Quando nem Cristiano é solução

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Insosso, inerte e débil.

Esta é a maneira mais correta de caracterizar a equipa que foi ao Santiago Bernabéu golear o Real Madrid CF, por 0-3, e garantir o acesso à final da Taça do Rey. Naquele que foi o El Clássico mais fraco e pobre dos últimos anos.

A equipa de Solari foi incapaz de penalizar a quantidade assustadora de erros que a equipa do Barcelona acumulou ao longo dos 90 minutos e isso é verdadeiramente preocupante para o atual campeão europeu. Perante um Barcelona insosso, onde Messi não efetuou nenhum remate à baliza, irreconhecível no momento de transição defensiva, doía ver Busquets em campo, e que confundiu constantemente controlo com inação o Real foi, novamente, humilhado em caso perante o seu grande rival.

Não vale a pena esconder e negar, que o Real Madrid sentiu a falta de Cristiano Ronaldo. Principalmente nos grandes jogos, onde a baliza fica mais pequena e o Guarda-Redes adversário fica com o dobro do tamanho. Faltou a frieza para matar, faltou golo.

Agora, com Cristiano ontem em campo o Real tinha ganho? Arrisco-me a dizer que não, e esse é o precisamente o ponto. Todas as ocasiões de golo que Real Madrid gerou foram criadas por Vinícius. Não aconteceram pela intervenção coletiva, mas do brilhantismo e da irreverência dos 18 anos do brasileiro.

Fonte: Real Madrid CF

O Ronaldo que hoje conhecemos não têm esta capacidade para criar situações de golo, é um animal diferente. Um que independentemente da magnitude da ocasião, da pressão, se a equipa for capaz de lhe criar um contexto favorável para ele dizer “matar”, CR7 nunca perdoa. Assim, a chave para o Real Madrid de hoje não é Ronaldo, porque este Real é coletivamente incapaz de criar ocasiões, criar o tal contexto favorável.

A facilidade com que Vinícius mudava de velocidade, ultrapassava adversários, e ficava cara a cara com Ter Stegen era notável, mas esta não pode ser a única forma de uma das maiores equipas do futebol mundial criar perigo.

Não se pense que este filme estreou na última noite. No reinado de Solari, já o vimos várias (demasiadas) vezes, em especial frente a AFC Ajax, Club Atlético de Madrid e Real Bétis Balompié. Uma equipa trabalhadora, solidária, com um grande foco na solidez defensiva, que deixa para segundo plano o talento e o risco.

É um guião engraçado, mas que não serve para quem ambiciona vencer um Oscar, ou pelo menos lutar por ele.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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