Brasil de portas abertas aos técnicos estrangeiros

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O Flamengo anunciou a contratação do treinador português Jorge Jesus. O comandante será o segundo técnico estrangeiro no Brasileirão. A chegada de Jesus ao time mais popular do Brasil apenas ratifica que os clubes da elite brasileira estão voltando mais as suas atenções para os profissionais de fora. A “mesmice” parece ter cansado e a procura por novidade aumenta a cada dia. O futebol brasileiro passou por muito tempo com uma roda viciosa entre os treinadores de mais renome.

Em um período mais recente também surgiu uma nova safra de técnicos. Geralmente jovens estudiosos do futebol que chegam a se profissionalizar e mantem discurso do chamado futebol moderno. Porém, a chegada dos estrangeiros ainda é vista com certo temor para muitos treinadores brasileiros. O argentino Sampaoli vem fazendo um bom trabalho a frente do Santos ao mostrar uma nova maneira da equipe jogar, mesmo tendo em suas mãos um time com certas limitações. Mas esse trabalho parece ter incomodado o experiente treinador Levir Culpi. Em uma participação a um programa de TV, Levir ironizou o sucesso de Sampaoli:

– Eu só sei quem vai ser o próximo técnico da seleção brasileira: o Sampaoli. Por dois motivos: ele é tatuado e ele anda de bicicleta. Ah, além de tudo ele é argentino. Esse é o futebol brasileiro hoje – argumentou.

– Você quer algo novo, tem vários técnicos brasileiros bons, mas a gente só olha para o que tem fora. Tem um ódio aos brasileiros. É quem vem de fora que vai resolver – completou.

Vale lembrar que Levir Culpi, que outrora já foi um dos maiores técnicos do país, fracassou em seu ultimo trabalho ao deixar o Atlético Mineiro eliminado ainda na Primeira Fase da Libertadores e sem que o time tenha um padrão de jogo definido. Na verdade o Galo não tinha nada em campo, além de certas qualidades individuais dos seus principais atletas.

Mas esse foi apenas um exemplo da certa resistência dos técnicos brasileiros a novidade da chegada dos treinadores estrangeiros. A chegada de Jesus ao Flamengo precisa ser vista com bons olhos. É verdade que o treinador não tem mercado nos maiores clubes do velho continente, mas isso não o minimiza. É verdade, também, que o treinador precisaria de um tempo para se adaptar ao futebol brasileiro, entretanto não terá esse tempo.

A torcida flamenguista exige um grande título já para a atual temporada, ainda mais com o elenco qualificado que o clube possui. Trabalhar no Brasil é bem diferente do que trabalhar na Europa. No país pentacampeão mundial nenhum treinador de grande equipe dura se não for campeão, mesmo se o trabalho estiver sendo bem realizado. Certo amadorismo ainda impera na cabeça de alguns dirigentes que não sabem o que querem de fato para o futebol do seu clube. Isso envolve até as escolhas dos treinadores.

Fonte: Flamengo

Contratam apenas por contratar, sem analisar o perfil. Como o próprio Flamengo fez nessa temporada. Tentou contratar o Renato Gaucho, que recusou, e contratou o Abel Braga. Dois treinadores com estilos bem diferentes. Agora demitiram o Abelão para contratar o Jorge Jesus, novamente uma troca de estilos gigantesca. Jesus é estratégico, estudioso e gosta de jogar ofensivamente. Chega em um momento crucial e as expectativas são as melhores para que o futebol do Mengão evolua.

O futebol brasileiro precisa evoluir e a chegada dos estrangeiros apenas contribuem para isso. O mais importante é sair do pedestal de achar que por ser brasileiro o profissional é melhor que todos os outros. Quanta bobagem. Não é a nacionalidade que define a capacidade de alguém e no futebol essa mistura apenas fará ganharmos mais experiências e termos mais conhecimentos.

As portas do futebol brasileiro estão abertas para os melhores, que cheguem cada vez mais.

Foto de Capa: Santos FC

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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