Toquem os sinos: é o fim para CR7!

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É um tempo feliz para os arautos da desgraça de Cristiano Ronaldo. O craque português ainda não marcou um golo na Serie A, mesmo após três jornadas. Há que realçar que “CR7” marcou no seu primeiro jogo em casa tanto no Sporting como no Real Madrid, enquanto no Manchester United, com 18 anos, precisou de seis semanas. Assim, seria de esperar que o melhor jogador do mundo, após passar nove anos num clube e se transferir para uma nova liga, marcaria dentro das primeiras três semanas da época. E, como é óbvio, o seu insucesso nesta demanda significa, inevitavelmente, o final da sua carreira no topo do futebol.

Agora deixemo-nos de ironia: é verdade que este início de temporada não está a correr de feição novo número 7 da Juventus. E ninguém está mais frustrado com isto do que o próprio jogador. A sua reação após desperdiçar uma oportunidade de ouro no jogo contra a SS Lazio valeu-lhe algumas críticas. Isto porque, apesar de o seu colega de equipa, Mario Mandzukic, ter acabado por fazer o golo, Cristiano mostrou-se insatisfeito por não o ter conseguido. Egoísmo para uns, vontade de vencer para outros. Mas certamente há de ter passado pela cabeça de Cristiano Ronaldo qualquer coisa como «pronto, lá vão eles dizer que eu não consigo marcar em Itália e que estou acabado».

Fonte: UEFA

E foi assim que aconteceu: após o último jogo da Juventus, frente ao Parma, no qual Ronaldo ficou novamente em branco, a imprensa desportiva italiana começou a apontar-lhe o dedo. “O português desilude e não marca”, lia-se na capa do Corriere Dello Sport. Este súbito desdém contrasta – e de que maneira – com o entusiasmo que acompanhou a chegada do lusitano a Turim.

Blaise Matuidi saiu em defesa do seu colega de equipa, afirmando que Ronaldo «é um grande jogador e vai marcar eventualmente». Perante isto,  jornal espanhol AS publicou uma notícia com o título “Juventus vai ajudar Ronaldo a quebrar o seu enguiço na Serie A – Matuidi”. Isto levanta uma questão: que enguiço? Estar três jogos sem marcar um golo, mesmo para um jogador com os padrões de Cristiano Ronaldo, não é estar perante um enguiço. Aliás, na época passada, em consequência de uma suspensão na Supertaça Espanhola, Ronaldo falhou os jogos iniciais da época e só marcou na oitava jornada do campeonato. Acabou por fazer 27 golos em La Liga, a juntar aos 13 na Liga dos Campeões. E nas nove épocas que esteve no Real Madrid – de 2009/2010 a 2017/2018 -, o seu primeiro golo no campeonato veio nas seguintes jornadas, por ordem cronológica: primeira; quarta; segunda; terceira; terceira; primeira; terceira; terceira; oitava. Há ainda a ter em conta a agravante de estar perante defesas muito mais robustas e o facto de Allegri ainda estar à procura de um sistema que o consiga acomodar, tirando partido das suas qualidades e das de Paulo Dybala, outra peça fulcral que ainda está por marcar esta época.

Fonte: Manchester United FC

E não nos podemos esquecer dos inícios de época mais lentos que “CR7” tem tido. Não é por acaso: por muito nos faça pensar que não, Ronaldo já tem 33 anos. Já não está no suposto pico físico de um jogador profissional. E, ao longo das últimas épocas no Real Madrid, trabalhou juntamente com Zidenine Zidane para ultrapassar isto. Tornou-se num jogador de área, mais próximo de um 9 do que de um 10, e poupou-se nas fases iniciais da temporada, para depois ser decisivo no seu término, não só no campeonato mas também na Liga dos Campeões. E todos os anos, esta poupança, que tantos resultados tem dentro de campo, sai-lhe cara fora dele: lá vão saindo os críticos de ocasião, dizendo que é desta que ele está acabado, que passou o seu pico, que já não vai atingir os números astronómicos a que nos habituou. E no fim, acaba por atingir números astronómicos.

De qualquer maneira, os tais arautos da desgraça ficaram satisfeitos com o primeiro parágrafo deste texto. Esperemos que não tenham lido o resto e que também não se sentem para ver Cristiano quando este, inevitavelmente – como a morte e os impostos -, fizer os adeptos bianchonero saltar das cadeiras e gritar, em uníssono, SIIIIIIIIIIII. Quer isso aconteça na quarta, na quinta ou na oitava jornada. Há coisas que nunca mudam.

Foto de Capa: FIFA

 

Gonçalo Taborda
Gonçalo Tabordahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo vem de Sacavém e está a tirar o curso de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Afirma que tem duas paixões na vida: futebol e escrita. Mas só conseguia fazer uma delas como deve ser, por isso decidiu juntar-se ao Bola na Rede.                                                                                                                                                 O O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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