Dominik Szoboszlai está a viver uma das fases mais épicas da sua carreira ao serviço do Liverpool e a diferença para a época passada é clara tanto nos números, como na forma como impacta os jogos, não estivesse ele a ser denominado de “remate da sorte” por alguns adeptos.
Se, no primeiro ano em Anfield, Szoboszlai foi um médio dinâmico, intenso e comprometido taticamente, características mais previsíveis e sem grande relevância, e nem sempre se mostrou propriamente determinante no último terço, esta época apresenta-se muito mais solto, confiante e decisivo. Está a marcar mais golos, surge com maior frequência em zonas de finalização e, sobretudo, revela uma eficácia no remate que o transforma numa ameaça constante à entrada da área.
Mas porque é que o nome do camisola 10 do Liverpool tem soado nas bancadas com mais força do que nunca?
A resposta é simples (e para quem acompanha regularmente os jogos do campeão em título inglês sabe bem o que vou dizer): o disparo de média e longa distância tornou-se uma arma real, e letal, que não só costuma terminar dentro das redes, como também obriga as defesas adversárias a encurtar linhas e a sair da zona de conforto, o que acaba por beneficiar todo o coletivo e, em cenários reais, determinar o rumo do jogo.
A verdade é que Szoboszlai sempre foi uma peça essencial da “Slot Machine”, mas ia passando algo despercebido porque cumpria a função e pouco mais do que isso. No entanto, esta época, e principalmente os últimos jogos, vê-lo jogar tem sido como assistir a um espetáculo.


A principal mudança da época passada para a atual pode estar, também, no contexto tático e na maturidade competitiva. Szoboszlai joga agora com maior liberdade ofensiva, aparece mais vezes entre linhas e pisa terrenos que na época passada eram ocupados quase exclusivamente pelos avançados. Golos como o livre direto impressionante contra o Arsenal, a verdadeira bomba de 30 metros que garantiu a vitória e colocou toda a gente com as mãos na cabeça, passaram a ser mais do que simples momentos isolados e tornaram-se um sinal claro desta mudança.
Nota-se também uma evolução na tomada de decisão. Fruto de mais um ano na casa dos Reds, agora nota-se que sabe quando deve rematar, temporiza quando precisa de esperar e assume responsabilidades nos momentos de maior pressão, algo que o distingue entre a restante comitiva atual de Arne Slot.
A verdade é que estamos a presenciar não só uma evolução técnica e tática de um jogador, como um aproximar perigoso e competitivo ao trabalho realizado pelos avançados do Liverpool, como Mo Salah, que tem deixado a desejar. Muitas vezes é ele quem desbloqueia jogos fechados com um remate exterior ou uma entrada surpresa na área, oferecendo uma alternativa diferente à jogada.
Além de que é praticamente impossível esquecer que foi ele a transformar um penalti decisivo em Milão para selar uma vitória importante na Champions League e tem sido frequentemente eleito «Player of the Match» pelos adeptos mesmo à frente de nomes tradicionalmente mais conhecidos.


Por isto, e com certeza muito mais, tornou-se um canivete suíço dos Reds e acrescenta algo que poucos avançados conseguem garantir, pelo menos com a mesma consistência, como a capacidade de construção e a qualidade na bola parada.
Este “novo” Szoboszlai está mais adaptado ao ritmo da Premier League, mais consciente do seu papel e com maior protagonismo nas dinâmicas ofensivas. Hoje não é apenas um médio elegante com bom remate, é um elemento decisivo que marca, cria e assume o jogo, posicionando-se ao nível dos principais finalizadores do plantel e afirmando-se como uma das figuras centrais da temporada.
Resta deixar a questão: será suficiente para tentar elevar o Liverpool ao top 4 da Premier esta época?

