O coletivo pode não ganhar jogos

- Advertisement -

“A união faz a força”. “Interessa é o coletivo”. “Juntos somos mais fortes”. “United we stand, divided we fall”. Todas as frases caíram em clichés habituais e facilmente aplicáveis a diversas partidas, mas podem começar a perder algum sentido se começarmos a observar os últimos jogos do Tottenham de André Villas-Boas. O massacre que sofreu hoje às mãos do Manchester City (6-0) pôs a nu as grandes debilidades da equipa que ele próprio construiu, fundamentada nos seus próprios princípios de jogo.

André Villas-Boas, à partida para este campeonato, tinha já uma certeza: Gareth Bale ia sair, mas ia deixar muito dinheiro para reforçar todo o plantel e aumentar a sua profundidade. E o treinador português escolheu (maioritariamente bem) as peças que queria encaixar na sua equipa e as posições que necessitavam de profundidade. Vieram Soldado, Lamela, Paulinho, Capoue, Eriksen ou Chiricheş, mas a filosofia de Villas-Boas manteve-se. É um treinador que se inspira muito no modelo 4-3-3 de Pep Guardiola, mas que aborda os jogos de forma excessivamente cautelosa. Fia-se demasiadas vezes na sorte e na esperança de que algum jogador faça a diferença no encontro.

Sem Bale, Villas-Boas não tem muitos motivos para sorrir Fonte: http://allnep.com/
Sem Bale, Villas-Boas não tem muitos motivos para sorrir
Fonte: http://allnep.com/

Pois bem, sem Bale, o Tottenham perdeu uma significativa capacidade de decidir jogos através de rasgos individuais. E os jogos da equipa de Villas-Boas caem excessivamente na previsibilidade e falta de capacidade para definir jogadas. Soldado tem disfarçado em alguns jogos, por ser um excelente finalizador, mas as evidências estão à vista de todos. As equipas do treinador português sempre se solidificaram segundo estes processos de controlo e de manutenção da posse de bola. Teve sucesso quando tinha, no seu plantel, jogadores capazes de fazer a diferença: Falcao e Hulk no Porto e Bale no Tottenham. No Chelsea a história foi diferente e ia muito para além da qualidade dos seus jogadores.

Sem Bale ou uma referência capaz de desbloquear encontros, os dados estatísticos acabam por comprovar a ineficácia das equipas de Villas-Boas: não sofre muitos golos (antes do descalabro de hoje, apenas tinha sofrido 6), mas marca muito pouco (apenas 9 golos marcados em 12 jogos). E a tendência não se deverá inverter muito se o treinador português continuar a abordar os jogos de forma excessivamente conservadora e apenas a pensar na posse de bola. É que o seu modelo de treinador, Guardiola, teve Messi. E agora tem Robben e Ribéry. Villas-Boas teve Bale. Agora não tem ninguém. O coletivo é, naturalmente, a componente mais importante do futebol. Incutir uma mentalidade de grupo é a base de sucesso para qualquer equipa.

Agüero foi um dos responsáveis pela derrota de hoje de AVB frente ao City por 6-0 Fonte: http://www.telegraph.co.uk/
Agüero foi um dos responsáveis pela derrota de hoje de AVB frente ao City por 6-0
Fonte: http://www.telegraph.co.uk/

José Mourinho, há 4 anos, no Inter de Milão, esteve em situação idêntica e conseguiu inverter a situação. Perdeu o seu elemento mais desequilibrador (Ibrahimovic), reforçou a sua equipa e ganhou a Liga dos Campeões. Villas-Boas, agora sem Bale, tentou o mesmo, mas os resultados foram piores. O motivo pode ser explicado de várias formas. Mas a vertente tática não pode ser ignorada. Bem como a postura de cada treinador. E enquanto Villas-Boas for excessivamente conservador na sua abordagem, à Guardiola, aos encontros, não pode queixar-se. O ano passado, Gareth Bale disfarçou-lhe as fragilidades. Este ano, está por sua conta. Cabe-lhe agora ter capacidade e coragem para ser mais frio e ambicioso para enfrentar os próximos encontros. Porque se continua à espera da sorte… pode muito bem ter azar.

Subscreve!

Artigos Populares

FC Porto termina a 3ª jornada com registos quase iguais à última temporada e desta vez sem companhia na liderança

O FC Porto voltou a arrancar a época só com vitórias e sem golos sofridos. Registos semelhantes aos de 2025/26.

Impasse na renovação de Andreas Schjelderup: Eis o ponto de situação

Andreas Schjelderup congelou as negociações para a renovação do seu contrato com o Benfica, recusando negociar pelo menos até ao final da época.

EM DIRETO: Francesco Farioli faz o rescaldo ao FC Porto x Arouca

Acompanha a conferência de imprensa de Francesco Farioli após o encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da Primeira Liga.

Francesco Farioli elogia postura do FC Porto e ressalva: «O Arouca costuma pressionar com outra agressividade e acabaram por baixar metros»

Francesco Farioli analisou o desfecho do encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da primeira Liga.

PUB

Mais Artigos Populares

William Gomes olha para a vitória do FC Porto e deixa mensagem para Rodrigo Mora: «Desejo muita sorte, porque qualidade ele tem»

William Gomes analisou o desfecho do encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da primeira Liga.

Raphinha e Fermín López brilham na goleada do Barcelona ao Elche: Eis os resultados do dia na La Liga

O Barcelona goleou o Elche por 5-0. Raphinha e Fermín López bisaram na partida que marcou o regresso de João Cancelo.

Javi Sánchez analisa derrota contra o FC Porto e elogia companheiro do Arouca: «Salva-nos de vez em quando»

Javi Sánchez analisou o desfecho do encontro entre FC Porto e Arouca, referente à 3.ª jornada da primeira Liga.