Chelsea 2-1 QPR: Um Chelsea Sem Cor

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Os campeonatos não se ganham nos clássicos nem nos derbies. Os campeonatos não se vencem com esses pontos, que são tão poucos quando comparados com os passíveis de ser conquistados contra pequenas e médias equipas. E hoje o Chelsea arriscou-se e sofreu num jogo aparentemente fácil. A equipa de Mourinho foi sem atitude, adormeceu depois do primeiro golo, lutou contra o tempo para alcançar a vitória e andou às aranhas com os contra-ataques rapidíssimos de Charlie Austin.

Esperava um jogo fácil para a equipa de Mourinho. Previa que o Chelsea entrasse com tudo para arrumar o encontro nos primeiros minutos e, assim, jogar calmo e tranquilo já a pensar no jogo de quarta-feira para a Liga dos Campeões. E assim foi: os blues começaram a pressionar e a impor o seu ritmo de jogo. A primeira parte jogou-se toda no meio campo do Queen Park Rangers, com a excepção de uma escapadela de Vargas, que num contra ataque rápido se soltou da marcação e centrou para Charlie Austin, que de cabeça viu a bola passar acima da trave. À excepção deste pequeno lance de perigo só deu Chelsea, mas nem por isso um Chelsea bom. O meio-campo funcionou muito bem, e foi provavelmente o sector mais dinâmico e criativo, uma vez que Hazard só acordou nos últimos 17 minutos e Willian nem a acordar chegou. Diego Costa teve uma prestação apagada e nem uma oportunidade perigosa chegou a ter. E foi aos 31 minutos que o meio-campo dos blues decidiu subir no terreno e, em conjunto, fazer um grande golo! A jogada começa em Matic, que depois de segurar a bola a entrega a Fàbregas, que, por sua vez, arranca em direção à área e deixa para trás quatro jogadores do Queen Park; este deixa a bola para Óscar, à sua direita, que com um remate de trivela irrepreensível faz o primeiro golo do jogo.

O jogo continuou e a primeira parte tornou-se um festival de golos falhados, de jogadas mal concretizadas e de um Queen Park Rangers encolhido a ver um Chelsea com pouca atitude a passar a bola no seu meio-campo.

Diego Costa não teve a prestação a que nos tem habituado. Esperemos voltar a ver o ponta-de-lança espanhol a soltar a sua veia goleadora em breve Fonte: Facebook Chelsea FC
Diego Costa não teve a prestação a que nos tem habituado
Fonte: Facebook Chelsea FC

A segunda parte iniciou-se com o Chelsea por cima do encontro. A equipa orientada pelo técnico português parecia apresentar outra atitude e começou a impor um ritmo de jogo. Era notório que bastava o Chelsea “colocar o pé no acelerador” para aumentar a sua vantagem e matar o jogo. E tanto o Chelsea avançou que quase que marcou, mas acabou por sofrer numa jogada de contra-ataque – a defesa dos blues, assim como a do QPR, esteve uma miséria – Charlie Austin, de calcanhar, fez o golo do empate. Aos 61 minutos, os blues viram-se apertados e com o Queen Park Rangers a querer colocar o autocarro em frente à baliza. O Chelsea meteu assim o pé no acelerador e tentou e continuou a tentar, e o QPR continuava a responder incessantemente com contra-ataques; uns perigosos, outros nem por isso. O jogo começava a ganhar um bom ritmo mas nenhum deles parecia estar a conseguir marcar – Robert Green esteve em destaque. Até que, aos 75 minutos, uma infantilidade de Vargas a carregar Hazard dentro da área dá penalty para o Chelsea. O 10 dos blues é chamado a converter e não facilita, fazendo o 2-1 para o Chelsea.

Até ao fim foi um sufoco para o Chelsea, que sofreu sem qualquer tipo de necessidade. A um Chelsea de qualidade faltou qualidade de finalização na dianteira e frieza e concentração no sector mais recuado. Em suma, foi uma vitória suada de Mourinho, que sofreu sem necessidade, e mais uma derrota para Redknapp, que parece não conseguir sair dos últimos lugares da tabela classificativa.

Mourinho geriu bem a mentalidade, o esforço e a utilização de jogadores, mas arriscou-se a perder pontos importantes sobre os seus rivais da Liga Inglesa, a pensar demasiado no jogo de quarta-feira para a Liga dos Campeões. Nota-se que o técnico português tem vontade de carimbar a passagem aos oitavos-de-final o mais rapidamente possível. Veremos como corre quarta-feira na Eslovénia. Veremos se temos este Chelsea apático ou um Chelsea mais dinâmico, criativo, frio e finalizador!

A Figura

Matic – Fabregas – Óscar: o meio-campo do Chelsea foi o único sector com vontade e qualidade. Mourinho tem dos melhores médios do mundo e deles nunca prescinde, e a confiança é retribuída com passes, classe, cortes, desmarcações e golos!

O Fora-de-jogo

Felipe Luis: o defesa brasileiro fez um jogo para esquecer. Não teve pernas para parar Vargas, errou passes e cortes. É certo que foi uma das figuras do Atlético na época passada, mas em Inglaterra ainda não justificou o investimento.

Tomás Gomes
Tomás Gomes
O Tomás é sócio do Benfica desde os dois meses. Amante do desporto rei, o seu passatempo favorito é passar os domingos a beber imperial e a comer tremoços com o rabo enterrado no sofá enquanto vê Premier League.                                                                                                                                                 O Tomás escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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