KAA Gent 2-2 SC Braga: Braga e uma história de monotonia

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Cabeçalho Futebol InternacionalA monotonia é má. Traz aborrecimento e, no futebol, muitos bocejos. Não são precisas muitas mais palavras para classificar a exibição bracarense nesta deslocação à Bélgica para defrontar o Gent. A intenção, à partida, era clara: buscar a vitória e tentar assim dar a machadada final ao seu adversário directo. A realidade mostrou-nos outra coisa. O Braga voltou a evidenciar as limitações/indefinições que são conhecidas no seu jogo e, pior do que isso, não mostrou ambição suficiente para vencer um adversário que estava, aparentemente, ao seu alcance. Como qualquer português que se preze, ficou tudo adiado para a última.

A abordagem táctica do jogo é fácil de explicar. Gent com maior pendor ofensivo, sempre com dificuldades em definir da melhor forma as jogadas. O Sporting de Braga a especular demasiado com o jogo, num 4-4-2 pouco dinâmico em que os alas – Ricardo Horta e Wilson Eduardo – passavam mais tempo em processo defensivo do que ofensivo. O jogo não saiu desta monotonia e desta ordem táctica: Gent a dominar territorialmente e o Braga a tentar ocupar os espaços da melhor forma.  Ainda assim, o Braga esteve por duas vezes em vantagem, através de dois remates de dois dos seus desequilibradores, Horta e Wilson- as recargas de Hassan e Stojiljkovic transformaram os remates em golos. As duas vantagens foram anuladas com naturalidade pelo Gent que, sempre que acelerava o jogo, causava perigo a Matheus. Mais uma vez, a monotonia estava presente: O Braga empatou em dois lances quase idênticos e sempre que o Braga marcava, a equipa de Peseiro não conseguia retirar daí nada de novo para o encontro. O intervalo chegava com mais do mesmo.

Stojiljkovic foi um dos marcadores de serviço Fonte: SC Braga
Stojiljkovic foi um dos marcadores de serviço
Fonte: SC Braga

No segundo tempo, imagine-se…nada mudou. O jogo continuou com as mesmas bases tácticas e, nem os treinadores pareciam ter intenções de mudar, nem os jogadores mostravam-se capazes de tirar um coelho da cartola. Apenas as ações ofensivas de Horta e Wilson retiravam previsibilidade ao jogo do Braga e permitiam à equipa criar algum perigo na defesa adversária, sem precisar dos erros do Gent. Do lado belga, Esiti era o transportador/organizador de todo o jogo do Gent, que assentava no talento individual dos seus homens da frente. A equipa belga aproveitava cada momento em que a organização defensiva do Braga quebrava – particularmente no eixo central, com Rosic a acumular erros e André Pinto ainda diminuído fisicamente.

O Braga até final mostrou-se sempre demasiado preso e amarrado tacticamente. Nem conseguia controlar o jogo com bola, nem conseguiu lançar contra-ataques rápidos. Peseiro ainda tentou dar mobilidade ao ataque com a entrada de Rui Fonte, porém a história já estava escrita há muito. Moral da história: a monotonia e o futebol não devem andar de mão dada. 

Jorge Fernandes
Jorge Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
O futebol acompanhou-o desde sempre. Do amor ao Benfica, às conquistas europeias do Porto, passando pelas desilusões dos galácticos do real Madrid. A década continuou e o bichinho do jornalismo surgiu. Daí até chegarmos ao jornalismo desportivo foi um instante Benfiquista de alma e coração, pretende fazer o que mais gosta: escrever e falar sobre futebol. Com a certeza de que futebol é um desporto e ao mesmo tempo a metáfora perfeita da vida.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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