Troy Deeney: um digno discípulo da “doutrina Vardy”

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O Watford é, tipicamente, um clube sem grandes feitos a nível de primeiro escalão. Pela sua história, grande parte das vezes que chegou ao topo do futebol inglês, logo na temporada seguinte disputava o Championship, e assim sucessivamente. Chegou uma vez à final da FA Cup, tendo saído derrotado (1983/84).

Foi em 2012/13 que se deu a subida que os trouxe novamente à ribalta. Através do play-off, disputaram a final que conduzia o vencedor da mesma à Premier League. Frente a frente, muito curiosamente, com o Leicester (que viria a subir logo na temporada seguinte, e fazer o que todos bem sabemos), a mesmo muito pouco do final, o Watford precisava de um golo para garantir esse mesmo acesso. Sendo uma final a duas mãos, o Leicester, em vantagem (devido ao golo fora), beneficiou de uma grande penalidade já em tempo de compensação. O mais certo seria sentenciarem em definitivo ali o jogo…

Mas o impensável aconteceu: Almunia defende (o penalty e a recarga de Knockaert!), e promove o contra ataque desenfreado dos hornets, que para (absoluto) delírio dos presentes, é finalizado da melhor forma possível por Troy Deeney, encerrando assim um dos jogos mais loucos da história do futebol!

Deeney não teve, propriamente, um início de carreira convencional. Normalmente, os jogadores de alto nível chegam ao dito assim que possível. O percurso atacante inglês é bastante identificável com o passado e presente de Jamie Vardy. Ambos tiveram, certamente, dúvidas e mais dúvidas acerca do seu nível profissional, mas a verdade é que é jogando futebol que se determina o nível que é possível almejar, e Troy Deeney, em quase uma década de Watford, tem razões para se orgulhar bastante, quer por si, quer também pelo clube que representa.

Mas esse mesmo clube também foi compreensivo para com Troy. Pouco depois do avançado perder o pai, foi preso devido a um desacato com jovens. Durante esse período, o jogador afirma que começou a ver as coisas de outra forma, que podia controlar o seu “lado negro”. É ainda hoje acompanhado com o psiquiatra que o ajudou a superar essa fase.

Durante essa fase, o Watford podia muito bem ver-se livre dele, talvez fosse o que outro clube fizesse….

Proveniente de um “clube de bairro”, diz que aos 18 anos pagava para poder jogar futebol, ou seja, não era profissional. Nem, tampouco, sabia se o iria conseguir ser. Detentor de uma personalidade forte, com ar de “bully”, o inglês detém uma qualidade movida pela sua força física, determinação e coragem. Certamente se identifica com o escudo que defende, e carrega, literalmente. É o único jogador da história do clube a ter marcado 20 ou mais golos por época por três anos consecutivos….

Estar ligado, de forma direta, a grande parte da história mais recente do emblema de Ginno Pozzo, não pode ser um mero acaso. A verdade das verdades, é que me parece que com a história que está a escrever no clube, (admitindo desconhecer, ao pormenor, grande parte da mesma) leva-me a crer que terá uma estátua sua edificada junto ao estádio, no futuro, mesmo que não consiga levantar a FA Cup diante do Manchester City.

Foto de capa: Watford

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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