Agora quem dá a bola é Jorge Sampaoli

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O Santos FC anunciou a contratação do renomado treinador argentino Jorge Sampaoli. O experiente técnico de 58 anos chega ao “peixe” com estatuto de treinador de primeira linha. Também não podia ser de outra forma, pois o currículo do técnico é invejável.

Sampaoli destacou-se quando comandou o Club Universidad de Chile, sendo tricampeão nacional. Considerado o melhor técnico do país, foi convidado a treinar a seleção nacional chilena. A expetativa dos adeptos e da imprensa chilena sobre o trabalho do treinador era grande. O Chile sempre foi um rival tradicional para Argentina e Brasil no continente sul-americano, mas nunca conseguiu estar em pé de igualdade com os dois gigantes. Porém, Sampaoli chegou à seleção e soube trabalhar brilhantemente com o “material” que tinha à sua disposição. Soube entender as limitações da equipa e fez um plano de jogo extraordinário para a seleção. O resultado esteve à vista em 2015 com o inédito título da Copa América.

O mundo abriu os olhos para Sampaoli e uma proposta europeia chegou ao treinador, que prontamente aceitou. O seu destino era o Sevilla FC. Nos blanquirrojos, ficou por apenas uma temporada e levou o clube ao quarto lugar da La Liga, atrás apenas dos favoritos FC Barcelona, Real Madrid CF e Atlético de Madrid. O Sevilla de Sampaoli gostava de jogar com intensidade e pressionava o adversário ainda no seu terreno defensivo.

Jorge Sampaoli levou a seleção chilena à glória ao conquistar o inédito título da Copa América de 2015.
Foto: conmebol.com

Entretanto, uma proposta da seleção argentina fê-lo deixar o clube espanhol. A possibilidade de treinar o seu país num Mundial foi considerada irrecusável pelo treinador. Mas o tempo era curto. A Argentina estava muito mal nas Eliminatórias, corria o risco de ficar de fora do Mundial e Sampaoli tinha pouco tempo para colocar em prática o seu modelo de jogo. A classificação argentina para o Mundial aconteceu apenas na última jornada e as atuações da seleção preocupavam. Sampaoli não conseguia fazer com que a Argentina tivesse um padrão de jogo aceitável e a pesada derrota ante a Espanha, por 6-1, num amigável de preparação para o Mundial, anunciava o fracasso que a participação na competição se poderia tornar.

Os três meses que tinha até à prova não foram suficientes para “arrumar a casa” e a Argentina caiu nos oitavos de final. Pior do que ser eliminada foi o futebol demonstrado pela seleção. A seleção parecia um amontoado de jogadores em campo, totalmente desorganizada e sem padrão de jogo. Claro que a culpa pela fraca prestação caiu sobre Sampaoli. Realmente, o treinador não fez um bom trabalho e os onzes e as substituições foram alvos de críticas.

Esta retrospetiva dos últimos trabalhos de Jorge Sampaoli mostra-nos que a sua carreira tem mais pontos positivos do que negativos. Evidentemente, não podemos ignorar o seu trabalho na seleção argentina, mas desde que comandou o Universidad de Chile que as suas equipas mostram um futebol bastante interessante. Espera-se que o treinador tenha sucesso no Santos. No entanto, vai precisar de se habituar ao famigerado calendário e entender que, em pausas internacionais, o futebol continua. Vai ter que estar preparado para o campeonato estadual – vencê-lo não será nenhuma grande conquista, mas perdê-lo será quase uma tragédia. O Santos também arrisca em contratá-lo. Afinal, o treinador assinou por dois anos e o seu salário gira em torno de um milhão de reais (pouco mais de 225 mil euros). É muito pesado para um clube que está numa situação financeira delicada.

O plantel também precisa de ser fortalecido. Após a saída de “Gabigol”, a equipa perdeu muito do seu poderio ofensivo. Manter Bruno Henrique e reforçar o setor será imprescindível. Se Sampaoli conseguir fazer funcionar a equipa santista em campo, pode fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, na Copa do Brasil, e até lutar pelo título. O ano de 2019 precisa ser de recomeço na vila mais famosa do mundo. Reestruturar o clube e o plantel para que num futuro próximo os frutos sejam colhidos.

Foto de capa: Santos FC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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