Eden faz da Premier League o seu Jardim

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«Tem a capacidade de chegar ao nível de Ronaldo e Messi? Agora, digo que sim, porque tem tido uma grande evolução». Era isto que José Mourinho, então treinador do Chelsea FC, dizia sobre Eden Hazard em 2014. Desde aquele ano, a sombra destas afirmações tem pairado sobre o extremo belga. Com cada má exibição vêm umas dezenas de comentários a questionar a sua capacidade de chegar às alturas de “CR7” e “LM10”. Além da sua habilidade futebolística, também o seu profissionalismo é colocado em causa. Mas, em 2018/2019, Eden está a mostrar ao mundo que merece ser considerado um dos melhores do planeta.

Vindo de uma família de futebolistas, com pai e dois irmãos mais novos (Thorgan e Kylian, ambos no Chelsea FC) ligados ao desporto, Eden é um extremo diminuto com uma capacidade de drible fora do comum. Tendo chegado ao Chelsea em 2012, vindo do OSC Lille,  desde cedo se afirmou como a figura principal dos blues. Ao longo da última metade de década, tem espalhado magia pelos relvados, mas tem-no feito de forma irregular. Há que realçar a época de 2015/2016, de má memória para o Chelsea e para o belga. O clube de Stamford Bridge, embrenhado numa guerra civil entre treinador (José Mourinho) e jogadores, passou o Natal na zona de despromoção e acabou a época em décimo lugar. Já Hazard marcou apenas quatro golos em 31 partidas. Só nesta época, ao fim de sete jogos, já vai com… seis golos. Retirando esta campanha anómala, observamos que, desde 2013/2014, o extremo marcou sempre mais que 12 golos na liga inglesa. Ainda assim, quando comparamos estas estatísticas com as de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, percebemos que há uma grande distância.

Hazard e o seu toque de bola característico
Fonte: Chelsea FC

E a que se deve isto? Segundo Stan Collymore, ex-jogador do Liverpool, é a uma falta de ambição do próprio e de quem o rodeia. “No seu melhor, é um sonho vê-lo (…) mas podia ser muito mais”. “Se está em forma, joga. Não tem ninguém a puxar por ele na equipa, a obrigá-lo a resolver sempre e não apenas às vezes.”

Esta opinião é congruente até com as intervenções de Eden fora do campo. É tido como um atleta geralmente descontraído, com uma ou outra piada sempre pronta a sair. Naturalmente, o caráter do jogador não é critério para avaliar o seu desempenho no relvado. Mas é interessante ver como esta atitude acaba por se refletir quando Eden tem uma bola nos pés. Joga, sobretudo, para se divertir. Isso é patente quando, tendo duas ou três linhas de passe, prefere enfrentar três ou quatro jogadores da equipa adversária. O seu extraordinário golo contra o Liverpool, no jogo a contar para a Taça da Liga, é um exemplo primordial disto mesmo. Ao analisar a jogada, percebemos que, em pelo menos três ocasiões, Hazard podia ter libertado o esférico. Até quando passa a um colega, no caso Cezar Azpilicueta, corre imediatamente para a ala (quando o mais lógico seria furar pelo meio) para pedir a bola de volta. Porque é isso que Hazard quer: a bola colada às chuteiras. E mostrou o que pode fazer com ela, ao marcar um dos melhores golos individuais do ano.

Hazard, de facto, tem tido muitas razões para sorrir esta época
Fonte: Chelsea FC

Isto é Eden no seu melhor. E, com golos como este, é difícil não compreender a afirmação de Mourinho logo no início deste texto. Se tivesse perdido a bola para Naby Keita ou para Dejan Lovren, estaríamos a falar de um excesso de individualismo. Mas a sorte será sempre um fator no futebol. E ela parece estar do lado de Eden.

A boa fortuna, porém, não é tudo. Em 2018/2019, o belga parece mais focado que nunca. Está a ter o seu melhor arranque de época de sempre, após um Mundial igualmente positivo. Já muito se falou da forma como Maurizio Sarri, novo treinador do Chelsea FC, está a mudar o clube.

Ainda será abordado o papel preponderante que Sarri tem para Eden nesta nova tática. E talvez seja disso que Hazard precisa. De alguém que o potencie e que o motive. Se continuar o seu fantástico momento de forma, poderemos muito bem ver outro baixinho com cola nas chuteiras na próxima cerimónia The Best da FIFA.

Foto de capa: Premier League

Gonçalo Taborda
Gonçalo Tabordahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo vem de Sacavém e está a tirar o curso de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Afirma que tem duas paixões na vida: futebol e escrita. Mas só conseguia fazer uma delas como deve ser, por isso decidiu juntar-se ao Bola na Rede.                                                                                                                                                 O O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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