Lyon de Paulo Fonseca: A nova fábrica de talentos da Ligue 1

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Em França encontramos um fenómeno que talvez tenha sido inesperado nas previsões da temporada da Ligue 1. O Lyon, está a demonstrar um futebol interessante e cada vez mais relevante, tendo em conta a etapa que se aproxima. Com o primeiro lugar na fase de liga da Europa League e a consolidação de uma vantagem sobre o Marselha e o Stade Rennais para validar uma qualificação para a Champions League, após seis anos de ausência.

Estrasburgo
Fonte: Estrasburgo

Mas para avaliar este retorno aos holofotes, é preciso debater as previsões que mencionei. Com o apoio do consórcio BlueCo, que controla as operações futebolísticas do Chelsea, e o crescimento da matriz jovem do clube em figuras como Emmanuel Emegha e o luso-belga Diego Moreira, a temporada do Estrasburgo, ao que tudo indica, não irá corresponder aos desejos dos adeptos para uma qualificação eventual para a Champions League do próximo ano. Com a saída e os desfalques cada vez mais proeminentes de Emegha, o avançado argentino Joaquin Panichelli deu conta do recado, com 12 golos esta temporada. Dois elementos defensivos do clube também estão a ter épocas de afirmação: Valentin Barco e Guela Doué, irmão de Désiré Doué do PSG. O problema vai muito mais além da sétima posição e sim o modelo atual em que o Estrasburgo se encontra. 

A questão da estabilidade a nível tático para manter a curva de aprendizagem de jogadores jovens não é o mais preocupante, tendo em conta a adaptação de Liam Rosenior, ex-Strasbourg, ao Chelsea, devido ao estilo semelhante da composição do ataque de Enzo Maresca em comparação ao plano e disposição tática do treinador inglês.

O consórcio também acabou por realizar uma escolha parecida com o Estrasburgo em Gary O’Neil acumulou resultados positivos, contra o Marselha e o Lille (2-2 e 4-1, respetivamente). Mas a exigência com o Estrasburgo enquanto fábrica de talentos, que está no terceiro ano deste projeto, seria de materializar o potencial rendimento da mesma para estar presente nas conversas de qualificação para a Champions League. A contratação de O’Neil não deve ser considerada como ilegítima, tendo em conta a experiência que o treinador teve na Premier League, ao serviço do Bournemouth e a influência na nova geração do Wolverhampton, com curtos períodos vigorosos. Mas apenas como a preocupação dentro da hierarquia do consórcio pode sem dúvida prejudicar as ferramentas que o Estrasburgo tem para competir. Contudo, o clube ainda tem doze jornadas para recuperar uma desvantagem de nove pontos.

Mesmo com a saída de Rosenior a meio da temporada para o Chelsea e Emegha que será o próximo a seguir o mesmo caminho para Londres, Barco e Panichelli poderão seguir esta sequência de abandonos na janela de transferências do verão e fragilizar um projeto que neste momento mantém-se longe dos objetivos esperados, com a exceção do primeiro lugar na fase de liga da Conference League, o que deve motivar as ambições de um grupo jovem que encontra as mesmas dificuldades do seu clube parente na consistência em termos de resultados na Ligue 1.

O recrutamento da equipa de Paulo Fonseca, durante a temporada, explica perfeitamente as inseguranças acerca do sucesso que seria necessário gerar. Antes do início da pré-época, já era anunciada a despromoção do clube por incumprimento de regras, para a Ligue 2, algo que o dono do clube, John Textor negou firmemente na tentativa de apaziguar os ânimos justificadamente ansiosos da massa associativa, pelo desfecho deste caso.

Mesmo com a crise financeira do clube, agravada com as incertezas que o clube, ligado a outras estruturas desportivas dentro do grupo de aquisições futebolísticas do empresário inglês, como o Crystal Palace teve, em termos da participação nas competições europeias, o Lyon escapou a sanção penosa, assim como a proibição de transferências inicialmente imposta. Daqui chegaram Afonso Moreira, Tyler Morton e meses depois, Endrick, três jovens jogadores pilares no processo de rejuvenescimento do Lyon, pós-Cherki e Lacazette.

Os dois primeiros casos, continuam parcialmente uma tendência recente e forte de transferências no futebol europeu, onde jogadores promissores da formação jovem de grandes clubes nacionais eventualmente são transferidos para obter mais tempo de jogo e acabam por ser o elemento-chave da sua nova equipa. Não diria que Tyler Morton (ex-Liverpool) está ao nível de Nico Paz ou Cole Palmer, ambos jogadores ofensivos que saíram do Real Madrid e do Manchester City, e rapidamente tiveram uma ascensão ao estrelato das suas respetivas ligas. Morton tem 23 anos, e o espaço que não encontrou na equipa de campeões ingleses de Arne Slot, traduz-se atualmente em 20 jogos em 21 jornadas na primeira divisão francesa, algo que não tinha feito desde 2023/24, no empréstimo ao Hull City. Paulo Fonseca depende da qualidade do internacional sub-21 para ditar o ritmo de jogo enquanto médio defensivo e fazer passes cruciais para quebrar linhas de jogo. Morton é o líder da profundidade (passes longos por 90 minutos), mas a estatística diz pouco da dependência do ataque na progressão de bola para o último terço que o inglês pode oferecer, quando este está em campo. O impacto do inglês é tremendo, e faz com que Paulo Fonseca tenha de recorrer a novos métodos para a dinamização do ataque quando está ausente.

Afonso Moreira Lyon
Fonte: Olympique Lyonnais

O português e ex-Sporting Afonso Moreira, tem sido uma revelação enorme, enquanto extremo esquerdo e especialmente num lugar normalmente ocupado pelo belga Malick Fofana, que certamente continuará no clube para além desta temporada, será empolgante ver a evolução de ambos. Com mais experiência no clube e em jogos grandes, após o regresso de Fofana após uma lesão e a eventual reintegração ao 11 inicial de Fonseca, o treinador português tem duas grandes opções consoante o ritmo e o plano tático a seguir. No entanto, as últimas contribuições de golo de Afonso Moreira (um golo e três assistências nos últimos cinco jogos) mostram os frutos de uma adaptação favorável.

Outros exemplos de recrutas incluem Pavel Sulc, médio ofensivo que por vezes assume a posição de um falso nove, especialmente com a entrada de Endrick, nas contas do Lyon. O checo de 25 anos, também chegou no verão passado e conta com 10 golos em 19 jogos na temporada, sendo até agora um sucessor fiável a Lacazette.

Endrick, Lyon
Fonte: Lyon

Já o brasileiro de 19 anos, pode estar a fazer uma segunda audição ao onze inicial ‘madrileno’, com a sua versatilidade como extremo direito, algo que mostrou no jogo contra o Metz, onde Endrick verdadeiramente anunciou a sua chegada em França. Contratações como estas em janeiro, podem ser explicadas pela aflição que um jogador possa ter para mais tempo de jogo, e no caso da Ligue 1, podemos também usar Ethan Nwaneri como exemplo, jovem promessa do Arsenal que perdeu o espaço no banco de suplentes londrino e foi contratado por empréstimo ao Marselha na janela mais recente.

Porém, no final das contas, a entrada de sonho de Endrick, adiciona uma peça-chave e uma prova importante do conforto, que o Lyon pode vir a ter com a aposta no rejuvenescimento da equipa, com o sucesso atual do empréstimo do número nove a servir de exemplo.

O Lyon conseguiu o primeiro lugar, numa fase de liga com Aston Villa e Nottingham Forest, a não conseguirem replicar a primazia habitual da Premier League nas competições europeias, independentemente da forma atual na Ligue 1 (como podemos ver com um Tottenham Hotspur nos oitavos de final da Champions League, mas numa ‘luta a quatro’ impressionante pela manutenção). Além disso, a vitória que sentenciou o primeiro lugar, em casa por 4-2 contra o gigante grego PAOK, teve três golos a chegarem de promessas das camadas jovens. Com um onze inicial jovem em plena competição europeia, derrotar um rival na disputa pelos play-offs é um grande desafio superado por Paulo Fonseca e reforçou esta nova imagem de um Lyon em fase de reconstrução.

Em comparação com os projetos mais desenvolvidos na Ligue 1, apenas o PSG aparece na tabela, dois talentos da formação com momentos importantes, em Ibrahim Mbaye, jovem de 18 anos é campeão da última edição da CAN pelo Senegal, assim como Warren Zaire-Emery, de 19 anos e Senny Mayulu, um dos autores dos golos contra o Inter de Milão na última final da Champions League. O Lens, que está entre as equipas mais envelhecidas, é também uma equipa na disputa pelo título, sendo o líder do campeonato num ano onde o PSG encontra-se fragilizado, podendo repetir a proeza de tirar uma conquista que já não foge ao PSG, após o desaire de Neymar e Mbappé contra o Lille em 2021.

Atualmente, o Lyon apresenta uma média de aproximadamente de 26 anos, no elenco inicial, um decréscimo da média de 27 anos que estava abaixo do Lens em 2024/25. O que pode indicar a componente final para o sucesso de uma equipa jovem: a combinação deste fator com a maturidade na liderança pós-Lacazette.

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