Di María: De Anjo a Diabo

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24 de Maio de 2014. Estádio da Luz, Lisboa. Após um jogo disputadíssimo, o Real Madrid vence a final da Liga dos Campeões frente ao Atlético por 4-1. Para Ángel Di María foi o culminar de uma época estonteante e espetacular, na qual conseguiu demonstrar ao mais alto nível todo o seu talento e toda a magia que o perfume do seu futebol traz para dentro das quatro linhas.

No decorrer da temporada 2013/14, o argentino assumiu um papel diferente daquele a que estava habituado, com Carlo Ancelotti a recuá-lo um pouco no terreno, para uma posição mais centro campista, tendo como intuito o uso da sua velocidade para as tão bem conhecidas transições “merengues”. E deu resultado. Resultou tão bem que “Di Magia”, assim chamado por muitos adeptos do desporto-rei, assumiu um papel de destaque no onze madrileno e foram várias as vezes em que as suas exibições superaram as das “estrelas” da companhia, Cristiano Ronaldo e Gareth Bale.

Porém, no início da presente época, a contratação do jovem astro colombiano e Bota de Ouro do Mundial’14, James Rodríguez, que custou cerca de 80 milhões de euros aos cofres de Florentino Pérez, retiraria espaço na equipa inicial a Di María, o que fez com que os dirigentes optassem pela sua transferência para outro emblema de topo europeu.

“Angelito” aterrou, assim, em Old Trafford para representar o Manchester United, liderado pelo holandês Louis van Gaal, treinador apostado em fazer renascer este clube inglês de alto prestígio, após a curta e ineficaz passagem de David Moyes pelo seu comando técnico.

Com a obrigação de fazer valer os 75 milhões de euros em si desembolsados, os primeiros tempos do jogador das “pampas” no “Teatro dos Sonhos” até decorreram de forma feliz, com o jogador a assinar exibições promissoras e prometedoras do que ainda poderia porvir no futuro. No entanto, denotou uma tremenda quebra de rendimento após uma lesão muscular no fim de novembro e, a partir desse momento, a sua influência na equipa tem sido cada vez menor.

Em 19 jogos na Liga Inglesa, apenas por três vezes fez balançar as redes do adversário e são, também, poucos os seus passes para golo. Mais preocupante é o facto de aparentar ter perdido a confiança com a bola. São vários os passes simples que falha (estatisticamente, é o jogador com mais passes errados na Premier League), dribla com bola para o meio da confusão e parece, por vezes, completamente perdido em campo. Com isto, é compreensível que o argentino tenha sido substituído na maioria das partidas dos Red Devils, algumas vezes ao intervalo ou com vários minutos ainda por jogar.

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Di María está muito distante do que fez na temporada passada
Fonte: Facebook do Man United

No entanto, a culpa não é apenas do jogador. O Manchester United não passa a sua melhor fase, tanto no que concerne a exibições como a resultados, o que não ajuda em nada o craque das “pampas” a mostrar e produzir o seu melhor futebol. E nesta situação é discutível o trabalho que Louis van Gaal tem feito na equipa. A sua teimosia e constante mudança do sistema tático não tem potenciado o talento dos seus jogadores ofensivos e Di María é um dos mais afetados por esta conjuntura. Com o treinador holandês, o “camisola 7” voltou a jogar maioritariamente encostado à linha, seja à direita ou esquerda, o que lhe retira o protagonismo que poderia trazer ao jogo se partisse de uma posição mais central para criar desequilíbrios, algo que vinha a suceder quando estava em Madrid.

Certamente, é preciso dar tempo a novas contratações para se adaptarem a um clube, mas com a verba desembolsada no jogador argentino, tanto os dirigentes como os adeptos do Manchester United esperariam que esta aquisição mostrasse resultados durante toda a época, algo que não está a acontecer. E isto leva ao surgimento de notícias por parte jornalistas, principalmente a abordar a descida do seu valor de mercado e a sua futura saída de Inglaterra, provavelmente a acontecer já na abertura da próxima janela de transferências, com o PSG a despontar como o emblema mais interessado em “Angelito”.

O caso mais recente demonstrativo da sua insatisfação e revolta ocorreu na partida frente ao Arsenal, a contar para os quartos-de-final da Taça de Inglaterra. O “camisola 7” dos Red Devils viu dois cartões amarelos em menos de um minuto, por simular uma falta e posteriormente protestar efusivamente e agarrar a camisola do árbitro. E se a tarefa não estava, até aí, fácil para a sua equipa, pois estavam em desvantagem no marcador, o argentino apenas a piorou ainda mais. Tal situação levou Van Gaal a condenar o comportamento do jogador, dizendo que não foi um ato nada inteligente.

Di María foi para Manchester numa altura em que não queria sair de Madrid, recentemente foi vítima de um assalto à sua casa em Inglaterra, o que animicamente abala qualquer um, ainda não conseguiu uma boa adaptação ao idioma inglês e começou a trabalhar para um novo treinador com uma equipa que ainda está em plena fase de desenvolvimento. Todos estes fatores têm contribuído para que continue a falhar na tarefa de demonstrar, com a camisola do United, que a aposta monetária feita nos seus serviços foi acertada.

Todo o apaixonado pelo desporto-rei, decerto, se questiona neste momento: Onde está o Di María que no SL Benfica deslumbrava tudo e todos com as suas jogadas de nota artística e as assistências para golo magistrais? Onde está o jogador que impulsionava o jogo ofensivo do Real Madrid, oferecendo-lhe uma velocidade e precisão tremendas? Onde está o argentino que, juntamente com Lionel Messi, faz as maravilhas de todos os cidadãos do seu país quando a seleção das “pampas” entra em campo? Espera-se que esse Di María apareça rapidamente, para o bem do Manchester United e do futebol.

Foto de Capa: Facebook do Man United

Fernando Gamito
Fernando Gamitohttp://www.bolanarede.pt
O Fernando Gamito é um estudante de comunicação e apaixonado pelo futebol, seja a praticar ou a discuti-lo fora das “quatro linhas”, o que o faz apostar num futuro no jornalismo. Ler jornais desportivos e jogar Football Manager são outras das suas principais preferências. Em Portugal, o seu coração bate pelo Sport Lisboa e Benfica. Lá fora, torce por Barcelona e Chelsea.                                                                                                                                                 O Fernando escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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