Publicidade

A decadência dos treinadores brasileiros

Renato M. Mendes · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O futebol é um esporte que está em constante mudança, assim como quase tudo no mundo. No Brasil, contudo, algumas dessas mudanças – ou evoluções – sofrem resistências e são assimiladas de uma forma irritantemente gradual. Os modernos conceitos referentes à mentalidade tática das equipes é uma dessas mudanças das quais o Brasil insiste em resistir, por saudosismo, talvez, mas principalmente por conta da acomodação dos treinadores brasileiros, que com raras exceções, têm ideias retrógradas e treinam seus times como se ainda estivessem na década de 90.

Ironicamente – ou infelizmente – alguns dos principais destaques brasileiros à frente de suas equipes ainda são, em maioria, profissionais que se utilizam de métodos obsoletos, mas que no Brasil, acabam tendo sucesso, graças ao baixo nível do futebol no país e, principalmente, à desorganização da Confederação Brasileira de Futebol, que pouco faz para fomentar à modernização do esporte no Brasil.  Desses treinadores – da antiga geração – se destacam os vitoriosos Luiz Felipe Scolari, Abel Braga e Mano Menezes, profissionais extremamente seguros, que não fazem a mínima questão de deixar de lado suas práticas comuns, mesmo que muitas delas estejam ultrapassadas.

Infelizmente é notável que as próprias torcida dos clubes brasileiros são em parte responsáveis por esse atraso tático, pois mesmo reclamando das retrancas previsíveis e imutáveis dos “velhos” técnicos, bastam duas ou três derrotas para que seja pedida a demissão de quem tenta fazer algo diferente. O futebol brasileiro virou um jogo de cartas marcadas onde um seleto grupo de treinadores se alternam nas maiores equipes do país. Um jogo onde o Novo não tem vez.

Abel Braga durante o jogo do Flamengo contra o San Jose                                                                Fonte: Flamengo FC

E tudo isso se reflete na Seleção Brasileira, que tem um treinador “mais do mesmo”, que representa a falência tática do futebol no Brasil. O Tite, chancelado pela omissão da CBF, tem a conivência de uma torcida carente de futebol, que por ingenuidade ou esquizofrenia, ainda acha que tem no país a melhor seleção do mundo.

Há, no entanto, muitos otimistas que acreditam que todas as críticas ao futebol praticado no Brasil são exageradas e injustas e que de uma hora para outra o futebol arte vai ressurgir e vencer toda a modernidade. Apesar de bonita, essa utopia é humilhada toda vez que o Santos de Jorge Sampaoli, com um time tecnicamente fraco e com vários jovens da base, faz jogos mais bonitos, eficientes e consistentes do que todas as outras equipes da série A do Campeonato Brasileiro, incluindo os milionários Palmeiras e Flamengo.

Uma das exceções da triste regra que rege o futebol brasileiro é o treinador Fernando Diniz do Fluminense que, aparentemente, possui ideias diferentes das praticadas no país. Com um estilo de jogo que preza os passes rápidos e a movimentação sem a bola, pode-se dizer que Diniz ousou inovar ao privilegiar a mentalidade ofensiva em detrimento da comum retranca.

Trabalhos como o de Diniz mostram que nem tudo está perdido. Quando no Brasil os resultados imediatos não forem mais importantes do que a qualidade do futebol apresentada pelas equipes, o esporte atingirá maiores patamares e os treinadores poderão evoluir e, quem sabe, o Brasil volte a ter chances de ganhar mais uma Copa do Mundo ou um Mundial de Clubes.

Foto de capa: CBF

Renato M. Mendes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quem trava este FC Porto? | Vitória SC x FC Porto

Se há palavras que ainda não constam no dicionário do FC Porto para o campeonato, essas palavras são empate e derrota. 10 vitórias em 10 jogos fazem dos azuis e brancos a única equipa que ainda não cedeu qualquer ponto na Primeira Liga 2026/27, e por isso lideram a classificação de forma isolada com 30 pontos. Após o primeiro triunfo na Champions League o FC Porto quer continuar imparável nas competições domésticas. O adversário que se segue é o Vitória SC, que parece estar agora a querer reerguer-se, e à procura de recuperar os pontos perdidos. O FC Porto está a ter um registo no campeonato semelhante ao da época passada. Com maior ou menor dificuldade, com boas ou más exibições, a formacão azul e branca lá vai ganhando os seus jogos, alguns deles de forma pragmática. Não é que Francesco Farioli, treinador dos dragões, se importe com isso, pois aposto que prefere ganhar dessa forma em vez de perder sempre com nota artística. E também como na última temporada, a defesa tem sido o setor mais forte. O FC Porto tem apenas quatro golos sofridos em 10 jogos, o que mostra bem as dificuldades que os adversários têm em alvejar com êxito a baliza defendida por Diogo Costa. O onze que o técnico italiano vai apresentar frente aos Conquistadores não vai andar muito longe do que tem sido nas últimas partidas, e pode haver novidades. Oskar Pietuszewski está de regresso à equipa após lesão e poderá ser titular. De fora desta partida vão estar Vasco Sousa, Chris Smalling e William Gomes, todos lesionados.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.