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Maurizio Sarri: O ex bancário fumante que dividiu Itália

Gonçalo Miguel Santos · 3 min

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Sem nunca ter jogado futebol profissionalmente, Maurizio Sarri iniciou o seu percurso como treinador em 1990 e em paralelo com o seu cargo executivo no banco deu os seus primeiros passos no desporto rei. Em 2004, Sarri orientava o conjunto da Sangiovannese e alcançou o feito de histórico de promover o modesto clube à terceira divisão italiana, o que despertou o interesse do Pescara em contratar sarri.

Nas épocas seguintes, o homem das 33 táticas, como é conhecido, comandou várias equipas da Serie B e foi entre 2012 e 2015 que mais destaque teve, uma vez que ao serviço do Empoli apresentou um futebol moderno e de grande qualidade para a divisão que disputava. Em 2015 levou mesmo os azzurri à Serie A e deu o maior salto na sua carreira: em junho desse mesmo ano, Sarri foi contratado pelo Nápoles, rendendo Rafael Benítez.

Apesar de Maradona não estar confiante das capacidades de Sarri, a verdade é que o Nápoles mesmo sem nenhuma conquista com Sarri no comando, melhorou claramente a sua posição no futebol italiano, deixando para trás AS Roma, Inter de Milão e AC Milan, o que valeu a Maurizio Sarri um triunfo não como treinador, mas como homem. Tornou-se uma personagem de culto durante a sua estadia em Nápoles.

Funcionando como uma doutrina desportiva, mas com uma forte influência sociopolítica, o sarrismo levou a luta de classes entre o norte industrializado e rico de Itália e um sul mais rural e frágil para o relvado. Em causa estava a tentativa de quebrar a hegemonia da Juventus, feito esse que não foi alcançado, mas o Nápoles de Sarri surpreendeu o futebol europeu e assumiu-se como uma das melhores fases da história do clube.

Chegar às bocas do futebol europeu possibilitou a Sarri uma primeira experiência no estrangeiro e logo no melhor campeonato do mundo. Na temporada passada, orientou o Chelsea FC, numa campanha que não foi de sucesso com várias dificuldades dentro e fora do campo, mas que trouxe algo muito valioso ao treinador italiano: o seu primeiro título enquanto treinador profissional – a conquista da Liga Europa.

Reconhecido por todos como uma época não conseguida, era certo e sabido que Sarri não continuaria no Chelsea. Porém, a grande surpresa chega quando é desvendado o seu próximo clube.

“Se não os consegues vencer, junta-te a eles”, já diz o velho ditado…

Assim foi, com mais ou menos escândalo, Sarri será o treinador da Juventus em 2019/2020.

Esta novidade caiu que nem uma bomba no futebol italiano sobretudo junto dos membros fundadores do sarrismo, que não se inibiram de comentar a situação:

“O treinador prevaleceu sobre o homem e matou o comandante. Se Sarri traiu alguém, foi a si mesmo. Fica a dúvida se ele era mesmo uma personagem antissistema porque o sistema não o aceitava, ou se ele era porque ele não aceitava o sistema. Pois quando teve hipótese, não apenas aceitou, como casou-se com o sistema”.

Fonte: Sarrismo – Gioia e Rivoluzione

Curiosidades e polémicas à parte, Sarri está determinado em dar continuidade ao poderio da vechia signora e conspiram-se já algumas mudanças que o treinador poderá implementar em Turim.

A imprensa italiana dá como certo que Cristiano Ronaldo deve tornar-se CR9, não na camisola, mas talvez no campo. Sarri pondera colocar o internacional português no centro do ataque, restando se apostará em Ronaldo como um avançado mais móvel em conjunto com Icardi (ou Mandzukic) ou como um ponta de lança fixo.

Além de ter interrompido as férias de Cristiano Ronaldo para falar com o craque acerca das suas ideias para a Juventus, Sarri elaborou uma lista de jogadores dispensáveis e é grande a suspeita de que João Cancelo integra esse conjunto.

Maurizio Sarri é sem dúvida um homem de personalidade irreverente e que no futebol só peca pelo fraco palmarés. Apresenta-se bastante empenhado e com desejo de sucesso pelo que será certamente interessante acompanhar a próxima temporada da Juventus FC.

Foto de Capa: Juventus

Gonçalo Miguel Santos

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