Alcateia de Bruno Lage com sangue renovado?

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Depois de quatro temporadas ao leme, Nuno Espírito Santo deixou o cargo de treinador principal do Wolverhampton. Para o substituir, chegou Bruno Lage, outro treinador português. Aliás, este clube é conhecido há largos anos em Inglaterra por potenciar o talento português, e bem. A aposta em produtos importados do nosso país tem sido recorrente e é algo já visto como natural.

Com a chegada de Francisco Trincão, são já oito os jogadores de nacionalidade portuguesa a atuar pelo emblema inglês. Rui Patrício, Nélson Semedo, Rúben Neves, João Moutinho, Pedro Neto, Podence e Fábio Silva compõem o lote de portugueses. Entre outros, existem ainda vários jogadores que, embora de outras nacionalidades, passaram por clubes portugueses. Alguns deles eram mesmo presença habitual nas escolhas do antigo treinador e prevê-se que continuem a ser no futuro muito breve.

Mas uma coisa é certa, haverá mudança de paradigma, ainda que o ADN se pareça manter bastante semelhante. O esquema tático que Bruno Lage adotou na sua curta experiência enquanto treinador principal, no SL Benfica, parece abordar o jogo de forma bastante diferente. O 3-5-2 que víamos o “Wolves” apresentar com Nuno Espírito Santo deverá ter os dias contados e prevê-se agora que se passe a jogar num esquema mais aproximado do 4-2-3-1 ou do 4-4-2 com algumas variantes.

Uma das características mais vincadas de Lage aquando da sua passagem pela Luz era a aposta em extremos de pé contrário, que pode facilmente encaixar no tipo de extremos (Trincão, Podence, Pedro Neto) que habitam em Wolverhampton. Outra das nuances apresentada era a aposta no equilíbrio no meio. Seja mais à frente, como mais atrás. No meio-campo, surgia frequentemente um jogador mais defensivo juntamente com outro médio mais criativo. No ataque, um dos avançados realizava movimentos de recuar para vir buscar bola e criar perigo, papel que João Félix fazia com bastante qualidade, e outro mais finalizador e menos móvel. Aqui terá de se encontrar quem irá fazer este papel, talvez o próprio Daniel Podence poderá ser opção ou mesmo utilizar Raúl Jiménez para este efeito pudesse ser benéfico, isto se a ideia for mesmo apostar no esquema que vimos na Luz.


A mudança de filosofia é expectável e espera-se também uma equipa com futebol mais ofensivo e que tentará procurar ter bola, deixando de lado o conservadorismo do antigo treinador e do antigo paradigma. O velho “Wolves” vestirá outra pele e revelará uma nova cara, pelo menos assim espero.

Uma coisa é certa: Bruno Lage chega a Inglaterra com intenções claras de brilhar e dar nas vistas de forma imediata. Um vídeo lançado nas plataformas digitais do clube mostrou um treinador mais interventivo e a tentar puxar pela equipa, organizando as “tropas” em fase bastante precoce da temporada. Mas quais serão verdadeiramente as aspirações deste “Wolves”? Ninguém sabe bem ao certo, mas estamos todos muito curiosos para acompanhar o percurso desta renovada “armada portuguesa”.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Gabriel Henriques Reis
Gabriel Henriques Reishttp://www.bolanarede.pt
Criado no Interior e a estudar Ciências da Comunicação, em Lisboa, no ISCSP. Desde cedo que o futebol foi a sua maior paixão, desde as distritais à elite do desporto-rei. Depois de uma tentativa inglória de ter sucesso com os pés, dentro das quatro linhas, ambiciona agora seguir a vertente de jornalista desportivo.

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