atleta formado no mesmo sítio de Lamine Yamal, na famosa escola de talentos do Barcelona, La Masia.

A nova pérola da Catalunha está agora a viver um bonito conto de fadas. Foi campeão da Europa, venceu o prémio de melhor jogador jovem e de melhor golo do Europeu, e tornou-se no mais novo de sempre a marcar em fase finais da competição, com apenas 16 anos. Melhor? Impossível. Mas como irá estar a sua carreira daqui a apenas cinco anos, ainda na flor da idade? Como a de todos os futebolistas, uma incógnita. E é importante que se pense nisto, porque hoje podemos estar a tocar o céu e amanhã estar às portas do inferno.

Yamal tem ainda muito para aprender, para evoluir, não só como futebolista, mas como homem, e esse será sempre o principal fator do seu sucesso ou insucesso individual. A qualidade futebolística está toda lá e pode ainda melhorar, mas é a sua mentalidade enquanto ser humano que vai ditar o futuro da sua carreira, pois a cabeça de um miúdo de 17 anos não é a mesma de um adulto já quase nos 30.

Cabe agora ao Barcelona a missão de gerir todas a emoções que o seu novo puto maravilha está a viver atualmente, para que o seu rendimento em campo não seja prejudicado. É preciso fazê-lo “descer à terra” e que evite meter-se em bicos de pés a achar que já é o maior do mundo. Em Barcelona esse tipo de gestão pode ser mais fácil de fazer, e era importante para ele permanecer mais alguns anos na cidade Condal. Porque caso saia da Catalunha ainda muito jovem, tudo pode mudar drasticamente.

Yamal vai ter que sentir qual será o momento certo para rumar a outras paragens, e tentar não ser influenciado por “más companhias” nas suas decisões. Porque são essas más decisões que muitas vezes destroem a carreira de um jogador, que por mais qualidade que tenha com uma bola nos pés, nunca vai ser lembrado como tal.

A bonita história de Lamine Yamal ainda agora começou, e só daqui a 10 ou 15 anos, é que vamos perceber se o menino campeão europeu em 2024 vai estar no mesmo nível das maiores lendas do futebol mundial.

Rui Alves Maria

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