O sonho de qualquer criança

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Quando somos novos e adoramos futebol, temos vários sonhos. Quase todos queremos pisar O relvado, ouvir O hino, e acabar a levantar O troféu. Todos queríamos ganhar uma Liga dos Campeões. É um dos mais simples sonhos de qualquer miúdo que pegue numa bola aos cinco anos apenas para dar uns remates e acaba a fingir marcar o decisivo golo da vitória.

A maioria de nós, vulgarmente conhecidos como os comuns mortais, apenas assiste à final pela televisão. Mas e se pudesses ver a final? De ora em diante dedico este espaço a partilhar a minha experiência. A de uma pessoa que por coincidência ou obra do acaso acabou mesmo por vislumbrar a final da Liga dos Campeões.

Sexta-Feira. Hora de levantar. A ânsia de voar para Berlim é cada vez maior. O culminar de uma semana que teimava em não chegar ao fim. Num ápice chegava à cidade, a capital mundial do futebol por um fim-de-semana. Uma cidade marcada pela indústria e a fervilhar desporto das suas paredes de tijolo antigo.

Por todos os locais turísticos se viam adeptos do Barcelona e a introspecção começava. Será que no estádio será semelhante?

Sábado. 17:30, hora local. Hora de ir para a festa da final. Primeiro passo: ir para o UEFA Champions League Village, local em que os patrocinadores recebem os seus convidados. No centro encontra-se um pequeno campo com “jogadores” a representar a Juventus e o Barcelona; não tinham mais do que dez anos e estavam com a maior das informalidades. Um pequeno ensaio da final.

Chegou a hora. Dos altifalantes surge uma voz a informar que as pessoas se devem dirigir para o estádio para se dar o início à cerimónia. E é agora que se dá o início de um momento mágico. A chegada ao Olympiastadion. Um portentoso e renovado estádio marcado pela sua história. A chegada à bancada faz-se numa velocidade estonteante, sem problemas e com um grande arrepio na espinha.

Claque da Juventus
Os inseparáveis adeptos da Vechia Signora

À esquerda, os adeptos do Barça. À direita os da Juve. Um ambiente de loucos em que os blaugrana se faziam ouvir mais do que ninguém. Dá-se início à celebração e entra o hino da Liga dos Campeões. Um momento de arrepiar e duas coreografias a condizer de cada lado das bancadas. “Més que un club” era contraposto com um dar de mãos da Juventus, cuja malapata os quis dividir pelo corte arquitectónico do estádio.

Dá-se o apito inicial. Barça entra melhor e não demora muito a colocar-se em vantagem por Rakitic. Ainda estou estático por estar tão perto de 22 jogadores deste calibre. Quando dou por mim, a partida já vai nos 40 minutos. A primeira parte passa a correr e vamos para a segunda. Como é possível já irmos a meio?
A Juventus entra finalmente em campo e empata o jogo. Três quartos do estádio saltam. Não se percebe se é por se tratar da equipa com “menos” hipóteses de vencer a partida, ou se é simplesmente por dar emoção à festa.

Final da Liga dos Campeões
O início do fim da época 2014/15

Luís Suárez decide dar um murro no estômago de Buffon, e volta a colocar o Barcelona na frente. Pirlo leva a estocada final de Neymar. Final da partida. Um misto de emoções. “VISCA EL BARÇA” dava a banda sonora à imagem da noite: Pirlo! Ninguém conseguiu ficar indiferente às lágrimas deste mago. Fica o sentimento que os experientes italianos mereciam mais, pela sua história, pelo que representam. Mas a tripla Messi-Neymar-Suárez assim não o permitiu. Tenho ainda que mencionar Xavi. O fechar de um ciclo, o culminar de uma ligação muito bonita. Outro arrepio na espinha ao ver estes jogadores jogarem, provavelmente, a sua última grande final.

Foi o final do encontro e passou tudo tão rápido. Nada mais há para além desta partida e fecha-se a época 2014-2015. Foi sem dúvida um momento inesquecível, numa final que definitivamente me marcou. Foi o cumprir de um pequeno sonho.

Que o próximo a cumpri-lo sejas tu.

João Martins
João Martins
O João Martins é um apaixonado pela Premier League e pelo Sporting. Diz que a sua maior tristeza é ver os seus clubes favoritos afastados dos troféus principais. Seja em Inglaterra, com o Arsenal, ou em Portugal, com o seu clube.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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