Neymar em “ser egoísta por vezes é bom”.

- Advertisement -

Neymar foi a contratação mais sonante do Barcelona no último verão e fez crescer o entusiasmo à volta do clube catalão. Porquê!? Porque Neymar não é o típico jogador de equipa. É um jogador de desequilíbrios, de fintas, de perder a bola só porque sim. O estilo do Barcelona privilegia o controlo da redondinha; o jogo de equipa faz parte do ADN do clube e apenas esporadicamente “permite” ações individuais – essencialmente a Messi e Alexis Sánchez.

Com a entrada do internacional brasileiro, é natural que os adeptos do futebol esperem um Barcelona menos controlador e, por oposição, que favoreça as capacidades individuais dos jogadores mais técnicos presentes na equipa. Neymar faz parte desse lote. É um jogador soberbo (nos dois sentidos da palavra) e é um crime retirar-lhe a irreverência e a fantasia do seu futebol. Neymar tem de ter liberdade para errar porque, acreditem, vão ser tantas as vezes em que ele vai limpar quatro ou cinco adversários e marcar golo que todo esse espetáculo compensará uma ou outra perda de bola.

A verdade é que eu sou suspeito. O futebol do Barcelona não me fascina de todo, mas tenho obrigatoriamente de reconhecer a gigantesca qualidade e competitividade demonstradas nos últimos anos. Somente um “Special One Mourinho” e também um “super Bayern Munich” foram capazes de abanar os alicerces catalães.

No entanto, mesmo com o novo treinador, Tata Martino, o estilo de jogo manteve-se e Neymar teve necessariamente de se adaptar ao estilo do Barcelona. A lógica diz que é assim que deve ser… mas o talento de Neymar não é lógico.

Neymar felicita Messi / Fonte: www.imguol.com
Neymar felicita Messi / Fonte: www.imguol.com

Partindo para os números: Neymar fez até ao momento 19 jogos pelo Barcelona, distribuídos pela Liga Espanhola, Copa Del Rey e Liga dos Campeões. No total, o brasileiro tem cinco golos e nove assistências. Até aqui podemos verificar uma tendência para a “coletivização” de Neymar. Atenção: não considero más as estatísticas do avançado, principalmente para quem acabou de chegar ao futebol europeu; elas servem apenas como prova de que o talento puro do brasileiro tem sido ligeiramente repelido.

Por outro lado, é preciso compreender que ser colega de Messi, Xavi, Iniesta ou Busquets tem, apesar dos mais variados fatores positivos, um lado negativo; é certo que qualquer que avançado que tenha Iniesta como companheiro sabe que a probabilidade de fazer golos sobe a pique. Todavia, os jogadores do Barcelona que referi têm um prestígio colossal e fazem parte da geração de ouro do clube espanhol. Neymar tem obrigatoriamente de respeitar a hierarquia do Barcelona. Esse fator pode, evidentemente, intimidar a vontade natural das pernas do brasileiro.

Para além disso, Neymar já era uma super-estrela antes de emigrar para a Europa. Chegar a um clube que ganhou tudo o que havia para ganhar na última década e que tem grande parte dos últimos campeões europeus e do mundo é uma pressão muito grande para quem já tem de justificar o colossal investimento feito pelo Barcelona – 50 milhões de euros foram os números avançados.

Dribles: uma imagem de marca de Neymar / Fonte: www.gizabest,com
Dribles: uma imagem de marca de Neymar / Fonte: www.gizabest,com

Eu não acho que o Barcelona tenha de mudar integralmente o seu estilo de jogo, nem penso que isso fosse um benefício neste momento. Porém, o Barcelona já não é a mesma equipa imbatível, já não transmite a sensação de implacabilidade que perdurou ao longo de todos estes anos – vejam a derrota na terça-feira passada frente ao Ajax por 2-1, para a Liga dos Campeões.

Na minha ótica existem duas certezas: a primeira é a de que qualquer clube precisa de um jogador como Neymar e a segunda é a de que Neymar necessita de autonomia para exibir o seu futebol. Obviamente que o internacional brasileiro deve jogar em equipa e o coletivo é indispensável para ser bem-sucedido a todos os níveis. Cabe então ao Barcelona vislumbrar se o futuro passa por realizar uma reforma do “tiki-taka” ou se é hora de atenuar essa posse de bola quase obsessiva. Não sei até que ponto Neymar pode marcar o fim de uma geração e demarcar o início de outra.

A verdade é que o Barcelona vai ganhando e efectuando boas exibições. Falta saber até quando Neymar vai aguentar essa “detenção” do seu individualismo inerente e protagonizar uma “revolução” no seio do tão reservado balneário catalão.

Subscreve!

Artigos Populares

Morreu Kevin Keegan, antigo jogador e treinador inglês

Kevin Keegan morreu aos 75 anos. Antigo internacional inglês e treinador faleceu após batalha contra um cancro.

Rodrigo Mora comenta regresso de Cardoso Varela ao FC Porto: «De volta onde sempre pertenceste»

Rodrigo Mora não ficou indiferente ao regresso de Cardoso Varela ao FC Porto. «De volta onde sempre pertenceste», escreveu.

Rudi Garcia está de saída da Seleção da Bélgica e já reagiu

Rudi Garcia não vai continuar como selecionador da Bélgica. Contrato termina a 31 de julho de 2026 e não haverá renovação.

Braga empresta Amine El Ouazzani a clube da Ligue 1 e já é oficial

O Angers já oficializou a contratação de Amine El Ouazzani. Braga emprestou o avançado de 25 anos até ao final da época.

PUB

Mais Artigos Populares

Ibrahima Ba está de volta aos treinos do Famalicão

Ibrahima Ba já treina novamente no Famalicão. Transferência do defesa-central para o Estrasburgo de Hugo Oliveira caiu.

E se o Benfica não passar pelo St. Gallen? Eis o possível adversário dos encarnados

Se o Benfica for eliminado pelo St. Gallen, jogará a Conference League frente ao vencedor do duelo entre Sheriff e Maccabi Haifa.

O Olimpo do futebol: Rodri iguala registo de Messi e entra em lote restrito de vencedores do Mundial

Rodri alcançou um marco histórico no futebol mundial ao conquistar quatro grandes troféus, igualando apenas 7 lendas do desporto.