O Beatle português do Goodison Park

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Pode até não passar de um ditado popular, mas não deixa de ser verdade: às vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois em frente. Não se dá este passo por não se saber o caminho ou aquilo que se vai encontrar ao longo deste, mas pelas circunstâncias incontornáveis que não permitem a passagem por aquele troço sem percalços. Mesmo que tenhamos todos os recursos e mais alguns, há muita coisa que nos é alheia e que interfere diariamente nos percursos que temos a seguir. André Gomes foi só mais um, de milhões, que percebeu que tinha de dar este passo se queria continuar o caminho começado.

Em julho de 2016, o médio português – com apenas 22 anos – tomou a decisão mais importante da sua carreira: assinar pelo FC Barcelona. Não é todos os dias que se assiste à chegada de jogadores lusos à Catalunha e essa terá sido uma das principais razões para o insucesso de Gomes nos blaugrana. Jogar no mesmo emblema de Messi, Iniesta e Busquets, logo após a saída de um nome memorável da história dos culés, Xavi, não é, de todo, tarefa fácil. Os adeptos do Camp Nou, à semelhança do que acontece no Santiago Bernabéu, têm uma especial exigência quanto a atletas portugueses e André Gomes acabou por não resistir à onda de críticas de que foi alvo.

Hoje, dois anos e meio depois da chegada do ex-Benfica a terras catalãs, muita coisa mudou, a começar pela confiança do jogador. Após uma fase negra vivida no Barça, em que afirmou que tinha vergonha de sair à rua, Gomes disse recentemente à Sky Sports que se diverte novamente a jogar futebol. E o responsável é o Everton FC, conjunto orientado pelo compatriota Marco Silva.

André Gomes (à esquerda) é um jogador feliz no Everton de Marco Silva                                          Fonte: Everton FC

A jogar por empréstimo na formação inglesa, André Gomes tem sido uma das notas positivas na Premier League, tanto que consta na lista dos seis jogadores mais subvalorizados do campeonato, elaborada pela revista FourFourTwo. O camisola ‘8’ é visto como um dos símbolos do novo Everton, tendo trazido a classe e leitura de jogo que faltavam ao meio-campo dos toffees. Quem marca os golos no Goodison Park é o brasileiro Richarlison, mas este só tem que agradecer a Gomes por todo o trabalho invisível que possibilita a chegada da bola às balizas contrárias.

Se em Espanha era considerado um centrocampista lento e sem a visão periférica de que o tiki-taka se alimenta, em Terras de Sua Majestade a análise é bastante diferente. Não só se tem destacado esta “lentidão” do internacional português como benéfica para a gestão do ritmo do jogo, como se tem feito referência ao “ADN Barcelona” incorporado em André Gomes.

Num ano de recuperação dos níveis de confiança, o interesse no passe do jogador, por parte de clubes como o Tottenham Hotspur FC e a Juventus FC, acaba também por ser fulcral neste “passo para trás” dado pelo médio de 25 anos. Contudo, Marco Silva revelou que o Everton pretende contratar Gomes em definitivo já em janeiro, pelo que este “namoro” tem tudo para se prolongar.

Agora que o caminho passa pela cidade de Liverpool, André Gomes só tem de colocar os headphones nos ouvidos e procurar por “The Beatles” no motor de busca do Spotify, antes de entrar no relvado do Grand Old Lady para espalhar o seu futebol. Porque, no fundo, André, “there will be an answer. Let it be”.

Foto de capa: Everton FC

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