Allez France, Allez!

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Fala-se pouco do futebol francês. Por volta da mesma altura, curiosamente, o futebol alemão ganhou um novo protagonismo e o gaulês, campeonato histórico, perdeu preponderância. Em Portugal, esse desvio de atenção deveu-se, em muito, à saída de Pedro Pauleta do Paris Saint-Germain, e consequente fim de carreira. Mas, na Europa, as razões foram outras.

A década de 90 foi o palco do apogeu do futebol francês. Depois do escândalo de resultados combinados do Marselha, a Ligue 1 vivia tempos quase inéditos no futebol europeu: em seis anos, foram campeãs seis equipas diferentes. Não havia continuidade, consistência ou estabilidade; ainda assim, a qualidade futebolística era acima da média, e a principal liga francesa era um verdadeiro laboratório de jogadores que, mais tarde, saltariam para campeonatos com mais destaque nas competições europeias.

Além dos feitos internos, também a selecção nacional vivia uma época auspiciosa. A geração de Thierry Henry, Zinédine Zidane, Patrick Vieira, entre outros, conquistou o Campeonato do Mundo em casa, em 1998, e, dois anos depois, o Europeu. Eram as estrelas do futebol mundial. Os bleus eram o colectivo mais temido e respeitado. Mas em 2002, aquando do Mundial da Coreia e do Japão, tudo isto foi por água abaixo. O muito antecipado favoritismo deu azar aos franceses e, tal como podemos dizer de Portugal, a campanha por terras asiáticas foi um fiasco. Os gauleses vieram embora sem uma única vitória, e nem sequer um golo marcado.

E, a partir daqui, foi sempre a descer. Depois da presença do Mónaco na final da Liga dos Campeões, frente ao Porto, não mais uma equipa francesa se fez sentir na maior competição de clubes. Daí aos desentendimentos de Nicolas Anelka com o seleccionador Raymond Domenech, às greves dos jogadores e às fracas prestações em fases finais, foi um pequeno passo. Tudo isto contribuiu para que o futebol francês deixasse de ser um dos mais afamados palcos do desporto rei.

Poucos saberão que, este sábado, o PSG conquistou um inédito quadruplé. Ao vencer o Auxerre, na final da Taça Francesa, a equipa de Laurent Blanc juntou esse troféu à Supertaça, ao Campeonato Francês e à Taça da Liga. Espero que, com o ressurgimento do PSG, este futebol que tanto aprecio volte às páginas dos jornais. Ibrahimovic e companhia irão, com certeza, mostrar que o clube está empenhado em voltar à glória europeia e estabelecer uma verdadeira hegemonia de títulos em França.

Mariana Fernandes
Mariana Fernandes
O Desporto é o eixo sobre o qual gira o mundo da Mariana. Seja sobre futebol ou desportos motorizados, não dispensa um bom debate. Aos pontapés na bola ou sobre rodas, está sempre em cima das últimas notícias.                                                                                                                                                 A Mariana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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