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Os treinadores do Valencia CF, o Twitter e eu

Eduardo Botelho · 2 min

Os treinadores do Valencia CF, o Twitter e eu

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Não sou especialista em Twitter. Tenho uma conta onde nunca escrevi nada, “sigo” meia dúzia de pessoas, mas nunca lá vou ver o que escrevem, e nunca entendi bem o interesse nessa rede social que nos limita a 140 caracteres. No entanto, no último ano, tornei-me especialista na análise ao twitter dos treinadores do Valencia CF. Eu explico.

Tudo começou com Nuno Espírito Santo. O treinador português criou uma conta oficial, acumulou seguidores ávidos de novidades, mas… tardava em lançar um primeiro tweet. Os dias foram passando e aquela página, ali parada, foi-se tornando um mistério que suscitou o meu interesse. Analisei cuidadosamente o seu perfil e reparei que, na descrição, dizia “Perfil oficial de Nuno Espírito Santo, entrenador del Valencia CF”. Conhecedor da realidade do clube, escrevi uma crónica em que lhe sugeria que, àquela descrição, acrescentasse: “por enquanto, por enquanto…”.

No dia seguinte, o Valencia perdeu em Sevilha e Nuno foi demitido.  Nuno talvez nunca tenha chegado a ler o meu conselho, mas o seu sucessor, Gary Neville, leu-o, certamente. A frase que se lia no perfil do antigo jogador do Manchester era “Attack the day”, que é a atitude certa para quem é treinador do Valencia. Nunca se sabe se no dia seguinte se continuará no cargo.

Ayestarán dá um autógrafo a um pequeno adepto Fonte: Valência CF
Ayestarán dá um autógrafo a um pequeno adepto
Fonte: Valência CF

Gary Neville fez uma bela carreira de futebolista, com o número dois nas costas. No Valencia, percebeu-se que ser o número 2 talvez seja algo que Neville, além de levar na camisola, leve também no sangue. É que como treinador principal foi um desastre e, poucos meses depois, foi demitido, dando lugar a Pako Ayestarán. Pako conhece bem o clube (era adjunto de Benítez quando o Valencia venceu dois campeonatos e uma Taça UEFA) e, por isso, não precisa de conselhos de ninguém.

As abordagens de Nuno e de Neville no Twitter não funcionaram, por isso, Pako nem sequer se dá ao trabalho de preencher a sua frase de perfil. Mas, algumas semanas depois de ter sido apontado treinador do clube, fez um tweet que poderá ser importante para o futuro. Citando John Carlin, jornalista e escritor britânico, Pako escreveu que “boa parte dos males do mundo vêm da insistência dos seres humanos em crer que têm toda a verdade, quando o máximo a que podem aspirar é ter um ponto de vista”. Ora, quando os adeptos começarem a cantar “Pako vete ya”, cântico que todos os treinadores do Valencia CF ouvem mais cedo ou mais tarde (e que já não deve tardar muito, dadas as três derrotas nas três primeiras jornadas do campeonato), já o imagino a responder: “Pois, pois, mas isso é só o vosso ponto de vista”.

Esta é uma estratégia original, mas tenho dúvidas de que resulte. Sei que Pako não é seguidor de Nuno nem de Neville no Twitter, mas, ainda assim, parece-me que não tardará a seguir pelo mesmo caminho que eles. É assim o Valencia, hoje em dia.

 

Eduardo Botelho

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