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De suplente de luxo, a quebra-corações na Premier

Filipe Carvalho · 2 min

De suplente de luxo, a quebra-corações na Premier

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Quem diria que alguém que chegou a ser terceira opção no SL Benfica, na bem inferior Liga Portuguesa, suplente de Jonas e Mitroglou, se viria a afirmar de uma forma tão vincada no “melhor” campeonato do mundo? Raúl Jiménez faz parte dos raros casos de jogadores que não tiveram dificuldades de adaptação à Premier League. É como se tivesse nascido para jogar em Inglaterra. Agora, cá na Península Ibérica, isso é para os fracos… Mas antes de analisar o sucesso atual, há que fazer uma pequena contextualização do que era o la Mascarilla, quando se apresentou ao mundo do futebol.

Jiménez começou a dar nas vistas no seu país ao serviço do CF América, tendo, em 2014, captado a atenção do Atlético Madrid, que apostou 10M na sua contratação. Em Espanha, nem sequer lhe deram tempo para assentar raízes. Após uma época pouco conseguida, em que não conseguiu corresponder às expectativas iniciais, rumou à capital portuguesa para representar, como se sabe, o clube da Luz.

No Benfica, apesar da qualidade reconhecida e das oportunidades que teve a espaços, nunca passou a titular indiscutível. E aquando das ausências dos concorrentes pela sua posição, não era suficiente para ludibriar a crítica. É como se apenas servisse para suplente de luxo e não para entrar de início. A verdade é que, quase sempre que saltava do banco, virava resultados e resolvia jogos.

Para além de ser o homem golo, Raúl é também um dos líderes da equipa
Fonte: Wolverhampton Wandereres FC

Seguiu-se um empréstimo para os Wolves, de Nuno Espírito Santo. Um empréstimo com opção de compra, acionada no final da época 2018/2019. Depois disso, o resto é história. Até ao momento, soma 24 golos no campeonato (desde que ingressou no clube) e o “título” de melhor marcador da história do Wolverhampton WFC na Premier League.

É peça fundamental na filosofia de jogo de NES, e cada vez mais pragmático em frente à baliza. A questão agora é: depois de conquistar a generalidade dos adeptos em Inglaterra, quererá o mexicano subir mais um degrau na carreira, ou ficar no Wolves mais uns anos e ajudar o clube a intrometer-se na luta pelo top six?

Pessoalmente, penso que chegou a hora de Raúl dar o salto. Tem mais do que qualidade para tal, e equipas em que encaixaria que nem uma luva. Por exemplo, Chelsea, Manchester United ou até o Tottenham de Mourinho (que se vê privado de Harry Kane por largos meses) seriam ótimas soluções para um futuro próximo, se o próprio tiver ambição de lutar por outros objetivos. Se ficar no Molineux é compreensível, será a decisão da gratidão.

É o ponta de lança moderno, com traços de outros tempos. Moderno nas movimentações, completo do ponto de vista técnico, tático e físico, e com uma adaptabilidade extraordinária a diferentes sistemas de jogo. De outros tempos, traz aquele “crer” e “fome de bola” insaciável. Duvido que mude de clube neste mercado de inverno, mas no verão é bem capaz. Uma coisa é certa. Se, e quando sair, o Wolves não será o mesmo sem ele.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por Joana Mendes

Filipe Carvalho

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