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Camp Nou: sonho e pesadelo para Neville

Eduardo Botelho · 2 min

Camp Nou: sonho e pesadelo para Neville

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O Camp Nou tem um sabor agridoce para Gary Neville. Ali viveu o ponto mais alto da sua longa carreira, naquela final da Liga dos Campeões, em 1999, em que o Manchester United bateu o Bayern de Munique, com dois golos marcados já depois do minuto 90. Ali viveu o ponto mais baixo da sua carreira, naquela meia-final da Taça do Rei, ontem, em que o Valencia foi cilindrado pelo Barcelona, perdendo por 7-0.

Se, naquele dia, há quase 17 anos, o Camp Nou se transformou verdadeiramente num Teatro de Sonhos, ontem a noite foi de pesadelo. Neville parecia já antecipar esse cenário, pela forma como escalou a sua equipa, colocando dois laterais em cada ala: Gayà e Siqueira na esquerda, e Barragán e Cancelo na direita. Na frente, retirou Negredo e lançou Rodrigo, esperando que a sua velocidade pudesse ser útil no contra-ataque. O Valencia entrou como equipa pequena e sem qualquer intensidade. Neville entrou a medo e o Barcelona com fome. Busquets engoliu o meio campo e a tripla Messi, Suárez, e Neymar encheu a barriga de golos e a vista dos espetadores.

Foi confrangedor ver Gary Neville de pé, na área técnica, a olhar para os seus jogadores, espelhando a impotência que a sua equipa demonstrava em campo. Talvez estivesse a repensar a sua amizade com Peter Lim, que oferecer o cargo de treinador a meio desta época não é algo que se faça a um amigo. Ou talvez estivesse a pensar quão melhor seria estar no estúdio da BBC, pausar a imagem e corrigir posicionamentos ou, simplesmente, avançar em fast forward até ao fim do jogo (saltando também a conferência de imprensa, de preferência).

Dwight Yorke, Beckham e Neville festejam no Camp Nou, em 1999 Fonte: Manchester United FC
Dwight Yorke, Beckham e Neville festejam no Camp Nou, em 1999
Fonte: Manchester United FC

Curiosamente, nos momentos históricos de 1999, Gary Neville também estava de pé, a olhar os seus colegas. É que, apesar de quase todos os jogadores, incluindo Schmeichel, estarem dentro da área à espera do cruzamento de Beckham, Neville ficou cá atrás a ver como Sheringham fazia o golo do empate. Dois minutos depois, novo canto, e Neville viu ao longe como Solskjaer fazia história e dava a Champions ao seu clube.

Assim, naqueles que foram, provavelmente, os dois momentos mais marcantes da sua carreira (pela positiva e pela negativa), Neville estava de pé, a ver, deixando o papel principal para outros. Há pessoas que não nasceram para ser protagonistas. Neville jogou toda a carreira com o n.º 2 nas costas e talvez não passe disso mesmo: um bom número 2.

Fonte: Valencia CF

Eduardo Botelho

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