In Wenger (can) we (finally) trust(?)

- Advertisement -

cab premier league liga inglesa

A 21 de Dezembro de 2014 disputava-se um dos imensos clássicos do futebol inglês. O Arsenal ambicionava dar a volta à época na deslocação a Anfield Road, procurando vincar o bom momento de forma com uma vitória que, a acontecer, seria a terceira consecutiva em duelos complicados, depois de ter ido à Turquia derrotar o Galatasaray por 4-1 e de ter vencido o Newcastle em casa pelo mesmo resultado.

Talvez pela confiança trazida dos jogos anteriores, a equipa reagiu bem ao golo de Philippe Coutinho que inaugurou o marcador e respondeu logo a seguir com o empate. Mais tarde, aos 64, Giroud marcava e punha os gunners em vantagem, anulada aos 90+7 por Martin Skrtel, que fixou o resultado final.

Ao contrário do que o resultado diz, o jogo não foi assim tão bom e as equipas fizeram jus às classificações do meio da tabela que, perplexamente (relativamente aos objectivos fixados no início da época), ocupavam. Porém, o Liverpool fez muito mais do que o Arsenal, e talvez merecesse, do ponto de vista de oportunidades criadas, sair vencedor. Os gunners jogaram sempre com linhas baixas, e não tiveram muita oportunidades para visar a baliza dos reds – que efectuaram 24 remates contra… 5 (!) do Arsenal.

Foi nesse encontro que ficou comprovada a eficácia da estratégia do novo Arsenal – acabaram-se os rodriguinhos e o romanticismo, Wenger opta agora pelo pragmatismo e põe a equipa a jogar de forma cínica, aproveitando as oportunidades que lhe vão surgindo, embrulhando adversários numa teia posicional eficiente, ocupada por jogadores aprimorados neste aspecto e que antigamente “só” espalhavam talento com a bola no pé – casos mais evidentes de Santi Cazorla e, ainda mais evidente, de Alex Oxlade-Chamberlain.

O espanhol e o britânico sabem agora sair com critério e compensar eventuais subidas dos laterais ou mesmo dos seus parceiros de meio-campo (no caso de Santi Cazorla). Tornaram-se tacticamente inteligentes, e o mérito, aí, tem de ser dado a Arséne Wenger, que conseguiu moldar as mentes e a forma de jogar de duas vedetas que, apesar de jovens, podiam sentir-se com pouco por demonstrar ao mundo do futebol.

Cazorla
Cazorla, uma das indispensáveis ferramentas do pragmatismo imposto por Wenger
Fonte: Facebook do Arsenal

Foi aí (e também no uso de Coquelin como pivô defensivo) que esteve a chave do sucesso conseguido este fim-de-semana, no Etihad, onde o Arsenal foi vencer por 2-0. Um resultado enorme, dado que não se verificava um desnível tão grande no “placard” de jogos do Manchester City em casa desde Outubro de 2010, e ainda pelo facto de os citizens, caracterizados pelo seu respeitável poder ofensivo (Agüero, Dzeko, Jovetic, Jesus Navas e David Silva metem medo a qualquer defesa), terem ficado em branco no seu próprio reduto.

A primeira parte revelou uma equipa muitíssimo coesa, como há muito os seus adeptos não viam, deixando ficar bem vincado o acerto de Wenger na mudança de estratégia para o seu Arsenal. O resultado ditava 1-0 para os gunners, o número (total, sublinhe-se) de remates do City era… zero! Depois, os skyblue apertaram, como seria de esperar. Puseram a carne toda no assador, mas não foram além de 8 remates, com o Arsenal a controlar, com mestria, o campeão em título.

O Arsenal cresceu. Não deixou de ter imaginação na frente (há Alexis Sánchez e Özil prontinho a sair do banco), e conta com uma maturidade táctica há muito tempo procurada e que reduz o desgaste dos seus jogadores em termos físicos (os mais imaginativos estão menos expostos a entradas agressivas e o desgaste, sem bola e em bloco, é menor), um problema gravíssimo que já se julgava crónico na formação londrina.

É prematuro dizer se os gunners são ou não candidatos ao título, até porque distam 13 pontos do primeiro lugar, mas ao derrotarem o campeão (e desde 2002 que não derrotavam o campeão na sua casa) já tiveram uma palavra decisiva na discussão do topo da tabela (o City, segundo, ficou a 5 pontos do primeiro classificado, Chelsea, e arrisca-se a ficar a 8 no próximo fim-de-semana, com a deslocação a Stamford Bridge) e alimentaram a ilusão de uns adeptos que sempre foram… pacientes (“In Wenger We Trust”, escreveu-se nas bancadas do Emirates enquanto se jejuava de títulos há quase uma década).

Foto de Capa: Facebook do Arsenal

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Atenção, Braga: Friburgo com baixa de peso para a partida contra os minhotos

O Friburgo não vai poder contar com Yuito Suzuki, que se encontra lesionado. O jogador não tem data de regresso.

Caos no Real Madrid: Antonio Rudiger acusado de dar uma chapada a ex-Benfica

Antonio Rudiger foi acusado de ter dado uma chapada a Álvaro Carreras, vivendo-se um ambiente tenso no Real Madrid.

Sporting regressa aos treinos depois da goleada contra o Vitória SC

O Sporting regressou aos trabalhos na Academia de Alcochete, depois da goleada aplicada ao Vitória SC.

Barcelona quer jogador pretendido pelo Bayern Munique: Deco já está a trabalhar na negociação

O Barcelona está atento a Anthony Gordon, jogador que representa o Newcastle United e que é pretendido pelo Bayern Munique.

PUB

Mais Artigos Populares

André Villas-Boas revela reação de Francesco Farioli ao abordar vinda de Thiago Silva: «Ficou encantado»

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, falou sobre a contratação de Thiago Silva. «Uma oportunidade de mercado que queríamos abraçar», referiu.

André Villas-Boas aborda vários temas à volta de Francesco Farioli: «Treinador à Porto»

André Villas-Boas recordou o primeiro contacto com Francesco Farioli e falou sobre a sua chegada e mercado de inverno, com elogios à mistura.

Thierry Henry com vários elogios para a Seleção Nacional: «É preciso respeitar essa equipa»

Thierry Henry deixou vários elogios à Seleção Nacional. «Acho que é preciso respeitar essa equipa», referiu o antigo avançado francês.