Com Bruno Fernandes, a começar do zero

- Advertisement -

O Manchester United FC é um dos clubes mais ricos do mundo e uma das marcas mais valiosas no mundo do desporto. Com um palmarés e história invejáveis, os Red Devils sempre foram associados a ter equipas ganhadoras, com alguns dos melhores talentos do planeta. No entanto, hoje os tempos são outros.

Em 2013, Alex Ferguson anunciou a sua retirada do clube, deixando-o, na altura, como campeão de Inglaterra, com uma equipa que contava com Wayne Rooney, Robin van Perise, Dimitar Berbatov, Nani, Chicharito, Evra, Vidic, Scholes, Giggs, entre muitos outros. Tinham qualidade e talento de sobra, mística e uma química coletiva fora do normal, que fazia o Manchester United lograr títulos nacionais e sucessos europeus.

A partir daí, foi o descalabro. O Manchester United FC começou um processo de pura descaracterização, perdendo o seu ADN, a sua equipa ganhadora e, pior que tudo, iniciou uma política de contratações horripilante, gerindo mal os seus próprios ativos. Compra caro (muito caro), não dá tempo suficiente ao atleta e vende barato. Foram mais de 1000 milhões gastos nas últimas temporadas e, a verdade, é que os Red Devils não conseguem reentrar nos eixos.

Para além da má gestão dos seus ativos e de compras por valores absurdos, a escolha do técnico não tem dado resultado. David Moyes, o primeiro sucessor de Ferguson, nem durou uma época, sendo substituído por Ryan Giggs, numa temporada em que perderam o título de campeões e nem se qualificaram para a Liga Europa

Seguiu-se o reinado de Louis van Gaal, que permaneceu duas temporadas em Old Trafford. Na primeira época, sem Europa, conseguiu um regresso à Liga dos Campeões. Na segunda, só conseguiu qualificar a equipa para a Liga Europa através da Premier League, e foi imediatamente afastado na fase de grupos na Champions e nos oitavos da Europa League. Muito dinheiro investido, futebol que não agradou as massas e resultados desportivos muito modestos para um clube desta dimensão. O melhor que conseguiu foi conquistar a Taça de Inglaterra.

Fonte: Manchester United FC

Em 2016, entra em cena José Mourinho. Parecia perfeito para o cargo. Na primeira época, só conseguiu um sexto lugar na liga, mas conquistou a Liga Europa, permitindo ao clube qualificar-se para a Supertaça Europeia e para a Liga dos Campeões da época seguinte. Para além disso, venceu uma Taça da Liga e uma Supertaça Inglesa.

Na época seguinte, extremamente criticado por colocar a equipa a jogar um futebol defensivo e com pouco espetáculo, conseguiu um vice-campeonato inglês, o melhor resultado desde o fim da era de Ferguson, não tendo conseguido conquistar nenhum título e sendo eliminado nos oitavos da Liga dos Campeões. Terceira época de Mourinho, a pressão dos media e dos adeptos intensificou-se, o futebol praticado não melhorou e os resultados desportivos já não foram tão bons. Mourinho não acabou a época e foi substituído pela lenda norueguesa do MUFC, Ole Gunnar Solskjaer.

Ole teve um impacto imediato muito positivo e a equipa parecia soltar-se das amarras do português. Foi perdendo gás ao longo da época e não conseguiu melhor que uma classificação para a Liga Europa desta temporada. Esta época, a irregularidade permanece.  Os objetivos desta época passam por regressar à Liga dos Campeões, vencer a Liga Europa e a Taça da Liga Inglesa. No entanto, e independentemente do que aconteça até junho, o problema do MUFC é mais profundo.

A crise de identidade e desunião no universo do clube é enorme. Os Red Devils são motivo de chacota pelos grandes rivais Liverpool FC e Manchester City FC e a única maneira de dar a volta a isto, é arrumar a casa. A gestão de ativos e o dinheiro gasto sem nexo, são graves problemas, pois a questão não está na capacidade de Ole, que já mostrou que consegue competir contra equipas muito mais fortes e preparadas, quando tem uma equipa inferior, sendo que ainda representa a mística ganhadora de um passado triunfador do clube.

A época 20/21, tem de ser planeada ao milímetro na construção do plantel e o mercado de janeiro já teve movimentações muito interessantes. A chegada de Bruno Fernandes é, sem dúvida, uma demonstração de força do Manchester United FC. O internacional português vai entrar de caras no onze inicial e o difícil contexto que a equipa atravessa, é perfeito para o médio chegar e, rapidamente, impor-se como um indiscutível.

Para chegar mais reforço desta craveira, é necessário limpar ainda mais a casa e a fundo mesmo. Por exemplo, as saídas de Rojo (foi só por empréstimo, pois é quase impossível vendê-lo nesta altura) e Young, foram importantes para libertar verbas e espaço para entradas.

Mas Juan Mata, Phil Jones, Luke Shaw, Bailly, Andreas Pereira, Fred, Jesse Lingard e as estrelas Paul Pogba e David De Gea também podiam ter guia de marcha. Os primeiros sete nomes, são jogadores que auferem muito e não têm impacto na equipa e, os outros dois, são duas estrelas do futebol mundial em sub-rendimento.

Fonte: Manchester United FC

De Gea é o guarda redes mais caro do futebol atual e, no entanto, desde há três épocas para cá, tem exibido uma irregularidade arrepiante, ou seja, não justifica tanto investimento. O jogador continua a ser um dos melhores do planeta no seu lugar, mas já se encontra demasiado comodado e é por isso que a irregularidade e displicência começam a aparecer. Pogba foi um autêntico flop.

Com tiques excessivos de estrela (por exemplo, Neymar também os tem, mas comparem o rendimento de um com o outro), o francês só esteve ao nível da sua melhor versão, nos primeiros tempos com Ole. De resto, tem se exibido a um nível de qualidade, mas não de excelência e de regularidade, como se exige a um craque da sua dimensão. Constantemente lesionado e com comportamentos que o prejudicam fora dos relvados, também está na hora de ir para outras paragens. É necessário substituir as estrelas atuais.

Este é o único caminho para o Manchester United FC voltar a ser grande. Limpar o atual elenco e  começar do zero, de preferência, com Ole Gunnar Solskjaer ou outro treinador qualquer que acarrete a mística vencedora dos Red Devils do passado, como Ryan Giggs.

Foto de Capa: Manchester United FC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Ruben Brêa Marques
Ruben Brêa Marqueshttp://www.bolanarede.pt
O Rúben é um verdadeiro apaixonado pelo futebol, sem preferência clubística. Adepto do futebol, admira qualquer estratégia ou modelo de jogo. Seja o tiki taka ou o catenaccio, importante é desfrutar e descodificar os momentos do jogo e as ideias dos técnicos. Para ele, futebol é paixão, trabalho, competência, luta, talento, eficácia, etc. Tudo é possível, não existem justos vencedores ou injustos perdedores, e é isto que torna o futebol um desporto tão bonito.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

FC Porto tem concorrência por jovem promessa do Flamengo: Eis o ponto de situação

O FC Porto fez uma proposta pelo jovem lateral do Flamengo, Daniel Sales. Os dragões têm concirencia do Gotzepe, da Turquia.

Árbitro neerlandês afastado do Mundial 2026 morre aos 38 anos

Rob Dieperink, árbitro neerlandês e oficial internacional de VAR, morreu aos 38 anos. O árbitro foi afastado do Mundial 2026 após investigações.

Barcelona vai ter de voltar a sair do Camp Nou: eis a razão

O Barcelona pediu para atuar na primeira metade de 2027/28 fora do Camp Nou, regressando por alguns meses ao Montjuic.

Hamburgo não desiste de Fábio Vieira: «Tem uma qualidade completamente diferente. Temos mais um lugar livre»

O Hamburgo quer contratar Fábio Vieira ao Arsenal. O médio esteve emprestado aos alemães na temporada passada.

PUB

Mais Artigos Populares

Entre a controvérsia e o reconhecimento: João Pinheiro nos 13 eleitos para o fecho do Mundial 2026

João Pinheiro consta na lista de 13 árbitros que vão dirigir os encontros finais do Mundial 2026. O árbitro português sonha com a final da competição.

Óscar revela que esteve perto de assinar pelo Barcelona: «Tentaram-me contratar para que eu jogasse de graça»

Óscar revelou que esteve muito perto de reforçar o Barcelona em 2022, mas a transferência acabou por falhar devido à permanência de Smauel Umtiti.

Vasco Matos leva 28 jogadores para estágio do Estoril Praia no Algarve: eis os convocados

Vasco Matos chamou 28 jogadores para o estágio de pré-temporada do Estoril Praia, que decorre no Algarve até ao próximo sábado.