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O fim de uma era em Dortmund

Fernando Gamito · 3 min

O fim de uma era em Dortmund

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Chegou o momento que todos, há uns meses atrás, pensariam não acontecer num futuro tão próximo e que deixará o futebol alemão mais pobre. É o fim de uma era na Vestfália. Jürgen Klopp anunciou emotivamente, em conferência de imprensa, que abandonará o comando técnico do Borussia Dortmund no final desta época. Dá-se, assim, o divórcio de um “casamento” que durou sete anos.

“Kloppo” chegou a Dortmund na temporada 2007/08, proveniente do Mainz 05, e desde então conseguiu reconduzir, após um período conturbado, este gigante europeu de novo à glória e ribalta, não só alemã, mas também europeia, e aos títulos. Pôs em causa o poderio do gigante Bayern de Munique, ao conquistar duas Bundesligas consecutivas (2010/11, 2011/12), três Supertaças e uma Taça da Alemanha. Em contornos europeus, a surpreendente e triunfante caminhada da equipa na edição de 2012/13 da Liga dos Campeões apenas terminou na final da competição, na qual foram derrotados pelos rivais de Munique – que venceram a Bundesliga, a taça e a Champions nesse ano.

O carismático treinador alemão ficou conhecido por conseguir fazer o “impossível” com o pouco que tinha. Não que tivesse pouca qualidade no plantel, mas devido à situação financeira e estrutural do clube, que não proporcionava contratações sonantes, teve que primar pelo desenvolvimento de jovens atletas, tanto da formação como vindos de outros emblemas ainda em tenra idade. E a verdade é que, ainda assim, teve sucesso e fez desses jovens alguns dos melhores jogadores de hoje em dia em todo o planeta. A sua filosofia em muito contribuiu para isso.

Primando sempre por um futebol atrativo, Klopp construiu a imagem de um treinador apaixonado e efusivo pelo desporto-rei, que vive intensamente todos os momentos das partidas, festeja os golos com os jogadores, ri, esbraceja e expressa toda a sua emoção para dentro das “quatro linhas”. Não centra apenas a sua atenção no rigor tático e técnico, mas foca-se primordialmente em termos motivacionais, algo que revela ser determinante para o sucesso individual e coletivo dentro de campo. Potenciou o futebol de alto nível de alguns dos melhores jogadores de hoje em dia, como Mats Hummels, Mario Götze, Robert Lewandowski, Nuri Sahin, Ilkay Gündogan, Shinji Kagawa e, claro, Marco Reus.

O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos Fonte: Facebook do Dortmund
O carismático treinador reconduziu o Dortmund aos títulos
Fonte: Facebook do Dortmund

Os elogios fizeram-se sentir, até que Klopp ressuscitou a “febre amarela”. Os adeptos responderam à evolução da equipa e, nos dias que correm, nenhuma partida no Westfalenstadion conta com cadeiras vazias. O Dortmund pode afirmar que é um dos clubes com os melhores aficionados do mundo, pois é algo que se pode comprovar todos os fins de semana.

Porém, nem tudo é um conto de fadas. E nesta época isso é visível. O futebol do Borussia perdeu encanto, os golos deixaram de surgir tão naturalmente e a bola começou a entrar com elevada frequência na baliza “amarela”. O clube, que já chegou a estar na zona de despromoção do campeonato alemão, segue, de momento, em décimo lugar, algo que não se revê nos objetivos traçados para a equipa. Afastados da Liga dos Campeões nos oitavos de final, a única réstia de esperança passa por uma vitória na Taça da Alemanha, na qual não terá, decerto, tarefa fácil, pois disputará a meia-final da competição com o Bayern de Munique.

Devido à fraca prestação na presente época, Klopp avançou e, em conjunto com a direção do histórico emblema, decidiu que já não era o treinador de que o Dortmund necessitava para voltar aos triunfos e que estava na altura de rumar a outras paragens. “Sempre disse que no momento em que achasse que já não seria o treinador perfeito para este extraordinário clube, o diria. Acredito plenamente que esta é a decisão certa. Ninguém tem de agradecer-me. Ambos os lados investiram muito e tiraram muitos proveitos”, foram as palavras do alemão, que nunca será esquecido pelos dirigentes e pelos jogadores que vestiram o amarelo e preto.

O que se seguirá para Klopp? Ainda não há certezas. O carismático treinador já fez saber que não pretende parar nem tirar um ano “sabático” fora do futebol e Inglaterra alinha-se como destino mais provável para o seu futuro – Arsenal e Manchester City, a viverem tempos menos felizes, são os emblemas mais falados pela imprensa internacional. Certo é que a liga alemã vai perder algo do seu encanto com a saída do técnico de 47 anos. Auf wiedersehen, Jürgen, a Bundesliga sentirá a tua falta!

Foto de capa: Facebook do Dortmund

Fernando Gamito

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