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Passado o verão de 2016 e, com ele, também o campeonato da Europa, a França tenta recompor-se da desilusão resultante de um pontapé de um português. Com o terminar desse verão de má memória para todos os franceses, chegou a altura de estes concentrarem as suas atenções no campeonato interno, que, para uns, acabará em nova desilusão e, para outros, dará origem a uma onda de alegria e de glória que fará, de certa forma, esquecer um pouco o desastre de Saint-Denis.
Os clubes do escalão principal gaulês voltaram a juntar-se para lutar pelo título, que mora já há quatro anos em Paris, de onde tem mostrado alguma resiliência em sair. O Paris Saint-Germain, muito com a ajuda dos seus investidores, conseguiu, nas últimas épocas, construir um monopólio de títulos que não tem enfrentando grande concorrência por parte dos outros emblemas, fazendo lembrar o heptacampeonato do Ol. Lyon ou o tetracampeonato do Saint-Étienne e do Ol. Marseille, num país que nunca nos habitou a longos períodos de domínio de um, na sua principal competição.

Fonte: AS Monaco
Porém, esta temporada tem-nos revelado que poderá ser uma das mais competitivas dos últimos anos, sendo que, com pouco menos de metade da época por jogar, são três as equipas que se assumem candidatas à conquista do título e que, quanto a mim, têm verdadeiramente capacidade para chegar ao final da época no primeiro lugar. São elas o campeão em título e tetracampeão Paris Saint-Germain, o OGC Nice, principal surpresa desta temporada, e o AS Mónaco, que ocupa, no momento, a topo da tabela classificativa e sobre o qual me vou debruçar no que resta deste artigo.
Só voltando ao final do último século podemos reviver a última conquista do campeonato da equipa monegasca, que contava no seu plantel com jogadores como Barthez, Costinha, Giuly, Trezeguet, Sagnol ou Rafa Márquez. Claro que esses tempos já vão demasiado longínquos para estabelecer alguma ligação entre eles e os que se vivem agora no Louis II, mas não deixa de ser interessante comparar a carreira daqueles que se fizeram campeões comandados por Claude Puel com aquela que poderá ser a futura carreira dos hoje comandados por Leonardo Jardim, mesmo sabendo que ainda nada está decidido no championnat, até porque o Mónaco encontra-se neste momento com os mesmos pontos que o segundo classificado, o Nice.
Apesar dessa igualdade pontual com a equipa surpresa do campeonato, a equipa do principado tem vindo a apresentar ao longo da época o futebol mais atrativo da Ligue 1, que tem resultado num dos ataques mais letais da Europa, fator esse que diferencia esta equipa das restantes na competição (e na Europa). A atratividade no futebol é sempre subjetiva, dependendo do gosto de cada adepto; já a letalidade de um ataque é mais objetiva, motivo pelo qual se pode afirmar que, incontestavelmente, a produção ofensiva dos Rouge et Blanc é das mais letais do futebol europeu atual, olhando ao facto de ter já 65 golos marcados em apenas 22 jogos no campeonato(!).
Um bom ataque é uma caraterística presente na grande parte dos campeões de qualquer competição, daí ser compreensível que se acredite num Mónaco forte na luta pelo título até à fase derradeira da Liga, e também que se inicie a cimentação de uma estrutura firme onde assenta o sonho monegasco de levantar a taça no final da época, tirando-a assim aos ao seu atual detentor, para o bem da competitividade da liga e do interesse que esta desperta nos apaixonados pelo desporto rei.
Falando do ataque desta equipa, não devemos desprezar aqueles que iniciam esses mesmos ataques que tantos frutos têm dado à equipa de Jardim. A defesa do Mónaco começa, desde trás, com a experiência e segurança de Subašić, no clube desde a época 2011/2012, complementada por uma defesa também sólida comandada por Glik na maior parte dos jogos.
Há ainda a realçar a força da juventude na qual o técnico português tem apostado, sendo as principais figuras desta jogadores com o nosso tão bem conhecido Bernardo Silva, cujo golo marcado ao Paris Saint-Germain na última jornada, que selou o empate na partida, permitiu à equipa manter-se no primeiro ligar, também o avançado Mbappé e os médios Lemar e Fabinho, que também atua como defesa, e o lateral Mendy.
Não obstante, e sendo já sabido que a experiência dos jogadores pode ser fundamental para manter uma equipa firme numa luta como a em que o Mónaco se insere, fazem parte do seu plantel também nomes como o de Falcao, habituado já a grandes conquistas, que tem sido um dos grandes pilares da campanha do clube, João Moutinho ou Raggi, todos já com uma vasta experiência em alguns dos grandes clubes do velho continente.

Fonte: AS Monaco
Por tudo isto, e como está à vista de todos, o AS Mónaco apresenta, na minha opinião, aquele que é o plantel mais equilibrado da Ligue 1, sem vedetas como os rivais de Paris, mas com o nível certo de vaidade nos seus jogadores, nas suas carreiras e no futebol que têm praticado, futebol esse que se baseia naquela que parece ser a forma mais sustentada de olhar um jogo de futebol, com a dose certa de virtuosismo para chegar com eficácia à baliza adversária e com a dose certa também de segurança e confiança para cortar pela raiz o maior número possível de ataques dos opositores. O mérito é não só dos jogadores, mas também, e muito, de Leonardo Jardim. Habituou-nos a ver as suas equipas sempre com qualidade de jogo, mas faltava-lhe talvez o que está a ter agora em França – ordens para construir uma equipa à sua imagem e com as mesmas ambições que as suas.
Neste momento, a equipa respira confiança e mostra-se cada vez mais crente naquele que poderá ser o primeiro título de campeão desde 99/00 e o oitavo da história do clube. Com eles vão também os adeptos acreditando cada vez mais que em maio poderão fazer a festa que tanto anseiam fazer, estando assim em harmonia com os jogadores e treinador, o que torna tudo mais fácil dentro de campo.
O sonho comanda os jovens e a razão comanda os mais velhos, mas nesta equipa os jovens têm também a razão em si e os mais velhos sonham em conquistar títulos com este emblema ao peito. A corrida ainda vai quase a meio, por isso, resta a estes jogadores, equipa técnica e adeptos continuar a sonhar e a apoiar a causa porque sempre lutaram. Todos juntos poderão ver o seu esforço ser recompensado e, se assim continuarem, será bem merecido.
Foto de capa:
Artigo revisto por: Francisca Carvalho









