Obrigado, Thomas Tuchel!

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Nem todos os treinadores gozam da estabilidade que, por exemplo, Sir Alex Ferguson viveu em Old Trafford durante a sua passagem pelo Manchester United, onde esteve mais de 20 épocas consecutivas. Nem mesmo os grandes treinadores do futebol mundial. Jurgen Klopp que o diga: esteve sete épocas no Borussia Dortmund, clube que voltou a colocar na ribalta do futebol alemão e europeu, com a conquista de dois campeonatos germânicos e a presença na final da Liga dos Campeões, em 2013. Mas acabou por sair, após uma época desastrosa, que minimizou com a obtenção de um lugar de acesso às competições europeias. Ainda assim, o Borussia teve um péssimo início de época, de tal modo que o pesadelo de uma possível despromoção chegou a pairar em Signal Iduna Park.

Depois do 7.º lugar nessa temporada, o conjunto de Dortmund decidiu colocar um ponto final a uma ligação histórica e de sucesso. Afinal, estavam patentes sinais claros de desgaste em ambas as partes, pelo que o melhor seria Klopp dar um novo rumo à sua carreira, enquanto o Borussia procuraria outra solução para o seu comando técnico. O que muito poucos esperariam era que o clube encontrasse uma solução tão eficaz em tão pouco tempo, sobretudo porque, independentemente do treinador escolhido, este teria que suportar o enorme peso da herança de Klopp.

Uma só época pode ser um período demasiado curto para tirar conclusões sobre um trabalho que deve ser avaliado em termos globais; mas a verdade é que o novo treinador do Dortmund já é – e com razão – muito bem visto entre os adeptos do clube. Thomas Tuchel, à semelhança do seu antecessor, chegou ao Borussia depois de várias épocas – de bom nível – no Mainz, naquela que foi a sua primeira experiência em clubes de topo da Europa. Mas as primeiras conclusões desta sua passagem pelo Signal Iduna Park são, diga-se, bastante positivas.

Thomas Tuchel fez “renascer” o Borussia Dortmund, que havia ficado em 7º lugar na temporada passada. Fonte: BVB Dortmund
Thomas Tuchel fez “renascer” o Borussia Dortmund, que havia ficado em 7.º lugar na temporada passada
Fonte: BVB Dortmund

Além da qualidade do futebol apresentado – que subiu consideravelmente em relação à época passada, e que voltou a entusiasmar a irrepreensível Yellow Wall –, o sucesso de Tuchel é sustentado pelos números da atual temporada do Dortmund. A equipa voltou a assumir a candidatura à conquista da Bundesliga, como comprova o segundo lugar do campeonato alemão, já há muito garantido, e os poucos pontos que o separam do tetracampeão Bayern Munchen. O Borussia tem, de resto, mais golos que a equipa de Pep Guardiola, fruto, sobretudo, de um arranque espetacular de temporada que foi, ainda assim, insuficiente para voltar a chegar ao topo do futebol germânico.

Na verdade, e ainda com um jogo por disputar, Tuchel já fez mais pontos (77) numa edição da Bundesliga do que Klopp em quase todas as suas temporadas no Dortmund; a exceção foi em 2011/2012, quando conquistou o seu segundo título consecutivo pelo clube. E já fez mais 31 pontos que o seu antecessor em 2014/2015. Aliás, se o Borussia vencer o Colónia na última jornada da liga, passa a somar 80 pontos, uma marca que teria sido suficiente para bater o Bayern do ano passado na luta pelo campeonato – um exercício meramente especulativo, mas que serve para perceber a excelente época que o conjunto de Tuchel realizou em 2015/2016.

Dito tudo isto, creio ser de louvar o trabalho desenvolvido pelo treinador alemão em tão pouco tempo, ele que voltou, pelo menos para já, a colocar o Borussia Dortmund nas bocas do mundo pelos melhores motivos. Pela sua história e grandeza, é sempre bom ver um clube desta dimensão lutar por títulos e dar espetáculo dentro das quatro linhas, razão pela qual digo com sinceridade: obrigado, Thomas Tuchel!

Foto de capa: BVB Dortmund

Artigo revisto por: Mafalda Carraxis

Gonçalo Tristão Santos
Gonçalo Tristão Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo tem um gosto tremendo pela escrita e pela atualidade desportiva. Deixa para a lenda do futebol britânico Bill Shankly a árdua tarefa de descrever a paixão que nutre pelo desporto rei: “Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte. Estou muito desiludido com essa atitude. Garanto que é muito, muito mais do que isso”.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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