Pobre espectáculo, o dos ricos

- Advertisement -

cab premier league liga inglesa

Durante as últimas duas semanas, falou-se de muita coisa em Inglaterra, mas entre o ruído ia sobressaindo um jogo da Premier League que se dizia poder ser decisivo para as contas do campeonato inglês: o Chelsea-City. É certo que, durante este período, ambos os clubes foram escandalosamente eliminados da FA Cup por equipas de escalões inferiores e existiram dois duelos entre os blues e o Liverpool, mas o duelo entre os dois primeiros classificados, separados por 5 pontos e com um fosso igual para o resto da tabela classificativa, era aquele que mais paixão gerava nas discussões futebolísticas um pouco por todo o mundo.

O título poderia ficar decidido ou relançado independentemente do resultado final – em caso de vitória, 8 pontos de vantagem seriam importante folga dos blues para o resto da temporada, mas, em caso de derrota, os 2 pontos de vantagem sobre City seriam distância demasiado curta para se encarar com demasiado optimismo o período referido… já um empate aproximaria, eventualmente, o United e o Southampton do eixo da frente, podendo estas equipas ficar a uma distância de 5 e 3 pontos, respectivamente, na melhor das hipóteses.

Porém, uma certeza parecia emergir deste duelo – teríamos espectáculo garantido. A Premier League oferece-nos jogos bastante entretidos, sejam eles encontros entre equipas do fundo da tabela ou ainda mais entre emblemas do topo da mesma.

sds
A agressividade e a desinspiração marcaram o Chelsea-City
Fonte: Facebook do Man City

Ora, sendo Chelsea e City duas equipas com plantéis alimentados por milhões de euros, orientadas por dois dos melhores treinadores do mundo (e um deles com uma notável vocação ofensiva, e um arsenal respeitável no que a esse aspecto diz respeito) e campeões recentes da prova, seria de esperar que demonstrassem em campo tudo o que o contexto lhes proporcionava.

Mas o que aconteceu foi precisamente o contrário. Um jogo lento, muitíssimo disputado a meio-campo, com um Chelsea extremamente resguardado e um Manchester City inoperante, ficando em evidência o enorme buraco no elo de ligação meio-campo-ataque em ambas as equipas, fruto das ausências de Fàbregas e Yaya Touré, maestros de ambos os conjuntos. O último está ao serviço da sua selecção, na CAN, e, apesar de não estar a assinar uma época fantástica, continua a ter enorme influência na manobra ofensiva dos citizens pela forma como arrasta o jogo ofensivo da equipa de trás para a frente; já quanto à influência do primeiro nos blues, basta ir aos factos para explicá-la: assinou mais assistências na época que corre do que qualquer um dos jogadores do Chelsea nas últimas duas temporadas inteiras.

A ausência de ambos os jogadores está na génese da explicação para o pobre espectáculo, mas, apesar de ser uma justificação factual, não se torna aceitável. Duas equipas que têm os cofres cheios de libras, que lideram aquela que é a liga de futebol mais rica do mundo e que também é considerada, por muitos, a liga mais espectacular do mundo, terão obrigação de ter um plantel com profundidade suficiente para não ficar evidente, da maneira que ficou, a ausência das suas figuras principais. Pobre espectáculo, o dos ricos.

Foto de Capa: Facebook do Man City

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Se a Champions League é a Prova Milionária, o Benfica saiu de Madrid com outras notas

O Benfica competiu contra o Real Madrid, mas voltou a falhar onde e quando não o é possível. Mesmo na vitória na fase de liga, houve oportunidades encarnadas a lamentar que, numa fase a eliminar e diante de uma equipa com o histórico e o historial dos merengues na competição, se pagaram.

João Tralhão responde ao Bola na Rede: «Para qualquer jogador que entre neste tipo de jogos é sempre um ritmo difícil de acompanhar»

João Tralhão analisou a derrota do Benfica diante do Real Madrid. Treinador respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.

Samuel Dahl após a eliminação frente ao Real Madrid: «Eles jogaram bem, mas também estivemos bem em alguns momentos»

Samuel Dahl analisou o duelo entre o Real Madrid e o Benfica. Encontro marcou a 2.ª mão do playoff da Champions League.

José Mourinho com registo para esquecer nas últimas participações na Champions League

José Mourinho já não sabe o que é vencer um jogo numa eliminatória de Champions League desde 2014, quando orientava o Chelsea.

PUB

Mais Artigos Populares

Real Madrid com mão de ferro: já foi pedida a expulsão de sócio a adepto que fez a saudação nazi durante o jogo frente...

O Real Madrid decidiu que vai expulsar um sócio do clube, depois do mesmo ter feito a saudação nazi durante o jogo frente ao Benfica.

Eis o Ranking UEFA depois da eliminação do Benfica na Champions League

O Ranking UEFA já foi atualizado e Portugal não somou qualquer ponto, depois do Benfica ter sido eliminado da Champions League.

Sporting conhece a sua sorte: quando é o sorteio dos oitavos de final da Champions League?

O sorteio dos oitavos de final da Champions League realiza-se na sexta-feira, a partir das 11 horas, na Suíça.