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Club Atlético de Madrid 1-0 FC Bayern de Munique: Vitória de quem leva facas entre os dentes

Pedro Machado · 4 min

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Ontem assinalaram-se 113 anos de existência do Club Atlético de Madrid, hoje a equipa de futebol fez questão de brindar o clube com um triunfo histórico ao bater o Bayern de Munique, no Vicente Calderón, por 1-0. Ou melhor, os jogadores terão oferecido a si mesmos a vitória, porque eles próprios se confundem com o clube, absorvendo, por cada poro, a mística rojiblanca, hoje mais orgulhosa que nunca, vingada que está a derrota na final da Taça dos Campeões Europeus de 1973/1974 (1-1 e 0-4 no jogo de desempate, favorável ao Bayern de Munique).

Levaram para o campo o espírito embutido por Luís Aragonés (marcou o golo colchonero na tal final) e amplificado por Diego Simeone, assente na crença de que se pode fazer melhor que o outro, mesmo que ele seja melhor. Porque se há coisa em que qualquer homem pode bater outro é na vontade e na fé. E foi nesses pilares que se construiu a superiorização deste Atlético sobre um “senhor” Bayern.

O início do jogo denunciou o espírito do Atlético. O ambiente do Calderón era infernal e a forma como a equipa condicionava, de forma diabólica, a circulação do seu adversário (estavam sempre dois homens sobre o portador da bola, estivesse ela onde estivesse, num esforço) faziam-no duvidar de si mesmo, não criando qualquer oportunidade de perigo durante esses minutos iniciais.

Talvez apático, quiçá intimidado, pela atitude do seu adversário e pelo meio que o rodeava, o Bayern achou-se passivo durante esses primeiros instantes, ilustrando-o na forma como não conseguiu contrariar a cavalgada mágica de Saúl Ñiguez- pegou na bola no início do meio-campo do Bayern, ultrapassou Thiago Alcântara, ziguezageou entre Bernat e Javi Martínez, driblou Alaba e fez a bola aninhar-se onde só podia- juntinho ao poste da baliza defendida por Neuer. 1-0 para o Atlético.

O Bayern tentou reagir, mas tinha as linhas de passe bastante condicionadas. Entrar na àrea madrilena parecia ser tarefa mais difícil que enfiar um elefante dentro de um lata de coca-cola. Só obra de mágicos poderia fazê-lo… mas os do Bayern estavam desinspirados, e assim continuaram até ao início da segunda parte.

A pressão do Atlético, sufocante e desgastante, para o adversário… e para si. Não podia durar para sempre, e a equipa foi forçada a encurtar o espaço do terreno que abrangia de forma a gerir o esforço. Ora, isto permitiu que Thiago Alcântara tivesse mais bola (coisa que no primeiro tempo não teve, fruto do tal posicionamento colchonero). Um dos mágicos  tinha agora o que fazer, ou pelo menos servia de distracção, permitindo que os colegas tentassem a sua sorte. Foi assim que Alaba penetrou pelo meio-campo colchonero (aproveitando o espaço deixado pela marcação feita ao hispano-brasileiro), até disparar um foguete do meio da rua, que terá amolgado a barra da baliza de Oblak e ainda a fortaleza colchonera, que passou a ser mais vulnerável momentos após esse lance, com Javi Martínez (de cabeça) e Lewandowski (isolado) a disporem de boas ocasiões para empatar.

Não resultou, Pep Guardiola decidiu tirar Thiago, e o Bayern parece ter caído. O Atlético, depois dos sustos, recompôs-se e, com manha misturada entre a industrial dose de agressividade que empresta ao jogo, voltou a entrar na cabeça do adversário, relembrando-o onde estava e quem enfrentava. Só Vidal, primeiro num tiro potente, de longe, e mais tarde, num remate torto e enrolado, de perto, conseguiu esboçar uma reacção do lado alemão.

Simeone merece que se lhe atribuam os louros desta vitória Fonte: Atlético de Madrid
Simeone merece que se lhe atribuam os louros desta vitória
Fonte: Atlético de Madrid

Fora isso, tudo controlado para o Atlético de Madrid, que até podia ter ampliado a vantagem, num lance de contra-ataque no qual Griezman ganha a bola no meio-campo rojiblanco, penetra a defensiva bárbara em velocidade, descobre excelente movimentação de Fernando Torres, que desfere uma belíssima trivela… travada pelo poste da baliza de Neuer.

Ficou tudo na mesma. Um 1-0 que premeia quem mais se entregou ao jogo, entrando num modo “faca-nos-dentes”, completamente focado na primeira batalha do acesso à final da Liga dos Campeões, como se de a própria vida se tratasse.

Festejar-se-à, agora, mas não por muito tempo. Tal como ontem não se festejaram, em demasia, os 113 anos do clube. Estes guerreiros levam isto da competitividade e do futebol muito a sério. Como devem ser.

A Figura:

Diego Simeone – O treinador do Atlético de Madrid fechou todos os caminhos possíveis e imaginários ao Bayern de Munique na primeira parte, e isso, só por si, já merece referência. Mas o dedo de Simeone vai muito mais além: passa pela forma destemida e crente com que os seus jogadores abordam cada lance, pela faceta de “chefe-de-claque” que ajuda o Calderón a tornar-se um autêntico pesadelo para os seus adversários, e, claro, pela forma como, harmonicamente, soube gerir o esforço dos seus atletas (apenas precisou de uma substituição!), na forma, variada, como alterou entre a pressão intensa à saída de bola, “esticando-se” no terreno e o “encolhimento” de linhas, numa altura em que a equipa acusava menor frescura física.

O Fora-de-jogo:

 Juan Bernat – É difícil escolher um elemento de menor rendimento num jogo como este. Calha a fava a Bernat pela passividade no golo dos espanhóis e por se ter revelado um dos mais “amedrontados” pelo ambiente.

Pedro Machado

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