Camp Nou: sonho e pesadelo para Neville

- Advertisement -

cab la liga espanha

O Camp Nou tem um sabor agridoce para Gary Neville. Ali viveu o ponto mais alto da sua longa carreira, naquela final da Liga dos Campeões, em 1999, em que o Manchester United bateu o Bayern de Munique, com dois golos marcados já depois do minuto 90. Ali viveu o ponto mais baixo da sua carreira, naquela meia-final da Taça do Rei, ontem, em que o Valencia foi cilindrado pelo Barcelona, perdendo por 7-0.

Se, naquele dia, há quase 17 anos, o Camp Nou se transformou verdadeiramente num Teatro de Sonhos, ontem a noite foi de pesadelo. Neville parecia já antecipar esse cenário, pela forma como escalou a sua equipa, colocando dois laterais em cada ala: Gayà e Siqueira na esquerda, e Barragán e Cancelo na direita. Na frente, retirou Negredo e lançou Rodrigo, esperando que a sua velocidade pudesse ser útil no contra-ataque. O Valencia entrou como equipa pequena e sem qualquer intensidade. Neville entrou a medo e o Barcelona com fome. Busquets engoliu o meio campo e a tripla Messi, Suárez, e Neymar encheu a barriga de golos e a vista dos espetadores.

Foi confrangedor ver Gary Neville de pé, na área técnica, a olhar para os seus jogadores, espelhando a impotência que a sua equipa demonstrava em campo. Talvez estivesse a repensar a sua amizade com Peter Lim, que oferecer o cargo de treinador a meio desta época não é algo que se faça a um amigo. Ou talvez estivesse a pensar quão melhor seria estar no estúdio da BBC, pausar a imagem e corrigir posicionamentos ou, simplesmente, avançar em fast forward até ao fim do jogo (saltando também a conferência de imprensa, de preferência).

Dwight Yorke, Beckham e Neville festejam no Camp Nou, em 1999 Fonte: Manchester United FC
Dwight Yorke, Beckham e Neville festejam no Camp Nou, em 1999
Fonte: Manchester United FC

Curiosamente, nos momentos históricos de 1999, Gary Neville também estava de pé, a olhar os seus colegas. É que, apesar de quase todos os jogadores, incluindo Schmeichel, estarem dentro da área à espera do cruzamento de Beckham, Neville ficou cá atrás a ver como Sheringham fazia o golo do empate. Dois minutos depois, novo canto, e Neville viu ao longe como Solskjaer fazia história e dava a Champions ao seu clube.

Assim, naqueles que foram, provavelmente, os dois momentos mais marcantes da sua carreira (pela positiva e pela negativa), Neville estava de pé, a ver, deixando o papel principal para outros. Há pessoas que não nasceram para ser protagonistas. Neville jogou toda a carreira com o n.º 2 nas costas e talvez não passe disso mesmo: um bom número 2.

Fonte: Valencia CF

Eduardo Botelho
Eduardo Botelhohttp://www.bolanarede.pt
Se os passes de letra existissem literalmente, o Eduardo talvez tivesse dado jogador de futebol. Assim, limita-se às reviengas literárias. A viver em Barcelona, tem vista privilegiada para a melhor liga do mundo.                                                                                                                                                 O Eduardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Benfica conquista Supertaça feminina de basquetebol

O Benfica venceu o GDESSA por 73-31 e conquistou a Supertaça feminina de basquetebol . As Águias conquistaram o primeiro troféu da época

Rúben Neves comenta o arranque vitorioso de Jorge Jesus: «Identifico-me muito com as ideias do mister»

Após o apito final, Rúben Neves reagiu ao desfecho do Noruega x Portugal, na segunda jornada da Liga das Nações.

Selecionador da Noruega afirma: «Devíamos ter ganho, fomos a melhor equipa»

Após a vitória de Portugal por 2-1 frente à Noruega, o selecionador Stale Solbakken analisou a partida em conferência de imprensa.

Jorge Jesus garante que vai falar com Cristiano Ronaldo e analisa vitória: «Quatro situações, três golos, um não golo»

Jorge Jesus marca presença na conferência de imprensa, depois da vitória de Portugal frente à Noruega na Liga das Nações.

PUB

Mais Artigos Populares

Jorge Jesus reage à vitória de Portugal: «Estou satisfeito com a equipa. Este processo não é fácil»

Após o apito final, Jorge Jesus analisou o duelo entre a Noruega e Portugal, referente à segunda jornada da Liga das Nações.

João Félix e o rendimento como segundo avançado: «É a minha posição, não é extremo extremo esquerdo, nem nada disso na linha»

Após o apito final, João Félix reagiu ao desfecho do Noruega x Portugal, na segunda jornada da Liga das Nações.

Portugal é a seleção com mais vitórias e melhor registo da história da Liga das Nações

Nenhuma seleção tem tantas vitórias na Liga A da Liga das Nações como Portugal. Registo melhorado com o triunfo contra a Noruega.