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Não acredito em Simeone

Eduardo Botelho · 2 min

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Cabeçalho Liga Espanhola

O Atlético de Madrid está em crise. Nos últimos seis jogos da liga espanhola, venceu apenas dois, empatou outro e somou três derrotas. Os “colchoneros” ocupam neste momento a quarta posição e o cenário ainda se pode agravar mais dado que, na próxima segunda-feira, visitam o Villarreal, que tem apenas dois pontos de atraso. Mais: se a Real Sociedad e o Athletic de Bilbao vencerem os seus jogos, o Atlético de Madrid pode cair para o sétimo lugar.

Este é o pior início de campeonato do Atlético desde a chegada de Simeone e surge, curiosamente, no ano em que o clube parecia ter dado um passo à frente, ao assumir-se como candidato ao título. É que, este ano, o Atlético não vendeu nenhum dos seus jogadores importantes, ao contrário do que aconteceu em todos os anos anteriores, como nos casos de Arda Turan, Diego Costa, Filipe Luís (entretanto regressado), Courtois, Falcao, De Gea ou Agüero. E, além de ter resistido às vendas, Simeone ainda viu Kevin Gameiro, Gaitán e Vrsaljko reforçarem as suas opções.

O início não foi fácil, com dois empates consecutivos no campeonato, mas o Atlético conseguiu, depois, uma brilhante sequência de seis jornadas, em que venceu cinco jogos, incluindo goleadas a Celta (0-4), Sporting de Gijón (5-0) e Granada (7-1), e concedeu apenas um empate, frente ao Barcelona, no Camp Nou. Nessa altura, cheguei a ver programas de televisão em Espanha em que se discutia se esta seria a melhor equipa que Simeone já tinha treinado. Muitos defendiam que sim, até que, de repente, chegou a crise de resultados atual.

Griezmann já não marca há sete jogos para o campeonato Fonte: Atlético de Madrid
Griezmann já não marca há sete jogos para o campeonato
Fonte: Atlético de Madrid

As difíceis deslocações aos terrenos de Sevilha e Real Sociedad terminaram em derrota, assim como a receção ao Real Madrid, e a boa fase do Atlético parece já distante. Griezmann atravessa um mau momento (não marca há sete jogos para o campeonato) e Simeone, depois do empate frente ao Espanyol, na última jornada, pediu tranquilidade: “O objetivo é ser terceiro”.

De facto, olhando os orçamentos de Real Madrid e Barcelona, o terceiro lugar é um objetivo realista e ninguém poderá apontar o dedo ao treinador argentino por ficar atrás dos dois gigantes do futebol espanhol. Ainda assim… Não acredito em Simeone. Ele ambiciona mais que o terceiro lugar, claro. Está a nove pontos do Real Madrid, mas a apenas três do Barcelona, que é segundo classificado, e ainda nem chegámos a meio do campeonato. “Nunca dejes de creer” é um dos lemas que os atléticos gostam de repetir e que Simeone segue à risca. Outro treinador ficaria satisfeito com o terceiro lugar; Simeone não.

O que Simeone pretende é baixar as expectativas que estavam criadas para esta época e voltar ao estatuto de underdog em que tão bem se sente. Na Liga dos Campeões, acaba de qualificar-se como primeiro num grupo em que estava o Bayern de Munique. No campeonato, há que baixar as expectativas para subir na classificação. É esse o plano e, aí, acredito plenamente em Simeone. Só mesmo ele para conseguir que o Atlético compita ano após ano com Real e Barça.

Foto de capa: Atlético de Madrid

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Eduardo Botelho

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