Arsenal 4-0 Aston Villa: Fazer história parece e foi fácil

- Advertisement -

cab premier league liga inglesa

Não se tratava da final do Campeonato do Mundo, mas o ambiente que se vivia no Estádio de Wembley, instantes antes do início da final da Taça de Inglaterra, assim fazia parecer. As 90 mil almas que lotaram o mítico palco acalentavam a esperança de ver o respectivo clube erguer um dos troféus com mais mística no mundo do futebol e deixavam-se contagiar por essa ilusão, que se propagava em sorrisos, cânticos ou danças de crianças, adolescentes, adultos e idosos, que iam comprovando que a boa disposição não escolhe idades e que o futebol ainda é uma das coisas mais agregadoras que temos neste mundo.

A atmosfera era, portanto, um factor que condicionava os corações de todos os 25 homens (22 jogadores + três árbitros) que subiram ao relvado de Wembley. Felizes por estarem num dos jogos mais emblemáticos do calendário futebolístico, mas nervosos e acelerados pela responsabilidade que isso acarreta.

Assim se explicam as sucessivas oportunidades falhadas pelo Arsenal e a permissividade do Aston Villa nos primeiros 30 minutos do encontro – Koscielny, Ramsey por duas vezes e Walcott, explorando sobretudo o lado direito da defesa do Aston Villa, tiveram a seu dispor oportunidades flagrantes e desperdiçaram-nas com algum demérito próprio, mas também com algumas responsabilidades de Shay Given, que esteve à altura do jogo, nomeadamente com uma defesa enorme ao cabeceamento do defesa-central dos londrinos.

Iam apertando os gunners, quase sufocando o Aston Villa, que só ia respirando (vulgo “disputar o jogo”) graças à concentração e ao posicionamento da sua dupla de centrais (Ron Vlaar e Jores Okore), muitas vezes testada pelos passes à procura da velocidade de Walcott, quase sempre neutralizada pela organização defensiva dos Villains.

Walcott abriu o marcador Fonte: Facebook da Premier League
Walcott abriu o marcador
Fonte: Facebook da Premier League

Por volta da meia hora de jogo, as coisas pareciam estar a ficar mais calmas para o lado dos Villains. O Arsenal deixou de criar perigo e de conseguir penetrar o último terço do terreno dando a impressão de que os gunners tinham ficado com pólvora seca. Puro engano. Estavam apenas a recarregar. Walcott lançou Nacho Monreal na ala (outra vez a exploração do lado direito da defesa dos villains), este cruzou para Alexis, que cabeceou para Walcott finalizar o que havia começado. Estava feito o golo inaugural e, até ao final do primeiro tempo, foi uma questão de gerir o jogo.

A segunda parte iniciou-se com uma toada diferente. O Aston Villa parecia ir atrás do resultado e mostrava-se seguro no controlo do encontro. Parecia, outra vez, que o Arsenal tinha ficado sem pólvora, mas mais uma vez estava apenas a recarregar. E o disparo que dilatou a vantagem foi dos bons: um “tiro” poderosíssimo de Alexis Sanchez desde o meio da rua para as redes defendidas por Shay Given (poderia ter feito mais). Estava feito o 2-0, e a partir daí o Aston Villa, estranhamente, rendeu-se. Estavam 40 minutos para jogar, para inverter a tendência, mas os Villains terão achado que não valia a pena lutar pelo resultado e conformaram-se, revelando uma permeabilidade defensiva enorme perfeitamente ilustrada no lance do terceiro golo: Mertesacker apareceu, sem oposição, a responder de uma maneira pouco ortodoxa (com o ombro!) ao canto batido por Cazorla para praticamente sentenciar o encontro.

Até ao final, parece ter havido um pacto de não-agressão e houve poucos motivos de interesse até ao golo que fechou o resultado: assistido por Oxlade-Chamberlain, Giroud “molhou a sopa”, fugido da marcação.

Apesar das facilidades com que se deparou, o Arsenal e Wenger atingiram números históricos: os gunners tornaram-se no clube inglês com mais Taças de Inglaterra (12), ultrapassando o United, e o treinador francês igualou George Ramsay no número de “Fa Cup” conquistadas, sendo agora, a par do escocês, o técnico mais titulado nesta competição.

 

Figura do jogo:

Alexis Sanchéz – O chileno tem o privilégio de jogar ao lado de atletas comparáveis a ele no que ao talento diz respeito, mas isso não invalida que não possa ter mérito na forma como consegue mexer no encontro. Sempre que pegava na bola, dava a sensação de que algo de novo estaria próximo de acontecer, e, por duas vezes, aconteceu mesmo: assistiu o Walcott para o primeiro golo e marcou, ele mesmo, o segundo.

Fora-de-jogo:

Alan Hutton – O lado esquerdo do ataque do Arsenal foi o mais explorado pelos gunners, e por lá surgiu o golo que desbloqueou o encontro. É certo que o poder de fogo do Arsenal assusta, mas isso não justifica tudo. A passividade da defesa do Aston Villa também, nomeadamente de Alan Hutton, frequentemente desposicionado e desconcentrado, permitindo o avolumar de oportunidades criadas (e consequente “crescimento” no jogo) pelos londrinos.

Foto de capa: Facebook do Arsenal

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Iván Fresneda assume papel de liderança no Sporting e elogia reforços: «A malta que entrou está com muita ambição de ajudar a equipa»

Iván Fresneda analisou a pré-época do Sporting. O lateral direito fez a antevisão do Troféu Cinco Violinos.

Benfica está interessado em mais um defesa central e olha para antigo alvo do FC Porto

O Benfica está de olho em Josip Sutalo. Saída de António Silva torna a contratação de mais um central uma prioridade.

Vitória SC vence o bicampeão asiático Al Ahli por 3-1 e tem jovem de 16 anos em destaque

Mais um jogo positivo para o Vitória SC no estágio de pré-época. No Algarve, vitória por 3-1 diante do Al Ahli da Arábia Saudita.

Fernando Santos elogia Bernardo Silva e antecipa maravilhas com José Mourinho: «O Real Madrid contratou um fenómeno em todos os sentidos»

Fernando Santos falou da chegada de Bernardo Silva ao Real Madrid. Antigo selecionador nacional deixou rasgados elogios ao médio.

PUB

Mais Artigos Populares

Conto de fadas termina: Tiago Torres eliminado nos quartos de final do Estoril Open

Tiago Torres foi a grande surpresa do Estoril Open e viu o caminho terminar. Português eliminado nos quartos de final da prova.

Stephen Eustáquio está de volta aos treinos do FC Porto e há regresso de peso depois de lesão e pronto a ir a jogo

Stephen Eustáquio juntou-se ao grupo do FC Porto depois do empréstimo e das férias. Alberto Costa recuperou de lesão e também está a postos.

Rui Borges revela 3 capitães do Sporting e garante: «Depois talvez possamos acrescentar algo mais»

Rui Borges fez a antevisão do Troféu Cinco Violinos. O treinador do Sporting falou na situação do grupo de capitães do clube.