Eintracht Frankfurt 1-1 (5-4 a. p.) Rangers FC: Às costas de uma cidade inteira

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A CRÓNICA: SANTOS BORRÉ COMANDOU REVIRAVOLTA GERMÂNICA NUMA FINAL QUE NÃO DEIXA SAUDADES

Duelo de outsiders na final da Liga Europa. O Eintracht Frankfurt levou a melhor sobre o Rangers FC, num triunfo suado, emotivo e suportado no apoio massivo dos adeptos. O clube germânico levou 100 mil pessoas à cidade de Sevilha, o palco da final, mesmo que só 10% tenham tido direito a bilhete para assistir ao encontro desta noite. Se o espetáculo em Camp Nou já tinha sido bonito, o Estádio Ramón Sánchez Pizjuán também contou com uma forte presença alemã nas bancadas e os adeptos escoceses ajudaram a compor o ramalhete. Além disso, o Eintracht abriu ainda as portas do seu estádio e os adeptos disseram presente, numa enchente pouco vista noutras realidades.

Quanto ao jogo, não foi espetacular e não deixa saudades. A primeira parte foi mesmo bastante monótona e as oportunidades rarearam. Aribo ameaçou o golo de meia distância, num remate ao lado, mas as ocasiões mais interessantes até ocorreram na baliza contrária. Veio a segunda parte e houve mais emoção. Num erro a meias entre Tuta e Sow, aos 57 minutos, Aribo viu-se isolado, perante Trapp, e não perdoou na cara do guarda-redes alemão. Despoletava a festa dos Protestantes, mas este Eintracht não ia desistir de procurar a glória.

Nesse sentido, os craques da turma de Oliver Glasner pegaram na batuta e, aos 69 minutos, curiosamente quando o técnico se preparava para lançar Hauge na partida, Kostic cruzou e Rafael Santos Borré, que já tinha sido decisivo nos quartos e meias-finais da prova, empatou a final. Esperava-se um assalto final à reviravolta, mas o golo não surgiu e o duelo seguiu para prolongamento.

Curiosamente, o encontro abriu e existiu frisson em ambas as balizas. Diz-se que não há vencedores sem sorte e os minutos finais do prolongamento foram bem animadores para as Águias Negras. Primeiro foi Trapp a negar o golo ao Rangers, nomeadamente a Kent, e depois foi Steve Davis a não acertar no alvo. 120 minutos depois, a final ia ser decidida nas grandes penalidades. Apenas Ramsey, que entrou para bater o penálti, falhou (defesa de Trapp) e o troféu ia mesmo para as mãos do Eintracht Frankfurt.

Na verdade, 42 anos depois, os Schlappekicker voltam a somar uma conquista europeia, sendo que garantem também o acesso à Liga dos Campeões, onde não marcam presença desde 1960. É, por isso, uma vitória dupla para Oliver Glasner que, depois de levar o Wolfsburgo à Champions em 2020/21, consegue agora conduzir também as Águias Negras à prova milionária.

 

A FIGURA

Rafael Santos Borré – Não era fácil decidir entre o colombiano e Kevin Trapp, que teve algumas intervenções decisivas, uma delas nos penáltis, mas o ex-River Plate marcou, converteu o penálti que garantiu a glória e deu sempre muita luta aos centrais na frente de ataque. Após uma primeira experiência falhada no Velho Continente, que motivou o regresso à América do Sul, Santos Borré está a marcar o seu espaço e já está na história do Eintracht.

 

O FORA DE JOGO

James Tavernier – É o melhor marcador desta edição da Liga Europa e termina a prova com esse estatuto (7 golos), mas passou completamente ao lado da final. Trata-se de um lateral muito ofensivo e forte no cruzamento, mas acabou por ter menos presença do que é hábito e o conjunto de Gio Van Bronckhorst ressentiu-se. Também pelas expectativas criadas em desafios anteriores, esperava-se mais do inglês de 30 anos.

 

ANÁLISE TÁTICA – EINTRACHT FRANKFURT

O conjunto alemão apresentou-se num 3-4-3, com Touré, Tuta e Ndicka no eixo defensivo, tendo Knauff e Kostic a missão de oferecer profundidade nos corredores. No miolo, Rode e Sow garantiram rotação, ficando Kamada e Lindstrom, eleito o melhor rookie da Liga Alemã, com a missão de auxiliar o ponta de lança Rafael Santos Borré.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Trapp (9)

Touré (6)

Tuta (4)

Ndicka (7)

Knauff (7)

Rode (6)

Sow (5)

Kostic (8)

Kamada (6)

Lindstrom (5)

Rafael Santos Borré (9)

SUBS UTILIZADOS

Hasebe (7)

Hauge (5)

Lenz (7)

Jakic (6)

Hrustic (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – RANGERS FC

Gio Van Bronckhorst apostou num 4-3-3, com Tavernier e Barisic nas laterais e uma dupla de centrais formada por Goldson e Calvin Bassey. No meio-campo, Lindstrom ocupou a posição ‘6’, com Ryan Jack e Glenn Kamara como interiores. Nos flancos, Wright foi um dos mais apagados, ao contrário de Ryan Kent na esquerda e de Aribo, que funcionou como ponta de lança. Mais tarde, devido à entrada de Sakala, o nigeriano descaiu mais para o corredor direito.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Allan McGregor (6)

Tavernier (4)

Goldson (5)

Calvin Bassey (6)

Barisic (5)

Lundstram (6)

Ryan Jack (5)

Glenn Kamara (6)

Wright (4)

Ryan Kent (6)

Aribo (7)

SUBS UTILIZADOS

Steven Davis (5)

James Sands (5)

Scott Arfield (5)

Fashion Sakala (6)

Ramsey (3)

Kemar Roofe (4)

 

Rescaldo da opinião de Rodrigo Ferreira.

Rodrigo Ferreira
Rodrigo Ferreirahttp://www.bolanarede.pt
O Rodrigo reside em Oliveira do Bairro, é licenciado e tem mestrado em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Desde muito cedo que o desporto e o futebol em particular fazem parte da sua vida, tendo também cultivado o gosto pela escrita e análise do fenómeno. Além do desporto-rei, interessa-se também por ciclismo, basquetebol, ténis ou futsal.

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