Sair ou tentar convencer Ancelotti?

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Com apenas 23 anos, Mario Götze já jogou cinquenta vezes pela seleção alemã e disputou centenas de jogos ao mais alto nível por Borussia Dortmund e Bayern Munique, entre eles uma final na Liga dos Campeões disputada, precisamente, pelos dois emblemas germânicos. Apesar da tenra idade, estamos a falar de um atleta com um currículo invejável e já com muita experiência internacional, além de um enorme talento, há muito reconhecido.

Em 2015/2016, porém, as coisas não estão fáceis para Götze. O jogador do Bayern, herói nacional na final do Campeonato do Mundo, em 2014, onde marcou o golo que deu o tão ansiado título à Alemanha, realizou, até ao momento, apenas 15 jogos oficiais pelo clube que bateu a sua cláusula de rescisão no verão de 2013, contratando-o ao Borussia; no total, foram apenas seis as vezes em que completou os 90 minutos de uma partida, algo que não faz desde a receção ao Dortmund, em outubro, onde também marcou o seu último golo.

Números fracos para um atleta desta qualidade, que, verdade seja dita, já passou alguns meses lesionado esta época, ainda que essa não tenha sido a única razão para o seu “desaparecimento” do lote de jogadores mais importantes do plantel do campeão alemão. Antes de perder a maioria dos jogos do Bayern entre outubro e fevereiro, por lesão, o médio já não constava da lista dos “preferidos” de Pep Guardiola, que o havia utilizado em mais de 90 ocasiões nas duas últimas temporadas.

Götze num dos melhores momentos da sua carreira, a dar o Mundial à Alemanha em 2014 Fonte: FIFA
Götze num dos melhores momentos da sua carreira, a dar o Mundial à Alemanha em 2014
Fonte: FIFA

O problema de Götze, além de não ter correspondido nas poucas vezes em que foi utilizado esta época, foi a concorrência de qualidade para os lugares mais avançados do meio-campo do Bayern. Um clube desta dimensão internacional tem, por norma, um plantel apetrechado de atletas com qualidades acima da média, mas não foi isso que impediu um (ainda mais) jovem Götze de se assumir em pleno na Allianz Arena. Mas, nesta época em específico, o “camisola 19” do conjunto bávaro teve de partilhar um dos lugares nas alas ofensivas com os reforços Douglas Costas e Kingsley Coman, a que se juntam Franck Ribéry, Arjen Robben e até Thomas Müller, que também pode fazer a posição. São muitos jogadores de qualidade para poucas vagas, portanto é normal que nem todos possam jogar o tempo por eles desejado.

Sou de opinião – e sei que estou longe de ser o único a pensar assim – que Götze tem lugar em quase qualquer plantel do mundo; e, provavelmente, embora seja sempre complicado entrar no campo do imaginário, seria titular em muitos dos planteis do mundo. Tendo esse fator em consideração, não seria de surpreender que o jogador quisesse sair no final desta época. Aliás, se Carlo Ancelotti, que vai orientar o Bayern a partir de 2016/2017, não contar com o prodígio alemão, será do interesse do próprio clube vendê-lo já este verão, uma vez que o seu contrato termina no final da próxima temporada.

Até se poderia falar num eventual regresso ao Dortmund, mas a “yellow wall” do Signal Iduna Park já mostrou que muito dificilmente aceitaria Götze de volta. Interessados, contudo, não lhe faltarão, certamente.

Foto de Capa: FC Bayern Munique

Gonçalo Tristão Santos
Gonçalo Tristão Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo tem um gosto tremendo pela escrita e pela atualidade desportiva. Deixa para a lenda do futebol britânico Bill Shankly a árdua tarefa de descrever a paixão que nutre pelo desporto rei: “Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte. Estou muito desiludido com essa atitude. Garanto que é muito, muito mais do que isso”.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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