“A única coisa que transcende a existência do ser humano é a sua obra” – Maxim Gorky

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Numa altura em que havia um número considerável de jogadores russos a jogar na liga espanhola, chegou às Astúrias, proveniente do Dynamo Moscovo, um avançado altamente versátil com uma velocidade fora do normal e com uma taxa de eficácia bastante considerável para um jogador com as suas características. Nascido na antiga cidade de Gorky (actual Nizhny Novgorod), este pequeno avançado de nome Dmitri Cheryshev veio reforçar o contingente russo do Sporting Gijón, no qual já figuravam dois internacionais de grande qualidade daquele país do leste da Europa: Igor Lediakhov e Yuri Nikiforov.

Dmitri, actualmente com 46 anos, é a razão pela qual temos hoje no futebol espanhol um futebolista de elevada qualidade como é o seu filho Denis Cheryshev, que completou uma época de elevada qualidade ao serviço do Villarreal por empréstimo do Real Madrid.

Denis Cheryshev – O novo menino de ouro do futebol russo Fonte: Página do VK de Denis Cheryshev
Denis Cheryshev – O novo menino de ouro do futebol russo
Fonte: Página do VK de Denis Cheryshev

Tal como o seu pai, Denis nasceu em Nizhny Novgorod e foi para Espanha com apenas seis anos, quando Dmitri assinou pelo Sporting Gijón, e foi nessa equipa Asturiana onde começou a dar os primeiros toques na bola. Em 2001, depois de cinco anos no El Molinón, Dmitri assinou contrato com o Burgos e o jovem Denis seguiu novamente as pisadas de seu pai. Aos 12 anos de idade, Denis dá o salto para as equipas jovens do Real Madrid, mas mais uma vez não foi sozinho, já que o seu pai, que havia pendurado as botas após uma curta passagem pelo Real Aranjuez, se juntou a ele ocupando o cargo de treinador nas camadas jovens da equipa Merengue.

O pequeno Denis Cheryshev cresceu e foi, aos poucos, tornando-se um jogador de excelência, cujas excelentes exibições não passaram ao lado de Alejandro Menéndez que, na temporada de 2010-11, comandava o Castilla (a fábrica de futebol Madrilista) e que antevia um futuro brilhante para o jovem russo: “Tiene mucho margen de progresión. En los últimos años le faltaban minutos y algo de tranquilidad en su juego y ahora los ha adquirido y tiene confianza. Puede convertirse en un jugador de élite”.

Em 2012, ainda ao serviço do Castilla mas já sob a batuta de um treinador diferente (Alberto Toril), Cheryshev deixou de jogar como avançado, posição que tinha vindo a ocupar até então, e passou a desenrolar o papel de extremo esquerdo. Foi aliás a actuar nessa posição que Denis começou a provar ser um jogador altamente desiquilibrador, fazendo uso da sua velocidade, excelente visão de jogo e finta curta, algo que o tornava num verdadeiro tormento para as defesas adversárias.

O clã Cheryshev – Dmitri e Denis Fonte: Página do Sovsport.ru
O clã Cheryshev – Dmitri e Denis
Fonte: Página do Sovsport.ru

A evolução de Denis não passou ao lado do sempre atento José Mourinho, que convidou o jovem a integrar os treinos da equipa principal do Real Madrid e que o incluiu nos eleitos para a Champions League, após Cheryshev ter marcado um dos golos do Castilla no mini-Classico frente ao Barcelona B nesse ano. Numa entrevista dada a um jornal russo em 2012, Cheryshev não poupou elogios ao treinador português e realçou a forma como este tratava os jogadores mais jovens: “Mourinho no es el mismo que pinta la Prensa. Tengo grabado cómo nos trata a nosotros, los canteranos. Lo hace con todo respeto, sin hacer distinciones entre los jugadores. La primera vez que hablé con él cara a cara creía que el corazón se me salía del pecho”.

A saída de José Mourinho e as ideias algo irrealistas que Carlo Ancelotti tinha para o jogador (o técnico italiano via em Cheryshev uma possível alternativa a Marcelo para o lado esquerdo da defesa Merengue) precipitou a saída, por empréstimo, para o Sevilla em Setembro de 2013. O que começou como uma época promissora terminou numa verdadeira desilusão, uma vez que Cheryshev, por motivos vários, incluindo diversas lesões, não conseguiu deixar a sua marca no Sanchez Pizjuán.

No passado Verão, Cheryshev rumou ao Villarreal, dando assim um passo bastante importante na sua carreira. Contrariando a ideia de alguns que o criticaram por recusar uma proposta tentadora do FC Zenit, o jovem russo pegou de estaca na equipa de Marcelino Toral. O talentoso treinador do Submarino Amarillo soube retirar o melhor do extremo russo que rapidamente se tornou um dos principais jogadores da equipa. Cheryshev marcou quatro golos esta época, um deles em Camp Nou frente ao todo-poderoso Barcelona de Luis Enrique, mas mais importante do que isso foram as nove assistências para golo que fez (apenas Ronaldo e Messi atingiram um número maior). Cheryshev participou em mais de 40 partidas esta época mas uma lesão algo complicada afastou o russo da equipa nesta fase final da temporada. De qualquer forma, o jogador russo assinou uma temporada de alto nível com o Villarreal varrendo para canto todos os seus críticos, que, não há muito tempo atrás, teimavam em apelidá-lo de “flop” e punham constantemente em causa todo o seu valor.

Denis, que de acordo com os meios de comunicação social estará a caminho da Premier League para jogar no Liverpool na próxima época, é um jogador de excepção dentro e fora de campo, sendo descrito por todos como um individuo extremamente educado e, acima de tudo, como um excelente companheiro. O seu pai Dmitri, que em 2011 voltou ao país que o viu nascer para dar continuidade à sua carreira de treinador, corrobora essa teoria e não hesita em realçar todas as qualidades do novo representante do clã Cheryshev: “Es rápido, valiente, técnico, zurdo, con buen golpeo y gran visión de juego. Puede dar último pase. Trabaja muchísimo. Y lo más importante: es un buen compañero”.

Joel Amorim
Joel Amorimhttp://www.bolanarede.pt
Foi talvez a camisola amarela do Rinat Dasaev que fez nascer, em Joel, a paixão pelo futebol russo e pelo Spartak Moscovo. O futebol do leste da Europa, a liga espanhola e o FC Porto são os tópicos sobre os quais mais gosta de escrever.                                                                                                                                                 O Joel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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