A incrível temporada do Brest

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O Stade Brestois (ou Brest) é um clube francês sediado na Bretanha, resultado da fusão de cinco outros clubes em 1950. Não tem um passado glorioso no que conta à conquista de troféus, tendo apenas uma Ligue 2, em 1980/81.

O treinador (atualmente) é Éric Roy, que não treinava há 11 anos (quando saiu do clube da sua cidade, Nice) e, em janeiro de 2023, assinou com o Brest quando a equipa estava na zona de despromoção. Assegurou a manutenção, confortavelmente, com mais 9 pontos que a primeira equipa abaixo da linha de água e, nesta temporada, coloca o Brest em lugar de acesso à Liga dos Campeões.

Apesar de ter perdido o seu melhor atacante, Franck Honorat, no passado verão por €8M e ter, apenas, gasto um total de €3,5M, o clube tem lutado, e está próximo de atingir o seu melhor registo na primeira divisão francesa. Mas, o que é que Roy fez para transformar um sobrevivente à despromoção num aspirante à Europa?

Como já foi mencionado, não se trata de um clube com muitos fundos para gastar nos mercados de transferências e, com efeito, o aproveitamento de empréstimos e jogadores livres tem sido essencial. A equipa estrutura-se, consistentemente, num 1-4-3-3 com Martín Satriano e Steve Mounié (perfis de ponta-de-lança diferentes) a irem dividindo a posição central do ataque. Os laterais habituais, Kenny Lala (lateral direito) e Bradley Locko (lateral esquerdo) gostam de se projetar nos corredores e, por isso, é pedido ao médio mais recuado, Pierre Lees-Melou que baixe e ajude na construção. Aí, também é usual vermos um segundo médio, como Mahdi Camara a suportar o pivô, com o terceiro médio a apoiar mais o avançado. Com bola, os extremos têm alguma liberdade de interpretar o jogo e decidir se faz mais sentido dar uma linha de passe interior ou exterior, se bem que Romain del Castillo, extremo direito, prefere mais um posicionamento aberto para ver o jogo de frente e, posteriormente, driblar e/ou cruzar (um dos seus pontos fortes). O Brest não se define como uma equipa “fina”, não se importando de jogar longo à procura da referência do avançado para subir no terreno de forma mais rápida. Defensivamente, organizam-se, habitualmente, num bloco intermédio em formato 1-4-2-3-1.

O Brest tem uma das melhores defesas do campeonato e isso deve-se, em parte, a dois nomes em destaque: Marco Bizot e Lilian Brassier. Bizot, guarda-redes neerlandês, saiu do AZ em 2021 e encontrou um novo lar no Stade Francis-Le Blé. Aos 33 anos de idade, está a ter a melhor época da carreira a mostrar sua capacidade de distribuição e habilidade entre os postes. Já Brassier é um central canhoto, muito associado ao FC Porto no mercado de inverno, antes dos “dragões” terem avançado para a contratação de Otávio Ataíde. Ainda jovem (24 anos), mostra versatilidade posicional, podendo também funcionar como lateral esquerdo, e a fisicalidade e atleticismo tão característicos dos centrais franceses modernos. Alguém a ter em conta nos próximos anos, certamente.

Apenas os três primeiros classificados passam diretamente para a Liga dos Campeões, com o quarto a ter de disputar duas rondas de pré-qualificação à fase de grupos e, o Brest, encontra-se apenas atrás do líder, PSG. Com nove pontos de vantagem para o quinto lugar e quatro para o quarto, está tudo muito bem encaminhado, mas pela frente há uma estrada com cinco paragens em que não pode haver passos em falso caso queiram materializar o objetivo de se qualificarem para a principal competição europeia pela primeira vez na sua história.

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