Lahm: O fim uma história de amor

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7 Bundesligas, 6 Taças da Alemanha, 1 Taça da Liga, 3 Supertaças alemãs, 1 Champions, 1 Supertaça europeia, 1 Campeonato do Mundo de Clubes e 1 Campeonato do Mundo de Seleções. Poder-se-ia pensar que fosse o palmarés de qualquer clube do mundo, juntamente com a seleção do seu país. Mas desengane-se quem pensa assim, isto são “só” as conquistas de um ícone do futebol moderno, que está prestes a deixar mais pobre a modalidade, de seu nome Philipp Lahm.

Em 2005/2006 Felix Magath viu nele capacidade para o colocar a jogar com regularidade na equipa principal do Bayern de Munique e, desde então, treinadores como Hitzfeld, Van Gaal, Heynckes, Guardiola ou Ancelotti não abdicaram mais dele – tornou-se capitão e foi peça fulcral das muitas conquistas do clube bávaro na última década.

Vinte anos de ligação ao Bayern de Munique, só interrompidos por dois empréstimos ao Estugarda, representam uma história de amor como já existem poucas no mundo dos milhões em que vive o futebol atualmente. Certamente não lhe faltaram propostas de outros colossos ao longo deste tempo, mas a opção foi sempre ficar, envergar com orgulho a braçadeira de capitão que havia conquistado e transmitir a quem chegava ao plantel os valores do clube.

Lahm foi sempre um exemplo a seguir Fonte: FC Bayern
Lahm foi sempre um exemplo a seguir
Fonte: FC Bayern

Apesar do seu 1,70m, é muito difícil de bater defensivamente e tornou-se num lateral com bastante propensão ofensiva, não sendo raras as vezes que aparece na área contrária, onde o vimos a fazer alguns golos de belo efeito ao longo da carreira. O alemão é daqueles jogadores que não sabe o que é jogar mal e que qualquer treinador gosta de ter no seu plantel. Prova disso foi a adaptação  a médio-centro, papel que  Guardiola lhe deu quando o retirou da lateral-direita. Lahm respondeu à altura, com a sobriedade e a qualidade que lhe é reconhecida.

Também na seleção alemã, desde cedo conquistou o seu lugar e chegou às 113 internacionalizações. Foi, aliás, este 1.70m de jogador fantástico que levantou a última taça do campeonato do mundo no Brasil, em 2016, quando capitaneava a seleção do seu país. Respeitado por colegas e adversários, é o protótipo de jogador correto, simples, eficaz, útil, admirado e aplaudido por qualquer campo por onde passe.

Anunciada a retirada do futebol, os espetadores mais atentos pasmam-se, tal é a qualidade e a regularidade que ainda empresta ao futebol. Mas é esta a forma de estar de Lahm, sabe o que fazer e quando fazer na altura correta. Sem grandes alaridos, anunciou que se retiraria no final desta temporada, muito provavelmente com mais uma Bundesliga no bolso e a deixar a ideia que o futebol continuaria a lucrar com a sua presença, mas assim será mais notada a sua ausência. Obrigado, pequeno-grande Lahm, o desporto-rei ficará mais pobre, certamente.

Foto de capa: FC Bayern

Artigo revisto por: Patrícia Nel

João Nuno Aguiar
João Nuno Aguiarhttp://www.bolanarede.pt
Deu o pontapé de partida no mundo do futebol aos 5 anos no G. D. Peniche. Com 14 anos chegou ao Boavista F.C. para integrar as camadas jovens e assistir ao primeiro e único título de campeão nacional do clube portuense. Licenciado em radiologia, trocou o futebol profissional pela saúde, mas manteve a paixão pelo desporto rei, que ainda joga por hobby e que o mantém sempre atento ao que se passa aquém e além-fronteiras.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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