O reerguer do Marselha de André Villas Boas

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O Marselha é a equipa sensação na liga francesa esta época. A equipa é orientada pelo técnico português André Villas Boas, que regressou ao futebol depois de uma experiência nos ralis e conseguiu construir uma equipa vencedora, com poucos recursos e em pouco tempo.

O Marselha sonha voltar ao topo do futebol francês e acordar o monstro que há muitos anos anda desaparecido. Os “Olympiens” conquistaram por nove vezes o campeonato francês, dez vezes a taça e ainda arrecadaram uma Liga dos Campeões, esta no século passado.

A equipa não é campeã desde 2009/2010, coincidentemente quando começou o domínio do Paris Saint-Germain. Além dos parisienses, apenas o Mónaco os conseguiu superar, graças ao título conquistado na última década. O melhor lugar alcançado pelo Marselha desde o último título foi o segundo, por duas vezes diferentes, embora desde 2013/2014, o melhor conseguido foi a quarta posição.

As projeções de regressar à elite da Ligue 1 para já são positivas, visto que o Marselha encontra-se num sensacional segundo lugar, com mais 11 pontos que o Rennes. Para a realidade existente na liga, o facto de estarem “apenas” a 10 pontos do líder PSG é um bom indício, tendo em conta a dificuldade, ou até incapacidade em superar este domínio, de momento. Além disso, a qualidade do Marselha é incomparável e as expectativas da equipa no início da temporada dificilmente apontavam para este cenário atual.

Os “Olympiens” desiludiram no começo da Ligue 1, devido à impossibilidade de forte investimento no mercado. As contratações realizadas foram Darío Benedetto por 14 milhões de euros ao Boca Juniors, Valentin Rongier por 13 milhões de euros ao Nantes, Álvaro González ao Villarreal e a promoção à equipa principal do jovem de 18 anos, Marley Aké.

Os primeiros resultados eram inconstantes, apesar de se evidenciar qualidade, notando-se alguma necessidade de adaptação às novas ideias do treinador. O Marselha apenas assumiu a boa forma após um período de maus resultados em Outubro, incluindo uma goleada de 4-0 contra o PSG. A partir desse momento, os resultados têm sido notórios.

A equipa de Villas Boas bateu o recorde de invencibilidade da história do clube. Esteve 105 dias sem perder, desde 30 de Outubro de 2019 até 12 de Fevereiro de 2020, com a derrota frente ao Lyon na Taça de França, batendo assim os 103 dias da equipa de 1998/1999, orientados por Roland Dourbis. Nessa época, foi uma sequência de 17 jogos sem perder.

Este ano, o Marselha conseguiu estar 16 jogos seguidos sem sentir o sabor da derrota, com 13 vitórias e três empates. Só para o campeonato, continuam numa série invicta nos últimos 14 jogos, apenas com duas partidas empatadas e as restantes com triunfos. A equipa francesa sofreu apenas um golo para o campeonato desde o início do ano civil, o que denota uma evolução tremenda de uma equipa sólida e bem estruturada.

Os 52 pontos conquistados pelo Marselha revelam um segundo lugar sólido, mesmo que sejam o quarto melhor ataque da prova, apenas com 35 golos marcados. Apesar disso, são a terceira melhor defesa, com 22 golos sofridos e só com mais um que o Paris Saint-Germain. A melhor defesa é o Stade de Reims com 19 tentos encaixados.

André Villas Boas tem feito um grande trabalho em França e promete chegar longe com esta equipa. Para já está bem encaminhado para a qualificação à Liga dos Campeões, prova que o Marselha não participa desde 2012/2013. Neste momento, um segundo lugar com grande margem diferencial para o terceiro é quase uma garantia de que para o ano a equipa poderá alinhar na competição mais importante a nível de clubes da Europa.

Fonte: Marseille

O Marselha conta com jogadores de qualidade, embora no início da temporada não se esperasse um plantel capaz de chegar a este nível. As expectativas foram superadas e o coletivo exacerbou-se neste aspeto.

O jogador mais influente do clube é Dimitri Payet, que já marcou 11 golos e fez cinco assistências até ao momento. O resto da frente de ataque é composto por Darío Benedetto e Valère Germain, dois avançados móveis que contribuem para o momento ofensivo da equipa, sendo que o primeiro é mais goleador. Surgem ainda opções viáveis no ataque, como Radonjic e Bouna Sarr, um lateral de origem que atua como extremo.

No miolo, destaca-se a qualidade de jogadores como Kevin Strootman, Valentin Rongier, Morgan Sanson e Maxime Lopez, estes dois últimos que já contribuíram em dez golos juntos, só na Ligue 1.

Boubacar Kamara é um dos mais promissores da liga francesa e tem cumprido com distinção. Atua como médio defensivo ou defesa central e tem enchido as medidas aos adeptos.

É curioso pensar que Florian Thauvin, um dos melhores jogadores do plantel, está lesionado e disputou apenas um jogo esta temporada. Se estivesse disponível, ainda podia ser um contributo de peso para melhores resultados do clube.

Na equipa técnica do Marselha estão ainda outros portugueses, como Ricardo Carvalho e Daniel Sousa no cargo de adjuntos e Will Coort, um velho conhecido do futebol português, como treinador de guarda-redes, ele que teve uma passagem de nove anos pelo FC Porto.

O objetivo passa agora por garantir o segundo lugar e a consequente qualificação para a próxima edição da Liga dos Campeões, manter o projeto e se possível reforçar as posições mais debilitadas, de forma a conseguir evoluir progressivamente a qualidade do plantel. André Villas Boas tem deixado uma boa marca em França e promete continuar o bom trabalho, no entanto, já referiu anteriormente que precisava de reforços e mesmo assim conseguiu montar uma equipa bem-sucedida. A ver se na próxima época a direção corresponde ao seu pedido.

Foto de Capa: Marselha

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

João Pedro Rocha
João Pedro Rochahttp://www.bolanarede.pt
João é de Espinho, no norte de Portugal, é licenciado em Ciências da Comunicação e tem o objetivo de singrar no jornalismo desportivo. É um apaixonado pelo futebol e acompanha o desporto desde tenra idade, principalmente o campeonato português, as top 5 ligas e as competições europeias. Tem o tiki-taka de Pep Guardiola como referência futebolística.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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