O azar calha a todos, a “fava” é que não

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A corrida à Bola de Ouro tem sido nos últimos anos bastante simples: Cristiano Ronaldo, Messi e alguém. Normalmente esse “alguém” é um jogador de grande qualidade e que realizou uma grande época mas teve o azar de jogar numa época em que existem dois monstros do futebol. A fava já calhou a jogadores como Xavi, Iniesta, Ribéry e, mais recentemente, Neuer.

Este ano a corrida está novamente aberta e Robben parecia estar a correr na direcção certa para ser a “fava”. Com a melhor média de golos de sempre (0,66 por jogo) e com uma influência cada vez mais notória num Bayern em que Ribéry se vai deixando superar, o holandês lesionou-se. Os azares acontecem a toda a gente, mas este veio particularmente em má hora e não só para o extremo holandês.

Um azar que veio na pior altura Fonte: Facebook de Robben
Um azar que veio na pior altura
Fonte: Facebook de Robben

A sua candidatura ao lugar de “fava” pode ficar comprometida, especialmente com uma paragem estimada entre 6 a 8 semanas. Robben vai com certeza perder o ritmo fantástico com que se tem apresentado e quando regressar (já no final da época) pode ver a sua influência diminuída e ser superado no lugar de “fava” por outro jogador. Para o clube bávaro tal lesão em tão grande jogador não podia acontecer em pior altura.

É certo que ao Bayern não faltam soluções, mas Robben era até este momento um dos pilares da equipa. Sinceramente, não vejo ninguém no banco capaz de ser tão desequilibrador e de fazer tão bem a movimentação da ala para a área como o holandês tão bem faz (Shaqiri deve neste momento estar a desejar não ter saído. Finalmente tinha chegado o momento pelo qual tanto esperou). A lesão vem numa altura crucial da época e em que, apesar dos alemães terem a conquista do campeonato praticamente assegurada, não querem deixar escapar a Liga dos Campeões e de vencer a Taça da Alemanha (com certeza que todos têm saudades do épico triplete com Heynckes).

É com pena que vejo Robben a perder a que provavelmente seria a sua melhor época de sempre. Deixa-me triste que grandes jogadores como o holandês não tenham a oportunidade de ser premiados pelo seu grande futebol, mas todos temos azares e o azar de Robben, e de todos os outros jogadores do mundo, foi o de jogar na mesma altura que Cristiano Ronaldo e Messi. Quanto ao Bayern, este pode ser um golpe nas suas maiores aspirações, apesar de terem jogadores como Müller ou Goetze, que podem jogar na ala esquerda, para desenrascar a situação. Espero para ver se Robben volta a tempo de ser a “fava” de Ronaldo e Messi ou se o lugar de “fava” vai para qualquer outro talento do futebol.

Tomás Gomes
Tomás Gomes
O Tomás é sócio do Benfica desde os dois meses. Amante do desporto rei, o seu passatempo favorito é passar os domingos a beber imperial e a comer tremoços com o rabo enterrado no sofá enquanto vê Premier League.                                                                                                                                                 O Tomás escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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