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Stipe Pletikosa – O novo homem forte para a baliza do Depor

Joel Amorim · 5 min

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Mora na Galiza uma das equipas mais surpreendentes da Liga BBVA esta temporada. O Deportivo de La Coruña do madrileno Víctor Sánchez ocupa actualmente o sexto lugar da tabela classificativa com 26 pontos conseguidos nas 16 partidas disputadas até ao momento e segue para já nos lugares europeus atrás do Villarreal CF.

O emblema galego tem sido, no entanto, fustigado por lesões esta época, sendo que algumas delas são particularmente graves, como é o caso da do guarda-redes Fabricio, mais conhecido por Fabri, que seguramente o afastará dos relvados até ao final da temporada. Para colmatar essa ausência e para proporcionar alguma competição interna ao guardião argentino Gérman Lux, que, diga-se de passagem, tem estado em especial destaque esta temporada, e ao antigo internacional Sub-20 espanhol Manu Fernández, a direcção do Depor decidiu contratar um guarda-redes experiente e com provas dadas no futebol europeu, que dá pelo nome de Stipe Pletikosa. Aos 36 anos de idade, o gigante croata regressa aos relvados depois de tudo ter levado a crer que iria abandonar a carreira após ter deixado o FC Rostov no final da temporada passada.

Pletikosa é um nome que dispensa apresentações: 114 vezes internacional com a selecção principal da Croácia e cerca de três dezenas de presenças nos escalões mais jovens do seu país são seguramente um bom cartão de visita para um guarda-redes que se deu a conhecer ao futebol no HNK Hajduk Split e que, com apenas 19 anos, se tornou na primeira escolha do velho gigante croata. O seu treinador de então, Ivan Katalinic, também ele um antigo guarda-redes que vestiu por diversas vezes a camisola da antiga Jugoslávia, viu no jovem Pletikosa o homem certo para substituir o experiente Tonci Gabric e abriu-lhe as portas da primeira equipa do HNK Hajduk Split. Pletikosa, por sua vez, não se fez rogado e agarrou o lugar com unhas e dentes, tornando-se rapidamente um elemento importantíssimo da equipa de Split. Os seus excelentes reflexos e posicionamento valeram-lhe de imediato a alcunha de hobotnica (polvo) e alguns anos mais tarde, em 2002, ganhou o prémio de jogador croata do ano, um galardão que apenas por uma vez havia sido atribuído a guarda-redes.

Pletikosa ao serviço do seu clube do coração o HNK Hajduk Split Fonte: vecernji.hr
Pletikosa ao serviço do seu clube do coração, o HNK Hajduk Split
Fonte: vecernji.hr

Depois de várias temporadas de grande sucesso ao serviço do HNK Hajduk Split, Pletikosa rumou à Ucrânia em 2003 para jogar no Shakhtar Donetsk, num contrato aparentemente bastante atrativo quer do ponto visto financeiro, quer na vertente desportiva, dada a ascensão meteórica que estava a amparar o emblema da região do Donbas naquela altura. As coisas não correram bem ao guardião croata e a sua carreira conheceu momentos de grande instabilidade e incerteza nessa altura, com empréstimos falhados ou declinados no último minuto (Pletikosa recusou juntar-se ao Dinamo Zagreb por lealdade ao seu antigo clube) pelo caminho. Em 2007, Pletikosa voltou a arriscar uma aventura no estrangeiro, rumando um pouco mais para leste para representar o Spartak Moscovo, onde ainda hoje é tido em grande consideração.

O gigante croata fez duas temporadas de alto nível com o emblema moscovita, mas a chegada de Valery Karpin ao comando da equipa em 2009 provou ser um rude golpe nas aspirações de Pletikosa. Karpin, que foi indiscutivelmente um dos melhores jogadores russos dos últimos 30 anos, é conhecido por ser um indivíduo de trato bastante difícil enquanto treinador e provou ser o carrasco da carreira de Pletikosa no Spartak Moscovo, relegando-o para a condição de suplente e até mesmo deixando-o, por diversas vezes, fora da convocatória. A situação tornou-se insustentável para o guarda-redes croata e obrigou-o, de certa forma, a tentar a sua sorte fora da liga russa, mas a sua passagem por White Hart Lane, onde representou o Tottenham Hotspur por empréstimo em 2010, foi tudo menos glamorosa.

Estas incertezas constantes abalaram – e de que forma – a carreira daquele que era considerado por muitos o melhor guarda-redes croata de todos os tempos, mas uma luz acendeu-se ao fundo do túnel quando em Agosto de 2011 Pletikosa rumou a Rostov-on-Don para representar o FC Rostov. Já com 32 anos idade, o guardião croata não atirou a toalha ao chão e recomeçou a sua carreira no histórico emblema russo, onde rapidamente se tornou num jogador extremamente querido dos adeptos e também dos responsáveis do clube. A sua postura altamente profissional e a sua capacidade inata de liderança transformaram Pletikosa no capitão de equipa e num autêntico líder dentro do balneário.

No passado mês de Novembro, aquando da sua visita a Rostov para assistir ao amigável entre Rússia e Croácia que se disputou no Olimp-2 (estádio do FC Rostov), Pletikosa foi ovacionado de pé pelos adeptos dos Selmachi presentes no estádio e não foi capaz de esconder a sua enorme empatia pelo clube e pelo país que considera a sua segunda casa. Será importante lembrar que Pletikosa ajudou o FC Rostov a vencer a única Taça da Rússia da sua história, em Maio de 2014, após bater nas grandes penalidades o FC Krasnodar.

Pletikosa aquando da sua recente visita a Rostov para assistir ao jogo entre a Rússia e a Croácia Fonte: vecernji.hr
Pletikosa aquando da sua recente visita a Rostov para assistir ao jogo entre a Rússia e a Croácia
Fonte: vecernji.hr

Pletikosa, que interrompeu a sua carreira por alguns meses após ter sido pai e ter regressado a Split com a sua mulher, para gozarem de alguns momentos mais recatados nesta importante fase das suas vidas, volta agora ao activo para representar o Deportivo de La Coruña e assume-se disposto não só a lutar pela titularidade como também a continuar a jogar ao mais alto nível pelo menos durante mais três ou quatro temporadas. O guardião croata é esperado este Domingo (27 de Dezembro) na Corunha, onde realizará os habituais testes médicos nos dias seguintes e, espera-se, assinará um contrato válido até ao próximo mês de Junho.

Os adeptos do emblema galego terão certamente algumas reservas quanto a esta contratação, uma vez que Pletikosa conta já com 36 anos e esteve sem jogar durante alguns meses. No entanto, é legítimo dizer-se que, por tudo aquilo que demonstrou na temporada passada ao serviço do FC Rostov, onde esteve vários meses sem receber qualquer salário devido aos graves problemas financeiros que o clube tem vivido, Pletikosa provou mais uma vez ser um profissional de bitola elevada e ainda no pleno de todas as suas capacidades técnicas, podendo ainda tornar-se uma mais valia para o Depor naquilo que ainda falta jogar esta temporada.

Foto de Capa: novilist.hr

Joel Amorim

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