Antonio Conte e Nápoles: será desta a boa campanha do treinador na Europa?

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Muitas vezes chamado pelos adeptos de futebol de league merchant (especialista em vencer campeonatos), Antonio Conte entra numa nova fase com o Nápoles, atual campeão da Série A italiana, que pretende fazer uma campanha muito melhor do que os quartos de final alcançados por Luciano Spalletti há duas épocas. E os adeptos não estão com expetativas irrealistas.

Com uma formação já composta por Scott McTominay e Romelu Lukaku, grandes exemplos do fenómeno renascentista que o futebol italiano proporciona, e as adições de um dos melhores jogadores da Premier League, Kevin De Bruyne, bem como Rasmus Hojlund, Zambo Anguissa e Matteo Politano, o Nápoles tem uma enorme oportunidade de emular os feitos de Kvaratskhelia e Osimhen no âmbito europeu.

No entanto, à medida que o tempo passa e acompanhamos Antonio Conte ao longo dos anos, é difícil prever o que acontecerá exatamente. Se simplificarmos as preocupações acerca da presença europeia de Conte, podemos fazer uma comparação entre jogadores e treinador: Lukaku e De Bruyne têm três finais da Liga dos Campeões nos últimos cinco anos, enquanto Conte tem apenas uma presença nos oitavos de final da mesma competição.

Rasmus Hojlund Nápoles
Fonte: SSC Napoli

Quando os rumores e notícias começaram a surgir acerca da possível saída do italiano de 56 anos, após ganhar o quarto “Scudetto” pelo Nápoles e o quinto na sua carreira em apenas um ano, a comunicação social apontou para a qualificação do clube para a Liga dos Campeões e para o facto de Conte ter mais sucesso, especialmente num grande clube sem competições europeias. Aliás, esta é a segunda vez que Conte ganha um título desta forma (a primeira foi com o Chelsea, em 2016/17).

Muitos lembram-se da campanha abismal de 2015/16 com a Juventus, onde, apesar de não ultrapassar a fase de grupos com o Real Madrid de Ronaldo e Pepe, Galatasaray e Copenhaga (este último classificado e único jogo vencido pela Juve), o técnico levou os “bianconeri” a uma grande conquista da Serie A, com 17 pontos de vantagem sobre a Roma, e 33 vitórias em 38 jogos. E claro que com a saída de Conte para a seleção italiana naquele verão (e simultaneamente o seu efeito europeu), as contratações de Kingsley Coman, Alvaro Morata e Patrice Evra, seriam fundamentais para ajudar a Juventus a alcançar a final da Champions na próxima época. O que leva nos ao segundo ponto, o orçamento.

Nápoles Jogadores
Fonte: SSC Napoli

Se olharmos para questões financeiras, um projeto europeu tem de ser a primeira preocupação de um treinador, especialmente para assegurar um bom recrutamento. Muitos dos problemas que foram cobertos pelos mídia entre o presidente do Tottenham, Daniel Levy e Antonio Conte, foram à base disto. Mesmo assim, isto não significa que o treinador não teve as ferramentas à sua disposição.

Quando voltamos para a segunda temporada da primeira aventura de Conte em Inglaterra, com o objetivo de ganhar a Premier League e ser bem-sucedido na Champions, o Chelsea investiu em Rüdiger, Morata e Zappacosta, jogadores provenientes do futebol italiano, e que Conte e a direção londrina viram um potencial enorme para desenvolver o seu traditional 3-5-2, em vez de jogadores como Griezmann, Adama Traore ou Martial, que surgiam como fortes rumores naquela janela de verão de 2017.

Esta parte do projeto Conte-Chelsea teve um mau desfecho no final da temporada e especialmente na campanha da Champions: Chelsea empatou com a Roma, e apesar de ser favorito para vencer o grupo, perdeu nos critérios de desempate. Com a entrada nos oitavos-de-final no segundo lugar, o Barcelona de Messi, Neymar e Suárez foi o oponente sorteado, e que sem grandes surpresas, eliminou a equipa inglesa na segunda mao no Camp Nou.

Após Di Laurentis, presidente do Nápoles, ter convencido Conte a ficar, apesar das dificuldades encontradas na relação entre dono e treinador com a saída de Khvicha Kvaratshkelia no mercado de inverno, tudo parece estar bem encaminhado, com quatro vitórias e uma derrota na liga. Por um lado, esta é a estreia do Nápoles numa fase de liga, onde ainda vai defrontar Sporting, nesta quarta-feira, Benfica no Estádio da Luz a 10 de dezembro, assim como o Frankfurt, Qarabag, PSV, Copenhaga e Chelsea.

AC Milan Nápoles jogadores
Fonte: AC Milan

Se tudo se confirmar, e tendo em conta os confrontos, o Conte pode confortavelmente chegar ao play-off, mas ainda será um caminho turbulento até aos oitavos de final. Até porque, como já vimos no ano passado, equipas como o Liverpool (grande fase a nível doméstico), que foi eliminado pelo PSG, que veio do play-off de acesso à fase a eliminar, um pouco de sorte tem de estar do lado dos gli azzuri.

Outra situação problemática para esta temporada, tem a ver com a utilização de um 4-1-4-1, uma base que convém para averiguar e depois realizar as habituais metamorfoses, no esquema tático, mas agora servem para manter não só o aspeto defensivo do seu jogo, mas também para valorizar ao máximo as potencialidades de Kevin De Bruyne, num possível 4-4-2, onde Stanislav Lobotka e Billy Gilmour, sacrificam a posição de trinco.

Numa temporada com seis jogos jogados, se o principal tópico de discussão é acomodar uma estrela proveniente da Premier League, a um estilo de jogo mais defensivo, apesar do belga já ter três golos marcados, este parece ser um problema positivo (por agora, uma vez que a reação do belga após ser substituído minutos após marcar contra o Milan suscitou dúvidas na imprensa italiana acerca da relação entre os dois).

Nápoles jogadores
Fonte: Nápoles

Até mesmo a derrota contra o Manchester City fora de casa na jornada inaugural, não trouxe muitos esclarecimentos. Com menos um jogador e uma prestação razoável, durante a maior parte do jogo, num dos maiores palcos fora de casa na competição, como o Etihad, creio que ainda não vimos o que esta equipa é capaz de fazer, e certamente veremos melhor nestas próximas jornadas, especialmente contra o Sporting, nesta terça-feira, onde o Nápoles é um claro favorito.

A única coisa que podemos fazer é esperar para ver se a famosa frase proferida por Conte, numa conferência de imprensa, “I’m a serial winner”, virá a concretizar-se nesta Champions League.

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