Özil e mais 10

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“O Özil é único. Não há uma cópia dele, nem sequer uma má. É o melhor número 10 do Mundo. Tornava as coisas mais fáceis para mim e para os seus colegas devido à sua visão de jogo. Todos o querem e nele é possível ver um pouco de Figo e de Zidane”. As palavras são de José Mourinho e foram proferidas aquando da inesperada transferência do médio para o Arsenal, que pagou 50 milhões de euros ao Real Madrid. Melhor descrição não poderia haver. A qualidade do internacional alemão – o jogador com mais assistências no futebol europeu nos últimos anos – veio revolucionar a equipa orientada por Arsène Wenger. Não só pelo que vale individualmente, mas também porque veio influenciar o rendimento de quem joga a seu lado. Uma contratação que eleva os gunners para outro patamar. Nesta altura, são reais candidatos ao título, algo impensável no início da Premier League.

Os fãs do Arsenal bem podem agradecer a Gareth Bale. Afinal, foi a transferência do galês para o Bernabéu que proporcionou a chegada de Özil ao Emirates. Um negócio em que só mesmo os merengues ficam a perder (confesso que gostava imenso que o Arsenal e o Real Madrid se encontrassem na Champions). O craque alemão tem finalmente uma equipa em que o seu talento é verdadeiramente aproveitado – num modelo de posse e não de transições – e em que é a estrela maior. Para Arsène Wenger, que tem vindo ano após ano a perder os melhores jogadores (Fàbregas, Van Persie…), acaba por ser uma recompensa justa. O técnico francês ganhou um artista capaz de executar na perfeição aquilo de que nunca abdicou: um futebol ofensivo e atractivo. Pode novamente provar que é um treinador vencedor (quem não se recorda da fantástica equipa que tinha Henry, Bergkamp, Vieira, entre outros?), que não se limita a potenciar jovens. Tem um conjunto à sua medida, com jogadores criativos e evoluídos tecnicamente.

Özil, o reforço que Wenger tanto ansiava / Fonte: cdn.foxsports.com.br
Özil, o reforço que Wenger tanto ansiava / Fonte: cdn.foxsports.com.br

Só com o decorrer do campeonato poderemos perceber se a profundidade do plantel do Arsenal chegará para o título, mas a verdade é que a chegada de Özil – que já leva 2 golos e 4 assistências – teve um impacto muito positivo no colectivo. Para já, os gunners seguem na liderança isolada da Premier League e afastaram alguns problemas antigos, nomeadamente na defesa. O quarteto formado por Sagna, Mertesacker (a atravessar o seu melhor momento com a camisola do Arsenal), Koscielny e Gibbs tem conseguido manter alguma regularidade exibicional nos últimos encontros, embora continue a ser o sector mais limitado da equipa. Por outro lado, a dinâmica ofensiva, assente em movimentações constantes e futebol ao primeiro toque, continua a ser o ponto forte dos londrinos. E isso explica-se pela enorme qualidade das opções para o meio campo. Aaron Ramsey é a grande revelação da temporada. O galês tem impressionado pela facilidade com que aparece em zonas de finalização, levando já 5 golos marcados. Wilshere, depois de ter sido afectado por alguns problemas físicos, parece determinado em confirmar de vez o seu tremendo potencial. Cazorla, regressado de lesão, promete formar uma dupla infernal com Özil – o espanhol, que na última época actuava sobre o corredor central, vê-se agora “obrigado” a descair para a direita. Tendo em conta que estes três jogadores farão seguramente parte do 11 mais utilizado e que a posição 10 é de Özil, sobra uma vaga, que tem sido ocupada por Flamini, o menino bonito de Wenger. Face à inexistência de um trinco de raiz no plantel, tem sido o francês a desempenhar a posição de médio mais defensivo no duplo pivot. Rosicky e Arteta, jogadores experientes e com um toque de bola fantástico, serão certamente importantes na rotação do plantel. Podolski é uma incógnita, já que tem passado mais tempo na enfermaria do que nos relvados. Ainda há Walcott, Oxlade-Chamberlain (vai estar afastado por um longo período devido a lesão) e o jovem Gnabry, para ir evoluindo. Na frente de ataque, Giroud tem estado em evidência neste início de temporada. Não só pelos golos que marca como também pela facilidade que tem em jogar de costas para a baliza, algo que beneficia o modelo de jogo da equipa. Não existe uma verdadeira alternativa ao francês. Bendtner, a eterna promessa, ainda vai tendo alguns minutos de jogo, e Yaya Sanogo é uma aposta a longo prazo. Resumindo, um plantel com qualidade mas que apresenta algumas lacunas.

Chegou, viu e venceu / Fonte: static-imgs-acf.hereisthecity.com
Chegou, viu e venceu / Fonte: static-imgs-acf.hereisthecity.com

Voltando a Özil, se tivesse aparecido há alguns anos atrás, estaria facilmente a lutar pelo prémio de melhor do mundo. O problema, na perspectiva do alemão, é que agora existem dois jogadores que marcam uma quantidade exorbitante de golos, o que torna impossível para quem quer que seja intrometer-se na luta. Mas não importa. Agora, o “Nemo” tem uma relação de simbiose com o emblema que representa. Deu-lhe capacidade de lutar por títulos. Em troca, tem uma equipa construída em seu redor; é a estrela maior de um conjunto em que, indubitavelmente, é ele e mais 10.

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