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Club Atlético Madrid 2-2 Juventus FC: Pragmatismo italiano não chegou para vencer sangue “Colchonero”

Filipe Carvalho · 5 min

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Duelo de grandes europeus, no arranque da primeira jornada do grupo D da Liga dos Campeões. Duelo entre a “Juve” de Cristiano Ronaldo e o Atlético de João Félix. Desta vez, deu empate, duas bolas a duas. Mas ficamos com água na boca para o próximo confronto.

É também um confronto de estilos, no que aos técnicos diz respeito. Simeone é sinónimo de raça, ambição, verticalidade e contra-ataque, num jogo em que “todos atacam, todos defendem”. Do outro lado, está uma velha raposa do futebol italiano, Maurizio Sarri, que privilegia bastante o controlo do jogo com bola e segurança em todas as ações. Dinâmicas diferentes, mas em busca do pragmatismo por que ambos são conhecidos.

Apito inicial, e como seria de prever, a Juventus a querer controlar. Predominava a paciência dos italianos na construção, perante onze “Colchoneros” atrás da linha da bola. A meu ver, melhor processo que a “Juve” da época transata. Jogavam sem ideias, agora são mais rápidos na circulação e em termos de criatividade.

O primeiro lance de perigo saiu dos pés do “menino 120 milhões”, que invadiu o meio campo contrário numa jogada de “Félix contra o mundo” (10’). O contra ataque que os caracteriza…

Era impressionante o domínio do Atlético Madrid. A pressão, a circulação rápida e os cruzamentos venenosos. Ganharam a maioria dos duelos e, por momentos, fizeram a Juventus parecer uma equipa banal.

A espaços, os homens de Turim, tentavam sair de lá de trás. Mas faltava ali um elemento que fizesse a ligação entre o meio campo e o ataque… Faltava um “10”… Talvez um Dybala… Não dava por dentro, tentavam por fora: Pjanic, aos 35’ ameaçou com um remate que poderia ter traído Oblak. Aos 40’, Ronaldo, após cruzamento, cabeceou à figura do esloveno.

Na ida para os balneários, o placar mantinha-se a zeros. Primeira parte intensa e entusiasmante, mais pelo que foi feito pelos “Rojiblancos”. Um Atlético voraz e ambicioso, perante uma “Juve” na expectativa, sem muita vontade de arriscar. Só faltava o objetivo principal do desporto rei: o golo.

No regresso ao relvado, após assistência de Higuaín, e com toda a gente de olhos postos em Ronaldo, foi Cuadrado a fazer um golaço de levantar o estádio (47’). Oblak nada poderia fazer, senão vê-la a entrar. A Juventus voltou diferente, mais incisiva. Mas se não tivesse cuidado, a base podia ruir. O Atlético no contra-ataque é mortífero.

Podia ter sido o herói improvável, menção honrosa para um dos mais regulares da Juve
Fonte: Juventus FC

O jogo estava mais equilibrado no segundo tempo. Até que, aos 64’, por quem menos se esperava, a “Juve” aumentou a vantagem. Matuidi, na pequena área, disse “sim” para dentro da baliza. Dois a zero, dois marcadores improváveis.

E menos de cinco minutos depois, na sequência de um livre, Giménez ofereceu o golo a Savic, que reduziu. 1-2. Um daqueles golos que dão energia extra.

Já nos últimos vinte minutos da partida, o jogo estava como gosta o adepto comum, e como odeiam os treinadores. Bola cá, bola lá. Perigo constante, quer numa área, quer noutra. Vítolo entrou com vontade de reclamar um lugar no onze, e aos 82’, rematou em esforço para defesa de Szczeny. Dos mais inconformados na segunda parte. Em contrapartida, Félix baixou de forma.

Num momento em que tudo parecia perdido, Herrera, com um toque pouco ortodoxo (meio com a cabeça, meio com as costas) entre os gigantes, fez o empate!

E no último minuto da compensação, Cristiano Ronaldo desperdiçou uma oportunidade como não costuma falhar. Não conseguiu ferir desta vez, uma das suas vítimas preferidas.

Na soma das partes, o empate acaba por ser o resultado mais justo. O Atlético foi melhor na primeira parte, a Juventus foi melhor na segunda.

Os adeptos madrilenos, depositam todas as “fichas” em João Félix. Mas não nos podemos esquecer que apenas chegou esta época, e que os “Colchoneros” têm outros intervenientes de qualidade. A mescla de juventude e experiência, deixa água na boca para os próximos tempos no Wanda Metropolitano. Jogam curto e simples, a um/dois toques, sempre com os olhos na baliza adversária. Destaco ainda, as bolas paradas, como uma grande fonte de perigo.

Por vezes, mais com o coração do que com a cabeça, mas têm potencial
Fonte: Club Atlético Madrid

Se de um lado, estava a juventude e a irreverência, do outro esteve a matreirice italiana e jogo de controle por jogadores mais rodados a nível internacional. Danilo veio acrescentar qualidade à faixa direita da “Juve”. Mas foi Khedira, um dos que mais me impressionou. Aos 32 anos, mostra que está para as “curvas”. Ajuda a construir com maior qualidade, em comparação com a época passada, que pouco jogou. A Juventus só fica a ganhar.

Dos melhores jogos que vi nos últimos tempos, tanto a nível psicológico, como tático, físico e técnico. O futebol é isto: paixão, emoção, golos, suor até ao último minuto. Por entre as conversas de café, ouve-se: “Dá gosto ver este futebol, não é por ser a equipa “A” contra a equipa “B”. É aquele futebol que não dá sono”… Deixou-me a pensar no estado do futebol português…

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

Club Atlético Madrid: Oblak, Trippier, Savic, Giménez, Lodi (Vítolo, 76’), Koke, Saúl, Thomas (Herrera, 76’), Lemar (Correa, 60’), Félix e Diego Costa.

Juventus FC: Szczeny, Danilo, Bonucci, De Ligt, Alex Sandro, Cuadrado, Khedira (Bentacur, 68’) Pjanic (Ramsey, 87’), Matuidi, Ronaldo e Higuaín (Dybala, 79’).

A FIGURA

Fonte: Club Atlético Madrid

Diego Simeone – Muitas vezes acusado de loucura e de colocar nas suas equipas um nível de agressividade excessivo, conseguiu provar ao mundo, que às vezes, a alma de um conjunto, pode desmontar uma formação, a todos os níveis, mais forte. “Mexeu” no onze, nos momentos certos. Vítolo, Correa e Herrera, foram suplentes de luxo.

O FORA DE JOGO

Fonte: Juventus FC

(Coletivo) Juventus – Num jogo destes, é injusto falar de um interveniente que tenha estado pior que os outros. Excelentes executantes, de ambas as partes. Ainda assim, esperava-se melhor por parte da “Juve”. Mais experiente, cerebral e consistente, mas não foi suficiente para segurar a vantagem de dois golos que chegou a ter. Uma equipa que aspira à glória na Europa, não pode “adormecer” assim.

Foto de Capa: Club Atletico Madrid

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Filipe Carvalho

Redação Bola na Rede · ver artigos

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