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FC Barcelona 1-1 Real Madrid CF: Rabo de fora, Ramos aproveita

Pedro Machado · 3 min

FC Barcelona 1-1 Real Madrid CF: Rabo de fora, Ramos aproveita

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Cabeçalho Liga Espanhola

Zidane desvalorizou o facto de a equipa do Barcelona poder entrar pressionada pela vantagem pontual. Afinal, são os campeões em título e, no ano passado, o Real estava em situação semelhante e foi ganhar a Camp Nou. Superou-se, apesar de entrar com o “rabo apertado”.

Uma expressão que se ajusta à forma como o Barcelona (desta vez, a equipa sob pressão) entrou, deixando que o medo de ficar a 9 pontos do rival tomasse conta dela, ao ponto de lhe condicionar a construção ofensiva. Cada passe saia com força desmedida (a mais ou a menos) e todas as ideias que os criativos (Neymar, sobretudo) traziam ao jogo eram demasiado previsíveis para que pudessem causar estrago no rival.
Havia posse, muita, no meio-campo do Real, mas não se sabia o que fazer com ela (suspirou-se por Iniesta). O Barça tinha a bola, o Real tinha o jogo. Assim se resume uma primeira parte tristonha, com apenas um esboço de situação de golo – Ronaldo atirou à figura de Ter Stegen.
O segundo tempo começou da mesma forma, e parecia que só uma bola parada poderia resolver o marasmo em que o clássico se tinha tornado. Assim foi. Livre no lado esquerdo do ataque do Barcelona, a beijar a linha de fundo , batido por Neymar para a pequena área, onde aparece Suarez (ligeiramente adiantado), a antecipar-se, de cabeça, aos centrais madridistas para fazer o 1-0.
O rombo do que o jogo necessitava. Certo? Errado. O golo acalmou o Barcelona, mas não despertou o poderio ofensivo do Real, e foi preciso a entrada de alguém muito especial para que o jogo tivesse ocasiões de golo.
Iniesta disse “presente”, substituiu Rakitic e Camp Nou ganhou côr. O Barcelona soltou-se, o rabo deixou de estar apertado, e o jogo passou a ser mais apelativo.
Entrada de Iniesta mudou o jogo Fonte: Marca
Entrada de Iniesta mudou o jogo
Fonte: Marca
Neymar, primeiro, depois de tirar Carvajal do caminho, atirou por cima. Depois, foi Iniesta, servido por André Gomes, a atirar as malhas laterais e, mais tarde, seria o “8” blaugrana a servir Messi, para este desperdiçar, isolado, aquele que seria o tento da tranquilidade.
Três grandes oportunidades para o Barcelona matar o jogo, 0 golos. O 1-0 era  curto. Aproveitou o Real, que continuou na discussão do jogo, apesar de pouco fazer por isso, trancado no seu meio-campo.
Zidane viu isto e decidiu fazer entrar Asensio para o lugar de Benzema, passando Ronaldo para o meio. Estranhou-se, mas a equipa cresceu com isto. O espanhol, ao recuar mais que o português, criou um elo de ligação ao ataque e equipa ganhou uma referência ofensiva com maior disponibilidade física com a passagem do luso para o meio. O Real, assim, passou a conseguir criar nos minutos finais, ousando o domínio blaugrana. Primeiro, Ronaldo, servido por Marcelo, avisou de cabeça, depois foi Sérgio Ramos a concretizar a ameaça do fantasma “quem não marca sofre”. Modric, de livre, a meio do meio-campo blaugrana, apontou a mira à  cabeça do central e este agradeceu. O Barcelona lamentava, agora, ter posto o rabo de fora.
Os blaugrana ainda tentaram reagir no pouco tempo que sobrou e quase conseguia recuperar a vantagem, mas Casemiro evitou que Sergi Roberto aproveitasse uma saída destrambelhada de Keylor Navas e segurou os seis pontos de vantagem para o rival sobre a linha de golo.
Tudo na mesma. Ronaldo não chegou ao golo 500 na carreira, Messi chegou ao 6º clássico seguido sem marcar, e o Barcelona lamentou ter começado o jogo de rabo apertado.

 FIGURA

Modric foi fundamental no equilibrio tactico-emocional da sua equipa Fonte: Real Madrid C.F.
Modric foi fundamental no equilíbrio tactico-emocional da sua equipa
Fonte: Real Madrid C.F.

Na ‘flash-interview’ pós-jogo, Sérgio Ramos, convidado a comentar o seu golo, exultou do passe milimétrico de Modric (“grande bola do Luka, para variar”). Só podia. A execução do livre foi soberba, só ao alcance de um jogador com uma capacidade fora do comum como a que tem o croata. De longe, encontrou a cabeça de Sérgio Ramos e contribuiu para que o seu Real mantivesse a liderança.

A sua acção, porém, não se esgota aí. Soube estar nos sítios certos às horas certas, esgotando ideias ao Barcelona durante a primeira parte. Não se deixou abater pelo golo do rival e saiu sempre com critério para o ataque. Foi a personificação do equilíbrio.

FORA-DE-JOGO

Rakitic esteve muito abaixo do esperado Fonte: Goal.com
Rakitic esteve muito abaixo do esperado
Fonte: Goal.com

Rakitic nunca conseguiu desinfectar o marasmo que tomou conta da equipa, não evitando o contágio, pois esperava-se que dos seus pés saísse algum tipo de solução mágica. Não saiu e, por inerenência, o corredor central ressentiu-se, alastrando a apatia a toda a largura do horizonte jogável.

A entrada de Iniesta foi muito sentida pela equipa, muito por causa daquilo que o croata não estava a fazer.

Foto de capa: F.C. Barcelona

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos