O crescimento sustentado do AS Mónaco

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À partida para esta época, o Mónaco era apontado como o único clube que podia evitar um passeio do PSG na Liga Francesa. Contudo, era evidente que, apesar do enorme investimento efectuado no último defeso, os monegascos ainda não tinham a capacidade de lutar lado a lado com os parisienses. Posto isto, o segundo lugar provisório do emblema do Principado é um excelente indicador do que a equipa pode vir a fazer nos próximos anos. A fórmula do sucesso tem sido uma conjugação eficaz da experiência de elementos como Ricardo Carvalho – temporada bastante regular – e Abidal com a irreverência de jovens como Kurzawa, Germain e o próprio James, que tem jogado a um nível fantástico na segunda metade da temporada.

Dmitry Rybolovlev comprou o AS Mónaco em 2011, quando o clube estava na última posição da Ligue 2. Os monegascos conseguiram evitar a descida de divisão e, na época seguinte, alcançaram a promoção à Ligue 1, já com Ranieri ao leme. O bilionário russo cumpriu o que prometeu e, em apenas ano e meio, recolocou a equipa no lugar a que pertence. Para esta temporada, havia bastante curiosidade para perceber o que o Mónaco poderia fazer. O investimento de mais de 150 milhões de euros em jogadores como Falcao, James, Moutinho, Kondogbia ou Toulalan deu automaticamente aos monegascos o estatuto de grande rival do PSG na luta pelo título, mas faltava passar da teoria à prática.

Contratar uma série de jogadores de grande nível não é sinónimo de sucesso imediato, até porque é necessário colocar as individualidades ao serviço do colectivo. O Mónaco está a ser bem-sucedido nessa tarefa e a temporada está a corresponder às expectativas iniciais. E o mais surpreendente é que, de todos os reforços sonantes contratados, apenas James está a justificar o investimento. Depois de uma fase de adaptação complicada, o colombiano assumiu a batuta da equipa e está a mostrar toda a sua qualidade. Neste momento, já leva 6 golos e 9 assistências, números que provavelmente serão melhorados até final da época. Infelizmente, tendo em conta que é devido a uma grave lesão, o seu compatriota Falcao já não poderá dar o seu contributo aos monegascos. Embora não estivesse a realizar uma temporada deslumbrante – 9 golos marcados, alguns deles de penalty -, é uma baixa de peso para Ranieri, atenuada pela aquisição de Berbatov, boa solução para o imediato. Em relação a João Moutinho, está a desiludir na sua primeira experiência no estrangeiro. O médio português tem sido titular indiscutível, mas não está a ter o impacto que se esperava. Ainda no meio-campo, Toulalan está a ser importante devido à experiência que acrescenta, enquanto Kondogbia, apesar do enorme talento, está a ter pouca influência na equipa.

João Moutinho, James e Falcao são alguns dos nomes sonantes do Monaco
João Moutinho, James e Falcao são nomes sonantes na equipa do AS Monaco

Num ano em que o Mónaco investiu muitos milhões de euros, poder-se-ia pensar que os jovens veriam o seu espaço na equipa reduzir-se. Contudo, a verdade é que esta está a ser a temporada de afirmação para muitos talentos do clube. Na defesa actua a grande revelação do campeonato francês: Layvin Kurzawa, lateral-esquerdo de 21 anos que se destaca essencialmente no apoio ao ataque (já leva 5 golos, alguns deles decisivos) mas que é igualmente competente nas tarefas defensivas (excelente na antecipação). Do meio-campo para a frente as opções à disposição de Ranieri permitem que haja bastante rotação na equipa. Rivière, avançado móvel e com boa capacidade de finalização, foi um dos destaques da primeira metade da temporada, formando uma dupla muito perigosa com Falcao. Com a lesão do colombiano, Valère Germain e Anthony Martial – tem apenas 18 anos e é uma das maiores promessas do futebol francês – apareceram em bom plano e mostraram que o futuro do Mónaco tem tudo para ser risonho. Ainda há Lucas Ocampos e Ferreira-Carrasco, dois alas desequilibradores que, apesar de não serem titulares, têm bastante potencial.

Depois de ter estado na Ligue 2 na última época, o Mónaco irá, muito provavelmente, terminar no segundo lugar da Ligue 1 (tem 7 pontos de vantagem para o Lille), garantindo o acesso directo à Liga dos Campeões. Para a próxima temporada, apesar de o PSG ser um adversário temível, o título tem de ser o objectivo. Com alguns reforços cirúrgicos, como um lateral-direito e um central de categoria (Carvalho e Abidal não duram para sempre), e uma época mais bem conseguida por parte de jogadores como Moutinho e Kondogbia, Ranieri pode construir uma equipa fortíssima e dar seguimento ao bom trabalho que tem sido feito. No Principado do Mónaco há um projecto com pernas para andar.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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