Publicidade

Quando nem Cristiano é solução

João Mateus · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Insosso, inerte e débil.

Esta é a maneira mais correta de caracterizar a equipa que foi ao Santiago Bernabéu golear o Real Madrid CF, por 0-3, e garantir o acesso à final da Taça do Rey. Naquele que foi o El Clássico mais fraco e pobre dos últimos anos.

A equipa de Solari foi incapaz de penalizar a quantidade assustadora de erros que a equipa do Barcelona acumulou ao longo dos 90 minutos e isso é verdadeiramente preocupante para o atual campeão europeu. Perante um Barcelona insosso, onde Messi não efetuou nenhum remate à baliza, irreconhecível no momento de transição defensiva, doía ver Busquets em campo, e que confundiu constantemente controlo com inação o Real foi, novamente, humilhado em caso perante o seu grande rival.

Não vale a pena esconder e negar, que o Real Madrid sentiu a falta de Cristiano Ronaldo. Principalmente nos grandes jogos, onde a baliza fica mais pequena e o Guarda-Redes adversário fica com o dobro do tamanho. Faltou a frieza para matar, faltou golo.

Agora, com Cristiano ontem em campo o Real tinha ganho? Arrisco-me a dizer que não, e esse é o precisamente o ponto. Todas as ocasiões de golo que Real Madrid gerou foram criadas por Vinícius. Não aconteceram pela intervenção coletiva, mas do brilhantismo e da irreverência dos 18 anos do brasileiro.

Fonte: Real Madrid CF

O Ronaldo que hoje conhecemos não têm esta capacidade para criar situações de golo, é um animal diferente. Um que independentemente da magnitude da ocasião, da pressão, se a equipa for capaz de lhe criar um contexto favorável para ele dizer “matar”, CR7 nunca perdoa. Assim, a chave para o Real Madrid de hoje não é Ronaldo, porque este Real é coletivamente incapaz de criar ocasiões, criar o tal contexto favorável.

A facilidade com que Vinícius mudava de velocidade, ultrapassava adversários, e ficava cara a cara com Ter Stegen era notável, mas esta não pode ser a única forma de uma das maiores equipas do futebol mundial criar perigo.

Não se pense que este filme estreou na última noite. No reinado de Solari, já o vimos várias (demasiadas) vezes, em especial frente a AFC Ajax, Club Atlético de Madrid e Real Bétis Balompié. Uma equipa trabalhadora, solidária, com um grande foco na solidez defensiva, que deixa para segundo plano o talento e o risco.

É um guião engraçado, mas que não serve para quem ambiciona vencer um Oscar, ou pelo menos lutar por ele.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

GP Estados Unidos: Kimi Antonelli a dois pontos do título

A CORRIDA: AINDA NÃO FOI DESTA, MAS KIMI ANTONELLI FEZ TUDO O QUE LHE COMPETIA NO FIM DE SEMANA DE AUSTIN Kimi Antonelli venceu este domingo o Grande Prémio dos Estados Unidos de Fórmula 1, com o título a ser apenas uma formalidade à espera de acontecer, que será provavelmente na ronda seguinte, no México, onde um nono lugar chega para assegurar o cetro.

Bernardo Figueiredo · 2 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

O Açor não tem medo da Águia | Santa Clara x Benfica

«A nós compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. Quem não gostar de olhar, não olhe, e quem não sentir nada pode olhar.» Foi assim, lacónico, que Marco Silva abordou a já histórica sequência do FC Porto, de começar o campeonato com nove vitórias consecutivas. O Benfica está bem e recomenda-se, como ficou patente pela segunda parte feita em Nicósia na quinta-feira passada, mas entra, à condição, a oito pontos dos Dragões, no difícil desafio desta segunda-feira. «Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos. A partir do momento em que preparámos a temporada, não previmos estar à frente ou atrás, sabendo que iríamos jogar muitas vezes depois dos nossos adversários, porque, competindo na Liga Europa, sabemos que isso vai acontecer. Não adianta gastar energia naquilo que não controlamos.» E, realmente, o Benfica tem feito a sua parte. Os recordes ofensivos sucedem-se e obrigam às comparações com Jesus e Eriksson, a estatística aproximando a actual equipa de outras, das que conseguiram conciliar nota artística e troféus. E, à boa maneira dos dois referidos, é na crista da onda que Marco Silva aproveita para dar ar do seu perfeccionismo e exigência - ainda mais impressionantes que as dinâmicas de futebol associativo: «Também gosto de sofrer poucos golos. Gosto de incutir nos jogadores a ideia de que não há ninguém que consiga atacar bem sem ter a capacidade de não sofrer golos. Fiquei muito satisfeito com o resultado frente ao Omonia, mas furioso com o golo sofrido. Quando recuamos tantos anos na história de um clube da dimensão do Benfica, que habitualmente é dominador e que teve grandes jogadores com grande capacidade ofensiva, é sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Sempre foi meu objetivo que as pessoas sentissem que é o Benfica que está a jogar, independentemente de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito grande para percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica, mas estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, que querem sempre melhorar.»

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.