Axel Witsel: O pêndulo a meio campo da «Favre» amarela em Dortmund

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Juro que é sem qualquer propósito que escrevo sobre ex-jogadores do SL Benfica e serão as últimas linhas que escrevo na primeira pessoa neste texto, mas Axel Witsel de certeza que deixa saudades na Luz. Pelo menos dentro de campo, pois já fora dele ninguém se deve ter esquecido da maneira como o médio belga deixou os «encarnados». Dinheiro russo falou mais alto, seguiu-se o chinês e agora está na Alemanha certamente a receber bem menos, mas a jogar mais e melhor futebol. Pode ter sido um plano de carreira feito pelo próprio jogador.

Alguns anos depois, o futebol agradece sem rancor a tardia chegada de Witsel a uma grande liga europeia. Ainda tem muitos anos de futebol nos pés aos 29 anos, logicamente, mas a valia do jogador podia ter sido alavancada depois da passagem em Portugal entre 2011 e 2012. Foram quatro temporadas e meia na Rússia, ao serviço do Zenit S. Petersburgo, e duas na China, no Tianjin Quanjian. Chegou a Dortmund para vestir a camisola do Borussia por ‘apenas’ 20 milhões de euros, valor de relevo para os cofres da equipa orientada por Lucien Favre.

Muitos já consideraram que esta foi a melhor transferência da temporada (qual Ronaldo na Juventus, qual quê, não é?). De facto, a contratação do médio belga foi cirúrgica e crucial para a estratégia do Borussia Dortmund que pretende solidificar a sua posição como candidato à conquista do campeonato aparentemente eternamente conquistado pelo rival Bayern Munique. No entanto, não basta só jogar um futebol irreverente, dominado pela velocidade e procura constante pelas incursões das principais armas da equipa.

Até nos festejos dos muitos golos já marcados pelo Dortmund, Witsel transmite segurança
Fonte: Borussia Dortmund

Axel Witsel é de facto um pêndulo neste Dortmund. Equilibra a equipa, organizando os colegas na defesa e transmite confiança para o ataque. Não é costume ser o belga a definir os últimos passes para o golo, isso está para o atual rei das assistências, o jovem Sancho. Witsel é quem temporiza as incursões da equipa para o ataque, dando primeiro prioridade à posse da bola. Muito forte nos passes curtos – muitas vezes com mais de 90% de entregas de bola efetuadas com sucesso – no drible de um ou dois adversários e passe imediato para outro elemento adiantado no meio campo ou nas alas: novamente Sancho, Marco Reus ou Pulisic. O médio belga costuma funcionar no terreno ao lado do médio dinamarquês Thomas Delaney ou do jovem alemão Mahmoud Dahoud.

Resistência também é um factor a ressalvar, pois Witsel joga quase sempre durante 90 minutos, bem como dados estatísticos revelarem que o belga também tem números notáveis nos capítulos do desarme, interceções (ambos com 1,3 por jogo) e duelos aéreos (2,1 por jogo). Golos já são três esta temporada.

Após dez jornadas da Bundesliga, o Borussia Dortmund é o atual líder da classificação com 24 pontos, 30 golos marcados (o melhor ataque) e 10 sofridos (a segunda defesa menos batida, o Leipzig tem 9). Não tem nenhuma derrota no campeonato.

Na próxima jornada segue-se o embate escaldante frente ao Bayern Munique. Mas antes, na Liga dos Campeões, onde os amarelos de Dortmund também estão invictos, há uma visita ao Wanda Metropolitano, a casa do Atlético Madrid, equipa que já cilindrou por 4-0 na última jornada. Se Witsel joga, a equipa joga bem.

Foto de Capa: Borussia Dortmund

Artigo revisto por: Jorge Neves

Francisco Correia
Francisco Correiahttp://www.bolanarede.pt
Desde os galácticos do Real Madrid, do grandioso Barcelona de Rijkaard e Guardiola, e ainda a conquista da Liga dos Campeões do Porto de Mourinho em 2004, o Francisco tem o talento de meter bola em tudo o que é conversa, apesar de saber que há muitas mais coisas que importam. As ligas inglesa e alemã são as suas predilectas, mas a sua paixão pelo futebol português ainda é desmedida a par com a rádio. Tem também um Mestrado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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