O ciclo de pesadelo do Manchester United encontra-se preso num limbo entre uma melhoria já há muito esperada e mais um retrocesso, proveniente de uma catadupa de más decisões que remontam à época de 2012/13, a última do lendário Sir Alex Ferguson. Após a saída conturbada de Ruben Amorim, a direção do Manchester United decidiu apostar forte num homem da casa, que conhece o tão falado “ADN United”. Michael Carrick, antigo médio dos Red Devils e adorado pela massa adepta, foi o escolhido para regressar ao papel de treinador interino, com a missão de conduzir um navio que se tem vindo a afundar há já bastante tempo.
À primeira vista, e tendo em conta que a era de Michael Carrick ainda está a começar, os resultados são positivos, com quatro vitórias e um empate em cinco jogos, destacando-se as vitórias frente a Manchester City e ao primeiro classificado Arsenal. Com um futebol expressivo, menos rígido e a apostar num 4x2x3x1, libertando Bruno Fernandes na frente, na sua posição predileta, com um papel com maior expressividade ofensiva. A formação de Manchester tem singrado com a entrada de um novo treinador, fenómeno comum no mundo do futebol conhecido como “new manager bounce”, onde acontece um aumento no rendimento até então visto resultante da entrada de um novo técnico.
E, tal como seria de esperar, a alegria e o júbilo voltaram a Old Trafford. Numa questão de semanas, problemas estruturais do clube que se prolongaram durante anos dissiparam-se e já se festeja o regresso do novo messias, Michael Carrick. Ruben Amorim já faz parte do passado, outro treinador amado por alguns, odiado por outros tantos, vítima da sua teimosia, mas também de uma máquina muito bem montada de pressão mediática e escrutínio, que levaram à sua explosiva conferência de imprensa e consequente despedimento. Ficam as dúvidas sobre quanto do sucesso imediato do treinador inglês se deve a Rúben Amorim, que imprimiu as suas impressões digitais numa equipa que vinha frágil .
Começavam-se a ver melhorias no sistema de jogo do treinador português, a classificação e a prestação dos jogadores assim o mostrava. Amorim encontrou uma equipa apática, desprovida da paixão de jogar pela camisola que envergavam, onde uma sucessão de maus investimentos e gestão de contratos de jogadores levou a um corte abrupto nos gastos e a uma queda de rendimento preocupante. O treinador português não teve a oportunidade de continuar o seu trabalho, mas deixa um legado e uma mentalidade vencedora na equipa herdada por Carrick.
Mediante a consequência vitoriosa de Carrick, fenómeno pouco visto nos tempos recentes, as antigas estrelas do clube, tão críticas do treinadores português, rejuvenesceram e os sorrisos e declarações positivas voltaram. Longe vão os tempos de análise exaustiva, das dúvidas relativas à formação polémica anteriormente utilizada e à inexperiência de Amorim.
Os tempos são de felicidade, os adeptos vibram e sonham com o 14.º campeonato da Premier League. As vitórias tornam-contagiosas, os maus resultados regressam, o clima adensa e os problemas voltam a surgir, questiona-se o treinador (nunca os jogadores), volta-se a demitir o treinador e o ciclo retoma. 13 anos passaram e parece que nada mudou. Carrick pode ser a solução, mas precisa de tempo de adaptação, não da pressão de resultados imediatos. Caso não o tenha, teme-se pelo futuro dos Red Devils que sobreviveram à descida de divisão a época passada. Amorim dizia que os bons tempos estavam a chegar, resta saber se vêm para ficar ou serão passageiros e breves, como de costume têm sido por terras inglesas.

