Southampton FC | Ligação cortada sem desvio

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O resultado assume-se como o objetivo máximo de uma partida de futebol. Mais do que certo e sabido. Numa liga imensamente competitiva, de alto a baixo, o estilo de jogo é muito mais do que algo puramente estético. Trata-se de uma reflexão da ideia de jogo pensada, explorada e ensaiada.

Os Saints afirmaram-se solidamente na Premier League. Atravessaram, claramente, há cerca de cinco anos, um auge bem visível: reuniram na sua equipa um excelente espírito: existia um equilíbrio qualitativo notório entre os setores. Coabitaram em sua casa, afinal, craques como José Fonte, Cédric, Graziano Pellè, Tadic e Van Dijk, fundamentais na conquista consistente de pontos. Essa consistência faltou, mas a verdade é que bastou na época transata…

A falta de balanceamento torna a ser notória no decorrer desta época. Ralph Hasenhuttl veio para resgatar o Southampton FC. A dezembro de 2018, sucedendo a Mark Hughes, o primeiro técnico austríaco de sempre a comandar no teto máximo do futebol inglês, pegou no clube do sul britânico a tempo de amealhar os pontos necessários. Primeiro, saiu da zona de descida; e segundo, manteve-se à tona por cinco pontos.

O técnico tinha dados relevantes que lhe conferiam tais dotes. Em 2013, levou o FC Ingolstadt 04 desde o fundo, até ao meio da tabela da 2.ª Liga Alemã; no ano seguinte (2014-15), venceu o 2.º escalão e colocou esse emblema na Bundesliga! Depois, garantiu um sólido 11.º posto, e decidiu não prolongar o seu vínculo. O RB Leipzig apostou em si, e só não superou o inevitável FC Bayern na luta pelo título.

O treinador austríaco pode estar por um fio…
Fonte: Premier League

Tido como um técnico com um curto, mas respeitável historial, a sua experiência até agora em Inglaterra não faz jus aos registos até hoje obtidos. Contudo, verdade seja dita, o plantel do Southampton revela-se pouco equilibrado, na minha visão. Os Saints são (ou tentam ser) uma equipa de contragolpe, que explora nitidamente a velocidade dos atacantes.

Porém, a transição ofensiva é uma clara lacuna não apenas num jogo ou noutro, mas em todos os jogos. A ideia de explorar a saída, onde Redmond trata de explorar a profundidade, não tem dado frutos. O meio campo tem-se ressentido. Os jogadores nessa área tão movimentada e com espaços reduzidos tendem em sentir desconforto ao assumir a posse de bola. No miolo têm entrado em campo Oriol Romeu e Ward-Prowse, jogadores com características mais posicionais do que criativas.

O Southampton, simplesmente, não tem conseguido sequer conduzir uma jogada com autoridade. A maior esperança tem-se depositado em avançados (Shane Long e Danny Ings) com inegáveis qualidades, como a velocidade e espírito combativo, mas a verdade é que a bola ou não chega lá, ou quando chega, o desgaste é tanto que o seguimento do lance não é operado nas condições desejadas.

Como qualquer equipa que jogue à base da organização defensiva e contra-ataque, a ideia de compactar as linhas é requisitada, e no caso dos Saints isso acontece. O pior é sair para o ataque… Como só e apenas esconder a baliza não garante pontos, quando as coisas não saem ofensivamente, é natural que a alma e o ego coletivo esmoreçam.

Este pobre início de época não era perspetivado na pré-época. Foram quatro vitórias e um empate em cinco jogos. Feyenoord de Roterdão e FC Colónia, foram os adversários com maior peso, mas nunca condizente com os oponentes encontrados na Liga Inglesa. Claro que se tratam de jogos meramente preparatórios, porém, muito dificilmente testam uma equipa que é obrigada a saber sair a jogar, pois milita na Premier League.

De forma a evitar o regresso à 2.º divisão inglesa, a ida ao mercado é nuclear. Faltam opções para a zona de ligação, na fase de encadeamento entre meio campo e último terço, nomeadamente no jogo interior. Penso que em termos de alas, a equipa está razoavelmente bem servida, mas com a já anunciada saída de Cédric Soares, a busca de um lateral direito também deve ser efetuada.

O desaire, para ser simpático, frente ao Leicester City FC, foi duro e humilhante. Embora influenciado por uma expulsão precoce, não há argumento que ilibe a equipa nessa sexta feira negra. No fim de contas, a verdade é que só foram perdidos três pontos e o ordenado dos responsáveis nesse dia.

A falta de qualidade na transição ofensiva é factual, e esse fator é um entrave fulcral e incontornável no processo de colheita de pontos na liga mais disputada do planeta. A ida ao mercado emerge, mas em era de chicotadas, não seria de estranhar ver mais um bom técnico abandonar o cargo.

 

Foto de Capa: Premier League

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

 

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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