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Força da Tática: Pochettino x Sarri, um jogo de pressão

João Mateus · 3 min

Força da Tática: Pochettino x Sarri, um jogo de pressão

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No último fim de semana tivemos vários confrontos interessantes por toda a Europa. Desde o embate entre Club Atlético de Madrid e Barcelona FC, ao emocionante SS Lazio – AC Milan, passando pelas vitórias de Manchester City FC e Liverpool FC, até aos empates surpreendentes de Manchester United FC e Bayern Munique FC.

Escolhi analisar e escrever sobre a derrota do Chelsea FC em Wembley, frente ao Tottenham Hotspur FC, não só porque tenho acompanhado, aqui no BnR, o projeto de Sarri em Londres, mas porque foi um jogo muito interessante de acompanhar, pela forma como os Spurs dominaram o Chelsea.

A vitória do Tottenham foi o resultado, entre outras coisas, da forma como a equipa neutralizou a circulação do Chelsea no corredor central, mantendo-os sempre sobre ameaça de perigosos contra-ataques.

Tottenham | Esquema defensivo sustentado pela pressão alta 

O Tottenham apresentou um sistema de 4-3-1-2, compacto, que acabou por neutralizar o habitual 4-3-3 do Chelsea, sem surpresas a nível de nomes, com Morata a manter-se na frente do ataque em detrimento de Giroud.

Desde cedo, a pressão alta dos Spurs forçou o Chelsea a jogar longo, sem muito critério. Adicionalmente, a pressão a que o Chelsea estava sujeito quando tentava construir desde trás mantinha a sua linha defensiva fixa dentro do seu meio-campo.

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Nesse 4-3-1-2, Alii colocava-se nas costas da dupla atacante e marcava Jorginho, uma opção cada vez mais natural dos adversários do Chelsea, tendo em consideração o impacto do italiano na ligação do setor defensivo à linha média/avançada. Atrás do inglês, Dier, Sissoko e Eriksen congestionavam o meio-campo e evitavam o acesso às áreas centrais por parte do Chelsea.

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Vemos como a linha defensiva dos blues estava fixa, pela pressão do Tottenham, dentro do seu próprio meio-campo defensivo; como tinha dificuldades em fazer a bola chegar às linhas mais avançadas e como os Spurs anularam Jorginho no início de construção.

Tottenham | Uma equipa que joga de olhos fechados

Quando o Chelsea conseguia ter posse de bola dentro do meio campo do Tottenham, vinha ao de cima a organização defensiva da equipa da casa. O meio-campo a três dos Spurs conseguiu pressionar constantemente o portador da bola, mesmo nos corredores, sem abrir espaços dentro da sua estrutura. Quando Sissoko, médio interior esquerdo, pressionava o corredor, o espaço entre ele e Dier (médio-centro) não foi explorado pelo Chelsea, por mérito da intensidade defensiva do Tottenham. O meio-campo de Mauricio Pochettino ajustava rapidamente a sua posição em resposta à circulação de bola do Chelsea e nunca se desconectava, sempre com as devidas coberturas e equilíbrios.

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Nota especial para Sissoko, que vigiou com grande qualidade e eficácia os espaços onde Hazard tanto gosta de aparecer e nunca permitiu que os adversários tivessem a bola sem serem pressionados. Rápido e intenso a reagir aos vários estímulos para pressionar e recuperar bolas, permitindo à equipa construir perigosos contra-ataques.

Chelsea | Uma pressão desconectada

A forma como o Chelsea reagiu à perda da bola e como pressionou o adversário foi muito infeliz e contribuiu, em grande medida, para o resultado do jogo. O meio-campo de Sarri abandona muitas vezes a zona média para pressionar mais à frente, procurando pressionar a bola o mais cedo possível. É um comportamento arriscado, em que o Chelsea assume que vão ser criados espaços dentro da estrutura, mas são espaços que o adversário não pode aproveitar, pela forma agressiva como a equipa pressiona a bola.

Fonte: SkySports

Em Wembley, o meio-campo do Chelsea foi apanhado muitas vezes nas “zonas de ninguém”: muito distante do portador da bola e chegando sempre tarde para pressionar, o que permitiu ao Tottenham aceder com facilidade ao espaço nas costas da linha defensiva.

O meio-campo do Tottenham sempre compacto horizontalmente, como vemos na imagem acima, dominou o do adversário, que estava gradualmente a ficar mais desligado, para fugir ao congestionamento que os Spurs estavam a impor no corredor central. Adicionalmente, Kane arrastava os centrais do Chelsea para zonas redundantes do campo, o que abria espaços para Alli e Son explorarem no corredor central, com trocas constantes de movimentos.

Foto de capa: Tottenham Hotspur FC

João Mateus

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