De bestial a besta

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O mundo do futebol, e até do desporto em geral, muda muito rápido, como sabemos. Num dia ocupa-se uma posição de topo e sucesso, no outro cai-se no esquecimento. Esta frase anterior aplica-se na perfeição a Joe Hart. O inglês, atualmente com 32 anos, é o atual guarda-redes do Burnley FC, um clube consolidado na Premier League que, por norma, luta apenas pela permanência, apesar de recentemente ter conseguido qualificar-se para a Liga Europa. Joe Hart até há bem pouco tempo era considerado um dos melhores do mundo, hoje vive na sombra do que num dia foi.

Formado no modesto Shrewsbury Town FC, das ligas amadoras de Inglaterra, Hart, com apenas 18 anos, assumiu a titularidade da baliza sénior do clube, tendo realizado uns impressionantes 50 jogos oficiais, que despertaram a cobiça do Manchester City FC, ainda antes de se tornar a super potência que é hoje, mas já um forte clube da Premier League.

Depois de alguns empréstimos e fases irregulares de titularidade nos Citizens, Hart assumiu-se como senhor e dono das redes a partir de 2010, iniciando um reinado que terminaria em 2016. Foram 6 temporadas impressionantes do guardião no Manchester City FC e que foram aliadas a anos consecutivos como titular na seleção de Inglaterra (conta com 75 internacionalizações).

Pickford tem feito esquecer Joe Hart, com exibições de grande categoria
Fonte: Seleção de Inglaterra

Com a chegada de Pep Guardiola, Hart teve guia de marcha. Acusado de ter um mau jogo de pés e não jogar fora da grande área como o espanhol gosta, o internacional inglês surpreendeu e rumou ao estrangeiro para jogar no histórico Torino FC da série A italiana por empréstimo. Apesar de ser indiscutível no onze inicial do Toro, Hart teve uma segunda metade de época muito abaixo das expetativas, que fez com que o clube nem acionasse opção de compra.

Seguiu-se o West Ham UFC, também na condição de emprestado, onde foi titular até dezembro, perdendo depois o lugar para Adrián San Miguel, atualmente no campeão europeu, Liverpool FC. Mais uma vez, voltou a não ser comprado em definitivo. No verão de 2018, a ligação de 12 anos de Hart com o Manchester City FC terminou a troco de 3.9 milhões de euros, tendo rumado ao Burnley FC com um contrato até junho de 2020.

Carreira de Hart tem caído a pique, desde que se desvinculou do MCFC                                            Fonte: Burnley FC

A vida nos Clarets antecipava-se difícil, pois o clube tinha no plantel Tom Heaton e Nick Pope, dois internacionais ingleses, o primeiro com um estatuto enorme no clube e o segundo tendo sido a grande revelação da época anterior. No entanto, Heaton começou a época 18-19 lesionado e Pope teve uma lesão que o afastou por mais de seis meses. Assim, Joe Hart, entrou diretamente no onze inicial da equipa. A titularidade durou até dezembro, pois Heaton havia recuperado e Hart começou a baixar o nível, e nunca mais foi recuperada nessa temporada. Esta época, Heaton foi vendido ao Aston Villa FC, portanto a baliza do Burnley será discutida por Hart e Pope, mas, novamente, Hart perdeu o duelo.

A temporada arrancou e Nick Pope foi o escolhido para a titularidade, aumentando o período de instabilidade de Joe Hart, que parece não ter capacidade e contexto para voltar ao seu grande nível. É estranho ver um guarda-redes tão experiente que esteve tão cotado, apagar-se assim do nada. Há três anos, se dissessem que o titularíssimo da seleção dos Three Lions e do Manchester City FC iria ser suplente numa equipa que apenas luta pela permanência, seria difícil de acreditar.

O marasmo na carreira de Hart parece não ter fim, mas, independentemente de tudo, Joe Hart deixou-nos um legado fortíssimo e foi o melhor guarda-redes inglês na última década. Vamos ver se terá capacidade para, pelo menos, ganhar a titularidade ao talentoso Nick Pope.

Foto de Capa: FA

Revisto por: Jorge Neves

Ruben Brêa Marques
Ruben Brêa Marqueshttp://www.bolanarede.pt
O Rúben é um verdadeiro apaixonado pelo futebol, sem preferência clubística. Adepto do futebol, admira qualquer estratégia ou modelo de jogo. Seja o tiki taka ou o catenaccio, importante é desfrutar e descodificar os momentos do jogo e as ideias dos técnicos. Para ele, futebol é paixão, trabalho, competência, luta, talento, eficácia, etc. Tudo é possível, não existem justos vencedores ou injustos perdedores, e é isto que torna o futebol um desporto tão bonito.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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